Livros: A Teoria de Tudo

E eu devo dizer: obrigada pelo filme.

Provavelmente eu não teria lido A Teoria de Tudo não fosse o lançamento do filme, afinal, mesmo tendo passado por dois livros de Hawking, um sendo sua autobiografia, nada me despertara curiosidade sobre a visão que Jane, a esposa, pudesse me dar essa história.

Isso até eu terminar o primeiro capítulo.

Como eu disse em meu texto sobre o filme, Jane era muito jovem e não sabia direito ainda quem era quando aceitou casar-se com um homem cuja data de morte parecia já definida. Se no filme temos um vislumbre disso, é no livro que vemos o quanto isso é verdadeiro.

Tendemos, quando jovens, a nos considerarmos fortes e invencíveis. Não fosse isso não encontraríamos coragem para fazer o que é necessário para seguir em frente e realizar os nossos sonhos. Já Jane usa isso para enfrentar quem a considerou louca e, acima de tudo, para fazer o que achava que devia.

Ao longo do livro as palavras dificuldades e sacrifícios são repetidas a exaustão, mas você não verá alguém se fazendo de vítima. Jane fala de suas escolhas como uma pessoa ciente de que nada do que aconteceu “com ela”, mas sim que as coisas aconteceram. Ponto.

E, aqui entre nós, Jane é um excelente exemplo dos pequenos heróis, enquanto continuamos a admirar os super heróis, que fazem o que é preciso e recomeçam todos os dias.

Se era fácil imaginar que a vida dela com Stephen não tinha sido fácil, o livro confirma minha tese.

E não por causa da doença, mas porque eu acredito mesmo que seja difícil viver com alguém extremamente inteligente ou talentoso. Rimos ao ver as tramas absurdas geradas em The Big Bang Theory por conta das manias e falta de noção de Sheldon Cooper e nos esquecemos que a vida acontece todos os dias, o dia todo, e não apenas por vinte minutos semanais e que ser parte do “elenco” é bem mais pesado do que ser plateia.

Se já não seria fácil, conviver com a fama que Stephen Hawking adquiriu e com as limitações da vida real – em que mesmo um dos sistemas públicos de saúde mais eficientes tem falhas e em que não se ganha tanto dinheiro quanto as pessoas acham que a gente ganha – não melhorou as coisas. Ainda hoje, tantos anos depois dos dois terem se separado e mesmo cientes de que muitas mentiras foram contadas pela mídia quando do final do casamento – ou você acha que Stephen Hawking é louco a ponto de citá-la carinhosamente em sua autobiografia ou convidá-la para ir à Rainha da Inglaterra com ele caso elas fossem verdades? – você encontrará várias resenhas pela internet em que Jane é chamada de mesquinha e egoísta.

livro a teoria de tudo jane hawkingA Teoria de Tudo é a história de uma vida.

É a história de uma vida de uma pessoa que viveu rodeada de homens e mulheres inteligentes e fascinantes e que se permitiu aprender com eles, mesmo quando não concordava com suas visões de vida. Uma pessoa que atravessou o mundo acompanhando seu marido e nos conta sobre o outro lado da fama, dos grandes simpósios de ciências, das grandes descobertas.

Uma pessoa que acredita em coisas que físicos em geral tendem a deixar de lado e que conseguiu encontrar em si uma forma de conciliar fé e conhecimento – um de meus trechos favoritos é quando Jane fala que acredita que religião e ciência não precisam andar tão distantes uma da outra ou serem consideradas excludentes, mas sim que deveriam ser consideradas complementares. Enquanto uma busca o como as coisas aconteceram e acontecem, quem sabe a outra pode responder porque elas aconteceram.

E, sim, padece de capítulos um tanto desnecessários ou enfadonhos, mas serve para nos dar um pequeno vislumbre de que Stephen Hawking pode ser sim um gênio, mas talvez ele não tivesse chegado tão longe não fosse os pequenos sacrifícios das pessoas a sua volta.

De que, muitas vezes, é possível sim conciliar isso e ainda encontrar felicidade, por mais que algumas noites afundemos a cabeça no travesseiro por conta da falta de reconhecimento, por falta de um obrigada.

O livro é, sem sombra de dúvida, menos romântico que o filme. Mas muito mais rico e não menos interessante. Então, leia o livro, veja o filme.

Mais que tudo: se deixe tocar, não somente pela genialidade de um homem tão maior que as limitações de seu corpo físico, mas também pela determinação de uma mulher que acreditava no amor e que tinha uma fá inabalável.

Sinopse

Quando Jane conhece Stephen, percebe que está entrando para uma família que é pelo menos diferente. Com grande sede de conhecimento, os Hawking possuíam o hábito de levar material de leitura para o jantar, ir a óperas e concertos e estimular o brilhantismo em seus filhos – entre eles aquele que seria conhecido como um dos maiores gênios da humanidade, Stephen. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, enquanto conhecia a jovem tímida Jane, Hawking superou todas as expectativas dos médicos sobre suas chances de sobrevivência a partir da perseverança de sua mulher. Mesmo ao descobrir que a condição de Stephen apenas pioraria, Jane seguiu firme na decisão de compartilhar a vida com aquele que havia lhe encantado. Ao contar uma trajetória de 25 anos de casamento e três filhos, ela mostra uma história universal e tocante, narrada sob um ponto de vista único. Stephen Hawking chega o mais próximo que alguém já conseguiu de explicar o sentido da vida, enquanto Jane nos mostra que já o conhecia desde sempre – ele está na nossa capacidade de amar e de superar limites em nome daqueles que escolhemos para compartilhar a vida.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *