Falando Sobre Comédia – Ou: Eu, na contramão

Séries de Comédia

Alguma vez você já sentiu um alien? É, um extra-terrestre, assim perdido por aqui??

Eu me sinto assim quando o assunto são os seriados de comédia atuais. Acabo gostando daquilo que a maioria não gosta, quando não odeia simplesmente, e não vendo a mínima graça naqueles que são os queridinhos da hora, aqueles que estão na moda.

Eu sou adepta das autênticas “sitcoms”, as dignas do nome: comédias de situação. Aquelas que pegam as situações mais normais, mais cotidianas e transformam em algo digno de risada.

Logo que meu pai assinou a tv a cabo (bons tempos aqueles em que ele pagava também a conta) eu corri atrás de assistir aquilo de que todos falavam e adoravam: Friends. Não me arrependi: adorei desde o primeiro instante e aguentava acordada até de madrugada para recuperar o tempo perdido e assistir os episódios antigos. Comprei até uns guias de episódios, era pré-internet, em que eu anotava o que já tinha assistido e o quanto tinha gostado de cada episódio.

Depois de Friends foi a vez de conhecer e me apaixonar por Mad About You, que até hoje eu considero uma das coisas mais inteligentes produzidas para a televisão. A comédia acompanhou o relacionamento de Paul e Jamie Buchman do momento em que mudaram para o mesmo apartamento até o nascimento da primeira, e única, filha. Os episódios finais, mostrando MABEL já adulta fazendo seu primeiro filme… Contando que, se era louca, a culpa estava bem definida.

Acho que foi o primeiro seriado de comédia, de apenas 30 minutos, a dar real importância a montagem de diálogos, sempre memorávei. Durou sete anos e, infelizmente, o único box lançado no Brasil só tem alguns episódios, escolhidos pelo elenco como os melhores. Eu queria todos, assim, um DVD depois do outro na minha estante.

O momento que ficou mais marcado para mim foi quando, depois de anos acompanhando o seriado e recém casada, tive a oportunidade de assistir ao primeiro episódio, que nunca tinha visto: ele começa com Jamie tapando o nariz de Paul no meio da noite na tentativa de fazê-lo parar de roncar. A questão é: eu tinha feito isso com meu marido poucos dias antes.

Mad About You

Ah, e o seriado não valia só por Paul e Jamie, todo seu universo era sensacional, a mãe neurótica de Paul, inimiga número um de Jamie, o primo solteirão, a irmão maluca de Jamie, o cachorro (Murray)… E o “passeador” do cachorro, ninguém menos que Hank Azaria.

Outra comédia com lugar cativo no coração e na estante veio do outro lado do oceano e foi descoberta por acaso: Coupling. Alguns comparam Coupling a Friends, mas eu os considero incomparáveis. Apesar de ambos falarem de um grupo de seis amigos o tipo de humor é diferente.

Coupling é um seriado adulto, que não tem medo de chocar ao fazer brincadeiras que incluam sexo na conversa. Os diálogos são ótimos e a situação acaba sendo mais próxima da realidade: todos trabalham, vivem vidas relativamente simples (com exceção de Patrick que faz justamente o rico mimado), mas bastante complicadas. Eu diria: se você não assistiu Coupling não sabe ainda o que é uma boa comédia. Imagino que ainda passe no Eurochannel, quem tem não pode perder. E quem gosta de mim pode me dar o box das quatro temporadas, mesmo sem legendas, já decorei mesmo.

Coupling

Das comédias atualmente no ar eu acompanho Two And a Half Men, em que John Cryer dá um banho em Charlie Sheen, mas o melhor mesmo é ter os dois juntos, e The New Adventures Of Old Christine, que teve uma primeira temporada brilhante e garantiu um Emmy para Julia Dreyfuss, mas que esteve fraco em sua segunda temporada. A primeira mostra um solteirão rico que acaba tendo que receber em sua casa o irmão pobre e divorciado e o sobrinho entrando na adolescência. A segunda mostra Christine tendo que reaprender a namorar e organizar sua vida depois do divórcio.

Desperate Housewives é outra que acompanho religiosamente, mas não consigo coloca-la na mesma categoria que as outras, então acho até um pouco aceitável ela não ser indicada como melhor série comédia pelo Emmy. Ela é mais que isso, assim como Boston Legal. Digo mais: esse tipo de seriado, que mistura comédia e drama em doses muito equilibradas, tem ganho tanto espaço que talvez mereça uma categoria própria.

Das que eu vejo quando dá temos Scrubs, que não está tendo seu melhor ano, mostrando o dia a dia de um hospital de uma maneira totalmente absurda, Everybody Loves Raymond, que tem uma dupla principal muito boa e também consegue ter sacadas boas sobre conflitos de família, apesar da idéia ser velha, e According To Jim, recém ressucitado pela ABC, que mostra o extremo do machão americano, o que acaba gerando situações das mais embaraçosas.

