Bones em Segunda-feira de Luto

Segunda-feira de luto 

A Temperance Brennan dos livros não é tão parecida com nossa heroína da telinha, mas não tem como não imaginar Emily Deschanel ao ler o livro. Você imagina os trejeitos, a maneira de falar, o sorriso, não tem como.

Em Segunda-feira de Luto Brennan divide sua vida entre as cidades de Charlotte, nos Estados Unidos, e Montreal, no Canadá. A história do livro se passa no inverno de Montreal, com direito a muita neve.

Brennan está na cidade para depor em um julgamento que, como este é o primeiro livro publicado aqui no país, mas o sétimo da série, acredito que seja o fechamento de algum caso anteriormente investigado por ela.

Ela acha que terá tempo suficiente para se preparar revendo o caso, mas acaba sendo chamada para auxiliar em uma investigação: três esqueletos encontrados no porão de uma pizzaria, dessas que vendem pizzas em pedaços.

As primeiras impressões de Brennan já são bastante significativas: três garotas mortas, provavelmente, ainda durante sua adolescência.

O universo da Brennan dos livros não tem o glamour da colega da telinha: ela trabalha com a polícia da cidade, principalmente com uma dupla de policiais formada por Claude, um elegante policial com quem ela se dá extremamente mal, e não é climinha não, eles se odeiam, e Michel, que usa ternos de poliéster nos mais estranhos tons e nas mais estranhas combinações.

Além disso, ela trabalha no necrotério da cidade, no porão do prédio municipal, juntamente com vários médicos legistas, e sem toda a parafernália e modernidade dos laboratórios do Smithsonian. Ela também não pode contar com a simpática equipe que a auxilia no seriado, quando precisa de análises além de sua área de especialidade ela tem de acabar apelando para outras pessoas, muitas vezes em centros de pesquisa fora da cidade.

Ela mora em um apartamento simpático, que ocupa nos períodos passados na cidade, no andar térreo de um desses prédios antigos com jardins centrais. O apartamento é dividido com um gato branco simpático, Birdie, sua principal companhia nas noites de neve.

Montreal

A Brennan dos livros, vejam só, também é mãe: tem uma filha, Kathy, que está na faculdade. A menina é resultado de um casamento mal sucedido com um namorado de juventude. Pela idade da filha podemos supor, ainda, que a Brennan dos livros já tenha passado dos quarenta.

Pouco, neste livro, se fala sobre seu passado, então não sei se os pais da Brennan de papel tiveram uma vida transgressora como os pais da Brennan do seriado. Mas, pelo que pude perceber, sua vida foi bem mais calma e menos traumática.

Ela também tem um namorado, Ryan, oficial da polícia de Montreal com quem mantém um relacionamento já há algum tempo. A Brennan dos livros é mais frágil, se podemos chamar assim, e mais carente, romanticamente falando, do que a do seriado.

A história é muito bem conduzida: enquanto Claude acredita que os corpos sejam de garotas mortas a muito tempo, em parte porque acha isso e pronto e em parte por terem sido encontrados broches do século passado junto aos corpos, Brennan acha que as mortes são mais recentes e, mais que isso, independente de quando, Brennan acredita que elas merecem que suas mortes sejam investigadas e, quem sabe, que uma resposta seja apresentada às suas famílias.

Ela é idealista e sensível como a Brennan do seriado. Também tem um gênio difícil, quando acredita em algo vai atrás e é teimosa como só ela, mas não á tão científica, vamos dizer assim, acredita em intuição e é melhor no trato com as pessoas.

Um misterioso telefonema, interrompido abruptamente, desperta mais ainda a curiosidade da antropóloga. Mas sem a ajuda de Claudel, ela provavelmente terá que investigar por conta própria.

Para ajudar, ou atrapalhar, uma amiga de juventude, Anne, aparece em sua casa do nada, deprimida pela recente separação após 20 anos de casamento, e resolve formar um dupla de detetives atrás de criminosos, quem sabe ela tenha assistido filmes ou seriados policiais demais.

Logo após a chegada a Anne  o apartamento de Brennan e invadido e quase que inteiramente destruído, a questão é se queriam roubar algo, assustar Brennan ou, ainda, se é um cara que Anne conheceu no avião a quem deu o endereço completo da antropóloga.

As descrições do procedimentos de análise são detalhadas, mas achei que a tradução poderia ter sido feita de maneira diferente: algumas palavras são desnecessariamente explicadas em notas de rodapé, outras palavras em francês, bastante comuns, são primeiro escritas na língua original e logo em seguida, na mesma frase, escritas em português. Esses defeitos acabam sendo um pouco irritantes.

O ritmo do livro também é muito diferente da série de tv: ele engrena incrivelmente no seu terço final, mas sobreviver ao primeiro terço é difícil, pessoas que já não gostem muito de ler terão de se esforçar para passar por aí e chegar a parte realmente boa.

O seriado e o livro tem duas coisas em comum, que são marcantes: os diálogos inteligentes e o humor, às vezes involuntário. Eu quase me matei de rir nos capítulos 15 e 16. posso contar a vocês que eles envolvem Brennan e a amiga Anne interrogando o dono do imóvel onde a pizzaria funcionava… Mas ele as recebeu nu… Ah, as sacadas de Anne em muito lembram as respostas sempre rápidas de Ângela.

A investigação de Brennan, com a ajuda de um teste de carbono 14 feito em um universidade dos Estados Unidos, finalmente consegue atrair a atenção de Claude, que se compromete a buscar informações sobre garotas desaparecidas.

Mas Brennan não é conhecido por sua paciência, e acaba tomando a frente em algumas investigações, o que pode colocá-la em perigo.

O desfecho da investigação é parcialmente surpreendente. Eu confesso que já desconfiava que algo do tipo estava acontecendo, mas, ainda assim, ela consegue amarrar a história de maneira bastante interessante.

Ah, o final do livro também tem humor… E um diálogo bem, bem interessante entre Brennan e Ryan.

Aconselho a leitura, o livro é bastante interessante. Você pode separá-lo, por exemplo, para as férias de Bones que começam em apenas três semanas… E aguentar, assim, ficar sem Bones até setembro… Ou até quando a FOX resolver estrear a nova temporada.

Para quem é fluente na lingua inglesa eu sugiro uma passada no site de Kathy, é super interessante: http://www.kathyreichs.com/.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

4 Comentários


  1. Oi, tudo bem?
    Desculpe usar o espaço de comentarios para mandar essa msg, mas não achei um e-mail.
    Bom, gostaria de saber se vc não quer trocar bottons/link com meu site (www.seriesfreaks.com.br)
    Abraços

    Responder

  2. Gostei dela, gostei muito dela! Não sou fluente em inglês, mas como posso ler devagar e reler até compreender, vou compartilhar o universo de Kathy Reichs e eriquecer o meu.

    Responder

  3. Oi Marcelo!
    Eu já coloquei seu blog na minha lista. Eu ainda não conhecia ele e confesso que me perdi um pouco ainda… Vi que tem notícias e reviews, é isso?
    Si

    Responder

  4. Oi Si!
    Sim, é isso mesmo. Eu estou refazendo o layout do site, então quando estiver pronto (ate quarta no maximo) vou ter mais espaço pra parceiros, daí vou colocar seu site tá?
    Muito obrigado!

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