Damages: The Next One’s Gonna Go In Your Throat (03×13)

Quando eu assistir a primeira temporada de Damages eu não fui tão contagiada assim pelas pessoas que a elegeram a melhor série daquele ano: eu gostei, muito, mas tive muita raiva também de todas aquelas “experimentações”.

A segunda temporada tinha os personagens que você já conhecia – com atores sempre dando o melhor de si – e algumas novidades, como o Willian Hurt. A nova história permitiu que a relação conflituosa de Ellen com suas escolhas fosse mais bem explorada, enquanto ela continuava atormentada pela morte do noivo. Senti menos raiva.

A terceira temporada foi irrepreensível, cada pedaço de episódio tinha importância, não dava nem para desviar o olhar, tudo tinha importância. Desde o primeiro episódio a gente ficava naquela coisa louca: Por que Tom Shayes está morto! Como assim?

Podemos ver porque Tom segue adiante e isso sem tantas explicações ditas: era algo que o forçava, algo que vinha de dentro e era mais que simples egoísmo ou vaidade. E ele morrer nas mãos de Joe, com a cabeça enfiada na privada de sua própria casa é até meio poético. Poético e inesperado, por isso perfeito.

Podemos ver Patty acabando com a vida de Jill e confirmar que ninguém se mete com Patty Hewes e sai impune. Quem de nós não soltou um meio sorriso quando ela sugere devolver o dinheiro e Patty responde que já o tem de volta?

Podemos ver Frobisher finalmente tendo sua história terminada, por ser um homem que repete ser melhor do que era, mas que continua sendo o mesmo idiota egoísta de sempre. E o reaparecimento de Wes para resolver isso também foi perfeito: “I spoke to Ellen Parsons. She’s not looking for justice. I’d like her to have some anyway.”

E, desafio maior, deixar Lenny livre. Sim, ele pode ter aprontado de tudo, mas fez o que tinha de fazer no final, ficou com o dinheiro, pegou um avião e seguiu com sua vida. O típico cara que teria tido sucesso da maneira certa, se tivesse encontrado as pessoas certas pelo caminho.

Poderíamos considerar que as cenas do delírio de Patty dispensáveis? Acho que não, porque era preciso vê-las para entender o quanto Patty se sente destruída por dentro, como se fosse alguma verdade cósmica o fato de que pagamos por nossas decisões aqui mesmo, nessa vida e não na próxima.

E era preciso entender toda essa destruição para entender porque ela teria desistido de tudo, sobre o que Tom mentiu depois para Ellen, e porque ela fica sem reação quando vê Michael no volante do carro que a acertou. No volante do carro de Tom que estava com a Ellen.

E era preciso entender isso para entender o silêncio de Patty quando Ellen faz a pergunta crucial: valeu a pena realmente?

Com a ameaça grande de que Damages não teria uma próxima temporada podemos afirmar que os roteiristas sabiam o que faziam: se Damages não voltasse fica o encerramento perfeito, com todas as pontas amarradas. Se voltasse? Uma história completamente nova, quem sabe com Ellen voltando ao escritório e tomando o lugar de braço direito que um dia foi de Tom Shayes.

Porque foi perfeito do jeito que tinha de ser e acabou no momento exato, sem margem para tolices.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

2 Comentários


  1. O que mais gosto de Damages é a forma que a história é conduzida: desde o primeiro episódio, já sabemos como a temporada será concluída mas ficamos sem entender as razões até o último ep. E tudo é concluído de forma brilhante, coerente e sem faz de conta.
    Perfeito.

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