Um comentário em “Mutirão de Mamografia em São Paulo”

  1. Andre Pascowitch
    Andre Pascowitch 03/04/2009 em 1:01 pm

    FALTA DE AUTO-CUIDADO E DE INFORMAÇÃO SOBRE A MAMOGRAFIA PREJUDICAM A DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA NO BRASIL

    • Pesquisa DataFolha, encomendada pela FEMAMA, reflete o desconhecimento sobre o diagnóstico precoce de uma doença que registrou 48 mil novos casos em 2008, segundo o INCA/MS;

    • No dia 29 de abril entra em vigor a lei federal 11.664/2008, que obriga a rede pública de saúde em todo o território nacional a realizar exame mamográfico gratuitamente para mulheres acima dos 40 anos.

    São Paulo, 3 de abril de 2009 – A FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – divulga hoje a sua mais recente pesquisa que identifica as atitudes relativas aos cuidados da mama e ao diagnóstico precoce da doença.

    Realizada pelo Instituto DataFolha e com consultoria da SEI – Sustentabilidade, Estratégia e Inovação -, a pesquisa entrevistou mais de 1800 mulheres de 35 a 65 anos de idade e de 17 capitais brasileiras, onde a entidade possui representação regional. “Pela primeira vez no País, estamos traçando o cenário do câncer de mama nos grandes centros urbanos. Infelizmente, os resultados são ruins. A mulher não se cuida como deveria. Apenas uma em quatro mulheres se exercita, por exemplo. Outro ponto é que até mesmo o seu próprio médico não está influenciando a decisão pela mamografia. 31% das mulheres nunca realizaram exames para detecção, principalmente aquelas que dependem do sistema público de saúde. E uma das principais razões colocadas foi por achar que ela não corre nenhum risco”, ressalta Dra. Maira Caleffi, presidente da FEMAMA.

    Auto-Cuidado e desinformação – Os resultados apresentados na pesquisa ilustram uma realidade em que não há uma preocupação profunda no combate à doença, uma vez que a mulher não tem o devido cuidado com a sua saúde. Além disso, a pesquisa demonstra a falta de conhecimento de como detectar corretamente o câncer de mama ainda em estágio inicial.

    “Os cuidados com a saúde ainda não são prioridade na agenda das brasileiras. Parece que o estereótipo da rainha do lar, que controla e resolve os problemas de todos os membros da família, mas esquece dos seus, continua arraigado. Assim, o mito de que câncer é sinônimo de morte ainda é forte. As mulheres precisam saber que hoje existem tratamentos específicos para cada tipo de câncer e que aumentam a possibilidade de cura. E mais devem saber que, se diagnosticado precocemente. as chances de cura chegam a 95%”, salienta Dra. Maira Caleffi. “E o exame correto para detectar a doença logo no início é a mamografia”, completa.
    Principais resultados – Com relação aos cuidados com a mama e diagnóstico precoce, a pesquisa constatou que:

    Sobre o diagnóstico precoce

    ? Apenas 17% já procuraram algum especialista por suspeita da doença;
    ? Entre as formas de se detecção do câncer de mama, o auto-exame é citado por 80% e a mamografia por 47%;
    ? A ultra-sonografia e o apalpar ou toque do médico são citadas por 6%, cada;
    ? Outras 14%, porém, não souberam dizer apontar nenhuma forma de se detectar o problema;
    ? 93% afirmam já ter realizado algum exame para diagnóstico de câncer de mama, sendo que:
    o 80% já realizaram auto-exame;
    o 69% já fizeram mamografia;
    o 47% já passaram por ultra-sonografia.
    ? Motivos para a realização de exame:
    o 78% para prevenir a doença e cuidar da saúde;
    o 21% citam a suspeita de sintomas ou tendência à doença;
    o 6% que mencionam a conscientização por meio de campanhas e notícias sobre o tema.
    ? Entre as que nunca realizaram um exame (7%), justifica-se:
    o A percepção de ausência de sintoma e/ou falta de indicação do médico (33%);
    o Descuido com a saúde e/ou falta de hábito e preguiça em realizar o exame (29%);
    o Dificuldade em marcar consultas e/ou exames (22%);
    ? 44% afirmam realizar a mamografia pelo menos uma vez por ano;
    ? 38% começaram a realizar exames entre os 18 e 30 anos de idade, enquanto outras 36% fizeram o primeiro entre 31 e 40 anos, e 20% depois disso (incluindo a taxa das que realizam auto-exame);
    ? Metade das últimas mamografias (51%) foi realizada no sistema público de saúde, 31% no sistema de convênio médico, e 17%, por particular;
    ? O tempo médio despendido pelas mulheres em um processo de diagnóstico do câncer de mama, considerando-se a última mamografia realizada;
    o média de 28 dias – entre a consulta e a marcação do exame;
    o média de 15 dias – entre o exame e o resultado;
    o média de 25 dias – Entre o resultado e a consulta de retorno.

