Um ídolo deve nos inspirar a sermos melhores

Houve um tempo em que eu não acreditava em ídolos – exceção ao meu pai, de quem eu visto a camisa e tatuo a pele como exemplo para quem sou hoje e para o que quero representar em minha vida – talvez porque sempre associei essa ideia de ídolo a muito de idealização, te tornar perfeita uma pessoa que não pode ser – meio na linha de meu post sobre Lance Armstrong e pessoas que o colocaram num pedestal e agora o associam a tudo de errado que existe nesta vida.

Esse meu receio com o assunto acabou resultando numa falta de ídolos durante a minha adolescência, por exemplo, e me fez não entender direito tanta comoção quando Ayrton Senna morreu.

Só que, graças a Deus, as pessoas mudam de opinião, abrem a cabeça, pensam diferente. Eu cresci, conheci gente tão legal, tão real e, com tudo isso, tão admirável. Acabei ganhando vários ídolos do dia a dia que enfrentam as mais diversas batalhas com garbo, mesmo que não consigam manter o salto alto e a maquiagem até o final do dia. Enfrentam preconceitos, violência, a falta de grana, a falta de chance, a falta de vergonha.

Enfrentam os desafios de ser mãe, de ser filha, de ser colega, de ter chefe chato, de ficar sem emprego, de ter câncer, de não engravidar, de engravidar fora de hora. Graças a Deus eu vejo diariamente uma atitude que valha a pena ser lembrada, ser guardada como inspiração e que me faça admirar ainda mais estas pessoas.

Acho que ídolo é isso, alguém que, em toda a sua humanidade, te inspira a ser uma pessoa melhor.

Pra exemplificar isso eu resolvi escolher alguém que não está comigo no dia a dia ou é tão próxima assim, mas que me serve de exemplo todo dia: Ellen DeGeneres – vira e mexe eu repito em alguma rede social o quanto eu amo essa mulher.

Pra quem não conhece a história, Ellen é uma humorista americana que conquistou um espaço no final dos anos 80, começo dos anos 90, para ter um programa seu na televisão. Como quem não tem medo do desafio a então jovem Ellen encarou ser protagonista, redatora e diretora.

Mais que isso: ela usou o seu programa para literalmente sair do armário e assumir sua homossexualidade em tempos em que não se falava disso como se fala hoje.

Ellen então passou a fazer o melhor uso que pode de sua fama ou dinheiro: se tornou uma das principais celebridades a falar do preconceito, a se posicionar contra o bullying, a defender o feminismo, a defender o diferente.

Ela financia ONGs de proteção dos animais, colocou a mão na massa para ajudar na reconstrução de New Orleans pós Katrina, usa seu programa diário de entrevistas para ajudar causas individuais – famílias que perderam tudo, veteranos que ficaram sem emprego após voltar da guerra, crianças com sonhos simples – ou coletivas, como ao doar bicicletas e dinheiro para uma escola que tem cuidado de forma muito especial de suas crianças em uma pequena cidade dos EUA. Usa dinheiro próprio e coloca seus patrocinadores para doar também.

Todos os dias Ellen encerra seu programa com a mesma frase e você vê em seus olhos que ela realmente quer que isso aconteça: be kind, one another (sejam gentis uns com os outros).

Ellen DeGeneres

Creative Commons License ronpaulrevolt2008 via Compfight

P.S. Em seu aniversário, comemorado ontem, o Huffigton Post publicou um ótimo artigo: 55 razões para amar Ellen DeGeneres, dá uma olhadinha.

Este post faz parte do Meme de Janeiro, uma iniciativa das interneteiras do LuluzinhaCamp, que tem como única intenção a diversão. Porque somos blogueiras e adoramos blogar, simples assim. Se você tem blog, corre para participar, clique aqui e saiba mais.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

5 Comentários


    1. Obrigada querida, acho que por isso eu achei engraçado quando o pessoal falou que estava com dificuldade em falar do assunto, acho que a gente precisa valorizar mais quem faz o bem. beijo

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