Tralhas: aquilo a que a gente se apega pelos motivos errados

cai guo-qiang

Eu comecei a “destralhar” em casa já tem muito tempo, na verdade quando casei e me mudei eu fui com isso na cabeça: não ter nada que realmente não seja importante ou que não tenha utilidade.

Uma das primeiras coisas que eu fiz foi definir que eu não compraria cabides. Sim, quase onze anos atrás eu tinha o mesmo número de cabides que tenho hoje e para algo novo entrar algo velho tem de sair e nunca tive problemas com isso. Nos últimos dois anos, quando levei a coisa realmente a sério, consegui diminuir o número de gavetas ocupadas e também diminui o número de sapatos.

E eu sempre aconselho a todo mundo a fazer o mesmo: menos coisas dão menos trabalho e pesam muito menos.

Na verdade estava falando disso com amigas hoje: precisamos prestar mais atenção ao motivo de guardar algo. Muitas vezes guardamos uma roupa porque ela é de um tempo em que gostávamos mais do nosso corpo, ou um objeto que nos lembra de uma fase gostosa de nossa vida. Isso não seria errado se o que guardamos pesasse de maneira a tornar nosso presente mais infeliz.

Só que, na verdade, acaba sendo peso sem substância.

Melhor é carregar em nossa mente lembranças de momentos bons, fotos de boas viagens, um ou outro objeto realmente importante, e de preferência útil, e quando finalmente emagrecer os quilos que lhe incomodam – e porque você quer ser mais saudável ou mais feliz consigo mesma e não porque dizem por aí que essa é a única forma de ser bela – você vai adorar comprar uma roupa nova que tenha mais a ver com a pessoa que você se tornou, não é mesmo?

E pense nisso: a gente não consegue voar muito alto se estiver carregando peso demais!

P.S. Foto da exposição Cai Guo_Qiang no CCBB de Brasília, ela agora está em São Paulo e vale a visita (essa frase, aqui em Sampa, está escrita em uma faixa pendurada em frente ao prédio, da qual não consegui tirar uma foto realmente boa).

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8 comentários em “Tralhas: aquilo a que a gente se apega pelos motivos errados”

  1. Angela Mara Corrêa
    Angela Mara Corrêa 27/04/2013 em 4:01 pm

    Simone, não chego ao seus pés em matéria de desapego: ainda compro cabides, de vez em quando, até porque os modelos vão se aperfeiçoando e vou trocando. Mas também tenho verdadeiro prazer em me desfazer de coisas que já cumpriram o seu objetivo, que já viveram sua vida comigo e que já são história. Repasso tudo. Quem sabe ainda serão felizes vivendo com outra pessoa e aí é outra história.

  2. Lu Monte
    Lu Monte 29/04/2013 em 4:02 pm

    Belo post sobre um tema que amo e com uma foto de um dos meus lugares favoritos em Brasília. <3 Não tenho nada a acrescentar, só vin dizer que alegrou a tarde. 🙂

  3. Lucia Freitas
    Lucia Freitas 29/04/2013 em 4:12 pm

    ÊÊÊ
    boa, Si!!! tô aqui seguindo teus conselhos bravamente – e a vida ficou melhor…

  4. Roberta Peres
    Roberta Peres 24/05/2013 em 11:26 am

    Oi Simone, te acompanho no instagram por saber que vc é luluzinha, mas acho que nunca tinha falado com voce 🙂

    Entao, só pra dizer que adorei seu texto, que concordo em numero e grau nesse caso. E com a resposta que voce deu no grupo. Desapegar é preciso, e cada um sabe o preço a se pagar pra ficar mais leve.

    Tb venho fazendo um destralhamento geral na vida e é muito bom ver que tem mais gente pra dar força no caminho.

    Bjo.

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