Boardwalk Empire – 1ª Temporada

Você pode assistir Boardwalk Empire por causa da máfia, da retratação dos anos 20 pré-depressão, dos figurinos, da Atlantic City à beira mar ainda preservada. Você ainda pode assistir por causa de um Steve Buscemi magistral, ou por causa do elenco inspirado. Você pode assistir porque, afinal, não é TV, é HBO.

Eu assisti por causa de tudo isso, mas principalmente por causa de Margareth Schroeder. A personagem de Kelly Macdonald (de quem eu lembrava por conta de Nanni Mcphee) é tão peculiar, tão cheia de nuances que, em muitas vezes, supera o Nucky de Buscemi. Na verdade eu os enxergo muito como iguais, como sobreviventes que ainda tateiam em busca de alguma segurança – e aqui eu falo da segurança da alma e não da segurança decorrente da parceria com os homens certos.

Num cenário aonde mortes aconteceram pelos mais diversos motivos, dinheiro e vingança sempre estão entre eles, a relação de Nucky e Margareth demonstra bem os conflitos internos de pessoas que não são apenas boas ou más. Sim, Nucky tentou proteger Margareth quando ela foi atacada por seu marido, e se ele pode usar essa morte para tirar a polícia de seu encalço, que mal tem?

Ambos caminham entre o certo e o errado quase que o tempo todo, um mais para o lado do mal que o outro, e acertam e erram na mesma medida. Em momento algum eu me sinto em posição de julgar os passos dos dois.

Mesmo sendo tão semelhantes, é Margareth que me fascina. Porque ela tenta fazer o que pode com o que recebe da vida, ainda tentando se manter do lado certo do caminho, tentando preservar alguma bondade – já que a inocência não cabe mais aqui.

É claro que não se resume a isso: Boardwalk tem mais personagens ricos e interessantes, como o agente federal que se apaixona por Margareth e se deixa levar pela luxúria, se martirizando sozinho, mas cometendo aquele que seria o maior dos pecados sem olhar para trás, ao assassinar seu parceiro de FBI; tem Jimmy Dermond mudando, caminhando cada vez mais para ser um assassino frio, enquanto não consegue lidar com o passado na guerra e a infelicidade.

Eu poderia continuar escrevendo e escrevendo, mas sempre deixaria de fora algum detalhe importante, alguma cena. Na verdade, a primeira temporada do seriado que fez com que a HBO voltasse a marcar uma audiência recorde, nasceu para ser obra-prima.

E não falhou em seu destino.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

2 Comentários


  1. Gostei do post, resume o que eu penso da série. Também gosto da relação Nucky-Margaret justamente pelas nuances de atitudes, da complexa dicotomia do bem X mal. No último episódio que vi, uma conversa dos dois me fez chorar quase como quando vejo Grey’s Anatomy – o que diz muito sobre a atuação dos atores e sobre a relação dos personagens…

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  2. Eu vi o primeiro episódio de Boardwalk Empire com Steve Buscemi primeira temporada e eu realmente não gosto de nada, então eu vi mais dois capítulos e parar de assistir esta série até a segunda temporada começou e eu vi o primeiro episódio. Desde então eu parei de assistir esta série. Para mim, a última melhor série que eu já vi por um longo tempo sobre os “assassinos” “gangster” ou “máfia” foi “The Sopranos” faz. uma saudação

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