Encontros e desencontros

Logo cedo vários posts em japonês tinham invadido meu Feedly, isso normalmente acontece quando um domínio que eu seguia fica disponível e é adquirido por outra pessoa. E normalmente esses novos posts são de propagandas em inglês e japonês. Nunca aconteceu de o novo “dono do domínio” escrever sobre algo que eu estaria interessada, menos ainda sobre o que antigamente era o blog.

Na maioria das vezes eu simplesmente passo direto pelo post e deixo para excluir aquele feed depois, mas a coisa foi se acumulando e eu precisava realmente dar uma limpada ali.

Organizando os mais de 800 links que importei do Google Reader para o Feedly (se tem algo que o Google podia recuperar era o Reader, não é verdade?) e os que adicionei depois, percebi o quanto realmente estou velha de “internet”.

Selecionei 315 feeds, dos quais mais da metade não tinha atualização há mais de um ano, a grande maioria há mais de quatro. Passei pelos múltiplos endereços de pessoas que hoje considero amigas, que estão lá no meu Facebook, ou que acompanho no Instagram e que até assino o canal do YouTube (faço na maior boa intenção, sempre que lembro até curto os vídeos, mas a verdade é que eu dificilmente assisto), mas que não escrevem mais em seus blogs ou pelos menos não naqueles ou sobre aqueles assuntos.

Da Tati Lopatiuk, que agora é autora de livros, publicada e tudo, tinha pelo menos uns 5 endereços. Da Luciana, a autêntica Batata Transgênica, pelo menos três. Idem para a Fal Azevedo e para a Cora Ronai – estas duas eu leio hoje em outros endereços. A Mari escrevia sobre livros, hoje escreve sobre corrida, nossos caminhos até se reencontraram.

Tem gente que optou por escrever no Facebook, seja em sua página pessoal ou em uma fanpage, não ligando para o fato de que ali a gente não manda nada – nem é espaço alugado, é quartinho cedido na casa de outra pessoa que pode mudar de ideia a qualquer momento -, outros migraram para o Medium, o que dá na mesma, mas com uma cara mais parecida com os blogs de antigamente .

Entendo que dá menos trabalho e na maioria das vezes também custa menos, mas sinto falta de dar uma olhada na “casa dos amigos”. Fico até triste quando descubro um blog novo interessante e ele nem feed válido tem. Continuo me irritado quando os feeds vem cortados, continuo deixando de seguir quem opta pelo corte (lembrando que a chance de você perder um leitor por causa disso é sempre maior que a da pessoa clicar para continuar lendo no site).

Vários endereços aparecem como não rastreáveis, a imagem do blog sumiu e eu não lembro o nome das pessoas que escreviam ali. No Reader a gente ainda conseguia guardar os textos antigos, mesmo que deixasse de seguir um blog ou ele ficasse sem rastro, hoje esse conteúdo todo virou poeira de estrelas, desculpem o romantismo bobo.

Na hora H quase deixo para lá e deixo os 315 feeds lá, com exceção dos que já estão em japonês, na esperança de que aquela pessoa um dia volte (quem sabe internet é como moda, que vai e volta e um dia os blogs voltarão a fazer sucesso?), talvez apenas para guardar a lembrança daqueles encontros.

No final cliquei na lixeira mesmo, desencontros também fazem parte da nossa vida.

P.S. A imagem é da palavra encontrar em italiano: Incontrare. Bem bonita, não é mesmo? Sigo um blog que todo dia publica uma nova palavra em italiano.

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