Doctor Who: Listen (8×04)

Confesso: depois de ouvir bastante gente falando do arrepio na nuca que veio com esse episódio eu já estava preparada para um novo Blink. Ao invés disso tivemos um episódio muito bom, mas ao invés de assustador, revelador. Ou pelo menos revelador de mais um pedacinho do papel da Garota Impossível em nosso Senhor do tempo – ainda que bastante subentendido.

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Por que subentendido? Porque acreditamos fielmente que aquele garoto do celeiro é o nosso Doctor, mas não sabemos o quanto aquele “puxão na perna” fez com que ele se tivesse coragem para roubar a Tardis. Além disso, não ficamos sabendo o que afinal estava embaixo daquela coberta vermelha.

Ou vai me dizer que você não empoleirou no sofá e levou as unhas a boca quando todos nós não devemos olhar para trás e o que quer que estivesse lá tivesse certeza de que não o faríamos?

Do outro lado, ele tem o mesmo defeito do episódio anterior: Clara demais.

Se a saída da personagem é realmente uma certeza, entendo que precisem criar um motivador para isso e não acredito em algo tão bom como a saída de Rose ou Donna por exemplo. E o fato de Clara continuar a viver sua vida enquanto passeia com o Doctor por aí faz com ela escolher isso seja uma opção sem força.

Então acho que Danny Pink será esse motivador, apesar do primeiro encontro horrível que tiveram, que não melhorou nada com a garota usando o nome verdadeiro dele, descoberto apenas por conta da viagem no tempo que nos levou ao tal momento do “ser” na coberta vermelha.

Temos então: um começo amalucado, que tem se repetido com esse novo Doctor, Clara vivendo sua vida normal engatando um romance e essas duas realidades colidindo na necessidade do Doctor de entender aquilo que dorme sob nossa cama e nunca vimos.

Não por acaso a aventura é vivida então na linha de vida do Danny e não de Clara – até porque a Tardis sempre teve essa coisa de ir aonde quer e não aonde querem que ela vá toda vez que não é o Doctor ao “volante” – nesta fase vivendo em um orfanato, cenário ideal para o suspense (e aí lembrei de The Empty Child).

Ali ele não é Danny, mas Rupert, e ele tem medo da criatura embaixo da cama tanto quanto de muitas outras coisas. E é somente quando o Doctor fala que o medo é um superpoder é que ele encontra algum conforto. Nisso e no soldadinho de chumbo que passa a ser seu protetor – e uma das melhores cenas da Clara ao espalhar os soldadinhos embaixo da cama.

O mesmo soldadinho que estará nas mãos de Orson, um bisneto/tataraneto de Danny que viaja pelo tempo e que serve para nos insinuar que, apesar do péssimo primeiro encontro, ele e Clara tem uma vida futura juntos – e daí minha impressão de que estão encontrando um caminho para Clara deixar de ser a acompanhante da vez.

Orson está no final dos tempos, mas não em Utopia, e tem medo do que estará fora de sua nave num planeta que parece inabitado. Lá temos de novo a questão do “alguém” que viveria no silêncio e que nunca vemos, mas dessa vez não temos o ser escondido nas cobertas. Dessa vez eu acredito mais no medo tomando conta do homem preso sozinho naquele local que na existência de “algo”.

Do final dos tempos para o início de tudo. É isso que nos parece quando o roteiro retorna para o tal celeiro e para aquele que viria a ser o Doctor. Ele ali já tem medo do escuro, que ao que parece foi mantido, e do que ele não vê. Mas o medo do que vive embaixo da cama surge porque ali se esconde Clara que, num impulso bobo, coisa que ela faz bastante, segura em sua perna.

Temos um momento de conforto, quando ela tenta acalmar o garoto e pede que ele volte a dormir. Se ela é especialista em agir sem pensar, ao que parece seu maior mérito é saber falar com crianças. Ela o faz com Danny no quarto e depois com o menino do celeiro. E na verdade o faz sempre, já que o Doctor é uma eterna criança.

Enquanto ela fala temos cenas lindas, revemos o nosso Doctor que pode mudar o destino no especial de 50 anos, revemos mentalmente os momentos que ele precisou de coragem e gentileza.

Resta a pergunta de onde está o pequeno soldado que ela lá deixou e se um dia o Doctor saberá que foi ela embaixo de sua cama.

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P.S. O Doctor procurando pelo Wally em qualquer livro: amei e ri alto

P.S. do P.S. O momento abraço foi lindo até pela resistência do Doctor em recebê-lo e mesmo eu gostando cada vez menos da Clara. Algumas vezes me pego pensando se minha irritação com a personagem vem do fato dela ser irritante ou da importância que tentam dar a ela e que eu acredito apenas Rose e River serem  merecedoras.

P.S. do P.S. do P.S. Assim como no episódio passado, é difícil concluir se este é um grande episódio ou não. Na verdade ele tem grandes momentos, mas falta algo ligando esses momentos de maneira a torná-los uma grande história.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

2 Comentários


  1. Sim, sim, sim, CLARA DEMAIS. Não consegui gostar do episódio, não aguento mais essa insistência em querer fazer a Clara ser importante. Toamra que ela saia logo, mas olha, o estrago já está feito, deram a ela muita coisa, muito destaque na timeline do Doctor, bem mais do que ela merecia.

    Sdds River. 🙁

    A cena do celeiro foi linda mesmo.

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