Não consigo esquecer um episódio em que Jim fala com a esposa dizendo que mulheres são incapazes de decorar certas coisas, o que ela se recusa a aceitar, e depois ela é confrontada com a realidade quando não consegue se lembrar das instruções de como abrir a nova porta da garagem. Machista, mas hilário.

Ainda do modelo antigo sobram The King of Queens, que eu absolutamente não consigo entender como dura tanto, não vejo graça nem gosto dos protagonistas, e ‘Til Death, que tem pouquíssimos fãs, quase foi cancelada, mas sobrevive aos trancos e barrancos. Eu gosto, não vou dizer que adoro, mas não acho tão ruim como pintam. O episódio da semana passada, o último da primeira temporada, foi hilário do começo ao fim.

Aí partimos para a nova safra, os seriados de comédia que não seguem a velha fórmula: 30 Rock, The Office, Arrested Development

E aí eu vou contra a corrente: enquanto todo mundo elogia e acha demais eu não consigo passar mais de 5 minutos assistindo. Tá, The Office tem Steve Carrell, e o cara é o cara, assim como Alec Baldwin, de 30 Rock, nos conquista sem esforço, até porque é canastrão no último e faz o papel de si mesmo, mas não acho que eles consigam salvar o resto. Não adianta, não gosto do ritmo, não gosto das piadas… Acabo achando tudo forçado, tudo falso…

É, devo ser um Alien mesmo!

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

9 Comentários


  1. É, eu vou a favor da maré. Arrested eu acho a melhor comédia de todos os tempos. 30 Rock foi uma das melhores do ano, The Office tem seus momentos e conta com um elenco sensacional.
    Das sitcoms só acompanho Christine, que pra mim melhorou bastante nessa temporada. Só o final que foi fraco.
    Já viu How I Met Your Mother?

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  2. Nunca vi Coupling, já ouvi falar muito bem, você mesmo vive falando dela. Um dia quero ver. Eu adoro Friends, adorava muito Mad About You (viu House de quinta passada?). Mas eu, como o Felipe, acho Arrested a melhor comédia já feita, 30 Rock uma das melhores estréias e séries da temporada. Gosto mais que ele de Office, que é provavelmente a melhor comédia atual.
    Das sitcons tradicionais, acho The King Of Queens de longe a melhor (caramba, to discordando muito, hehehe). 2 and a Half Men acho bem meia boca, Christine idem. Til Death a pior disparado. E o resto é resto.
    Adorei muito o texto. E já viu Married With Children?

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  3. Oba, não sou a única que não gosta de The Office!
    Acho muito chato e nunca dei meia risada assistindo aquilo…
    Simone, corre e assiste HIMYM! Você vai amar!
    Beijo

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  4. Nunca assisti The Office (herege), amo 30 Rock de paixão e acho Arrested hilária. Mas melhor comédia de todos os tempos pra min é Will and Grace, e nem a tudo de bom Mad About You a supera no meu coração.

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  5. Estou louca para ver HIMYM!
    Ainda não baixei, mas com o fim das temporadas dos seriados que eu tava acompanhando na tv vou ficar com a vida mais fácil e esse é o segundo da lista, depois de Boston Legal, que me recuso a assistir dublado!
    Ah, Anderson: não gosto de Married With Children, mas assisti vários pela Sony e adoro o cara que fazia o Al Bundy, acho ele um excelente ator.
    Si

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  6. Já eu nem gosto tanto de séries de comédia. Acho que atualmente só assisto Weeds(que nem é sóóó comédia) e The Office. The Office é assim, eu odiei a primeira temporada, mas achei o seriado tão esquisito que continuei assistindo. E aí na segunda temporada eu gamei! Mas até hoje não entendo como estourou tanto…

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  7. Eu gosto de The King of Queens, According to Jim, Everybody Loves Raymond e Everybody Hates Chris mas não são séries imperdíveis. Assisto quando dá, mas gosto delas…
    ‘Til Death é legalzinha, mas é muuuuito fraca.
    Arrested Development não achei essa coca-cola toda, e The Office e My name Is Earl também são legais, mas nem tão geniais assim. Acho que acabam se enquadrando nas mesmas categorias que as sitcons que eu citei anteriormente. Old Christine também fica nessa mesma situação.
    As únicas comédias que eu gosto mesmo é 2 and a Half Men, 30 Rock e é claro Desperate Housewives.
    Também gostava muito de Will & Grace, The Nanny e Friends.
    Mas é uma pena que a sitcom que eu mais gostei (com a exceção de Friends) seja tão obscura: a querida, Cybill. Se a Sony ainda reprisasse… =(

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  8. Nossa Marco, essa você desencavou mesmo esse!! Também adorava Cybill! Tinha aquela atriz sensacional que fazia escada para ela… Tudo de bom!
    beijos
    Si

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