Grey’s Anatomy: Mama Tried (12×22)

O dia do julgamento. E devo dizer que em alguns (muitos?) momentos foi difícil assistir ao que acontecia sem se revoltar mais um pouquinho. A cada vez que a advogada de Callie levantava mais um daqueles argumentos machistas para desmerecer quem Arizona era, nossa, doía como se fosse com uma amiga minha.

O final do episódio nos leva a entender que quando a advogada de Arizona não usou das mesmas armas foi por escolha da pediatra, que inclusive disse isso com todas as letras para Callie naquele banco, mas o caminho foi árduo: se Arizona pediu trocas de dias com a Callie para poder sair com Richard ou por conta de uma cirurgia, quantas vezes Callie não o fez para ficar com a namorada? E o fato dela simplesmente arrastar a pequena filha com ela sem considerar a perda dos amigos, da rede de suporte, só para ficar com a namorada? Isso não é errado?

Mas nada me doeu mais do que quando a advogada praticamente disse que Arizona só queria Sofia por capricho. E este foi o único momento em que Arizona saiu do prumo, para dizer que ela escolheu ser mãe, mesmo tendo uma saída fácil a frente – e quantos homens não usam esta saída, não é verdade?

E como se o clima geral não fosse tenso o bastante, os roteiristas ainda trouxeram de volta a adolescente grávida de episódios atrás, desta vez após uma queda e colocou todo mundo preocupado com o que aconteceria com ela já que Arizona estava fora do hospital. Ao final Arizona deixa o julgamento para tratar da bebê e neste momento eu morri de medo dela também perder Sofia, ainda que eu entendesse que ela não tinha outra decisão possível. Esta é quem Arizona é. E isso faz dela uma mãe sensacional, porque na verdade ser uma boa mãe não significa ter todo o tempo do mundo disponível para seus filhos, mas amá-los, confortá-los e ser o melhor exemplo de ser humano possível para eles.

Bom, questão é que depois deste episódio tudo mudou para Arizona e Callie, assim como Arizona eu não poderia esquecer o que foi dito ali, e também para Callie e Penny. A grande verdade é que no momento em que Callie larga da mão da Penny logo após Arizona levar Sofia para casa é a prova maior que a juíza fez a melhor escolha.

Penny não tem culpa de nada, a bem da verdade eu me surpreendi como ela foi madura ao longo de todo processo, mas é ela que Callie está culpando pela escolha que ela fez. A maturidade de Callie não existe, está aí a maior prova disso.

Greys Anatomy Mama Tried 12x22 s12e22

P.S. Kyle de volta ao hospital, avisei que não ia acabar bem pra Edwards, não avisei?

*****

Mais uma prova que, apesar de escrever histórias incríveis, Shonda e sua equipe tem uma tremenda dificuldade em se despedir de personagens. E se você não sabe de quem estou falando, aviso de SPOILERS a partir daqui.

Quem lê outros blogs ou notícias internacionais já sabe que Sara Ramirez decidiu deixar Grey’s Anatomy após a 12ª temporada, a impressão é que a decisão da saída foi na santa paz e que ela não vai acabar morrendo – não sei como foi o final de temporada -, mas isto não impediu que sua saída se tornasse mais um “desastre” da série, ainda que figurado.

Fiquei imaginando que Callie decidiria seguir com Penny para Nova Iorque e era perfeitamente possível conduzir isto de uma maneira pacífica, com algum tipo de acordo entre ela e Arizona, até porque desde a separação as duas nunca estiveram em melhor momento. Quando o roteiro decidiu criar um caso disso, apesar de desnecessário, achei válido, porque, como já disse aqui, fazer as coisas sem pensar direito achando que encontrou o amor da sua vida, de novo, está de acordo com quem Callie sempre foi.

O problema é que no julgamento vimos um lado da Callie que eu desconhecia, um lado egoísta que eu não reconheço nela. O que ela deixou que sua advogada fizesse com Arizona, nossa, foi muito baixo. E, de novo, desnecessário.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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