    Sobre o auto-cuidado

    ? Estão com peso normal (IMC entre 18,5 e 24,9) 39% das mulheres;
    ? Entretanto, 34% encontram-se com sobrepeso, e 17%, obesas. A obesidade atinge:
    o 18% das mulheres com câncer de mama na família;,
    o 18% das que não têm filhos;
    o 26% das que nunca amamentaram;
    o 23% das que têm entre 51 e 65 anos de idade;
    o Outras 3% mostram-se abaixo do peso.
    ? Praticamente uma em cada quatro mulheres (38%) diz praticar alguma atividade física, sendo que 35% se exercitam pelo menos duas vezes por semana, e a atividade mais comum é a caminhada (30% no total da amostra).
    ? Por outro lado, são sedentárias 62%.
    ? Das mulheres com histórico de câncer de mama (entre 51 e 65 anos), 56% são sedentárias e 50% não tiveram nenhum filho;
    ? Fumam atualmente 20%, e costumam beber, 34%,
    ? Costumam ir ao médico 92%, sendo que 58% dizem visitar algum especialista pelo menos uma vez a cada seis meses;
    ? Tiveram pelo menos um filho 84%, sendo que:
    o 90% foram mães até os 30 anos,
    o média de idade da primeira gestação é de 23 anos;
    o média é de 2,8 de filhos por mulher;
    o 90% tiveram o primeiro filho até os 30 anos, e 96%, até os 35 anos;
    o 94% das que tiveram filhos amamentaram pelo menos um deles.

    Cruzamento – Os resultados encontrados na pesquisa do DataFolha reforçam hipóteses levantadas pela a pesquisa GBCAM (Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama), também divulgada neste mês e que analisou mais de 4 mil casos de tratamento com mulheres com câncer de mama tratadas em 28 hospitais públicos e privados de 14 cidades brasileiras entre os anos de 2001 e 2004. Estes resultados revelam que:

    ? 30% dos tumores ainda são diagnosticados em estágio inicial contra uma média de 12% nos EUA;
    ? Em relação ao diagnóstico da doença, por exemplo, 36% das mulheres do SUS descobrem o tumor em estágio avançado, contra 16% nos serviços privados;
    ? No sistema público de saúde as mulheres também são submetidas a mais mastectomias (retirada total das mamas), 63% contra 48%;
    ? A sobrevida livre de doença e a sobrevida global nessas instituições são diferentes, com sobrevida inferior nos hospitais públicos.

    Sobre a Femama:

    A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – FEMAMA, fundada no dia 22 de julho de 2006 no Seminário Visão de Futuro 2006-2015 na cidade de São Paulo, mobiliza 30 instituições filantrópicas e tem representantes em 16 Estados brasileiros. No seminário Visão do Futuro começou a primeira etapa do Projeto Te Toca Brasil, o qual consiste na união de diversas entidades ligadas à causa do câncer de mama para o alinhamento de objetivos que devem ser alcançados por meio de planejamento estratégico na busca por melhorias na área da saúde da mama, tais como a diminuição do índice de mortalidade pela doença, a melhoria da qualidade dos exames e das medicações, representatividade no Congresso, entre outros.

    MAIS INFORMAÇÕES:
    Ogilvy Public Relations
    André Pascowitch – andre.pascowitch@ogilvy.com
    (11) 3024-5882

Deixe seu Comentário