Rapidinhas de Sampa: sujeira e acessibilidade

Eu sou a primeira a apontar a responsabilidade que as pessoas têm com relação aos alagamentos na cidade de São Paulo: na hora de atirar papel pela janela do carro de luxo nem pensam duas vezes, na hora de reclamar do alagamento dispõem de todas as pedras que podem atirar.

Sou uma das primeiras a ficar irritada quando culpam o tal “governo-entidade-independente-de-mim-com-a-qual-não-tenho-relação” por tudo que dá errado.

Mas também sou a primeira a puxar a orelha quando a tal entidade faz das suas: há 15 dias, quando estávamos no período de chuvas fortes e os problemas com a queda de árvores eram constantes, a Prefeitura de São Paulo optou por cortar galhos de uma árvore localizada na Alameda Santos – no pedaço compreendido entre Leôncio de Carvalho e Rafael de Barros.

O problema é o seguinte: nesses 15 dias nem sombra de um carro da Prefeitura retirar o entulho gerado pelo corte. Além de ocupar vagas de estacionamento Zona Azul, até a semana passada, o entulho ficava na calçada, impedindo o tráfego de pedestres, que precisavam atravessar a rua em um ponto sem faixa para prosseguirem seu caminho. Quem tirou de cima da calçada? O pessoal do prédio em frente.

E, mais que isso: alguém já pensou na chuva mais forte levando tudo isso aí da foto de cima para os bueiros?

Bom, liguei na CET, que falou que a questão é com a Prefeitura. Sem encontrar o canal adequado, enviei um email através do canal Fale Conosco no site. Vamos ver se adianta alguma coisa.

Se a iniciativa da Prefeitura não anda 100% não posso falar o mesmo do que testemunhei no Shopping Villa Lobos: depois de iniciar a instalação de sensores que permitem que você veja, ainda fora de uma fila de vagas, se existem vagas disponíveis ou não para estacionar – o sensor ficar verde na ausência de um carro na vaga, vermelha quando com carro e é vista de longe, como você pode ver aqui – o Shopping iniciou uma campanha de educação do que é Acessibilidade.

A gente sabe, e eles mais que a gente, que muita gente não respeita as vagas destinadas a deficientes físicos e idosos.

Já que muitas vezes não é possível abordar quem faz algo errado o Shopping passou a colocar nos carros parados nestas vagas, e que não apresentam selo de identificação, folhetos explicativos: o primeiro ensina como a pessoa pode obter o selo e o que ele garante, caso a pessoa seja desinformada. Se a pessoa é mal educada, bem, o segundo folheto explica porque a vaga é reservada e a importância de se respeitar a lei. Achei uma medida simples, mas inteligente – quem sabe a pessoa se sinta pelo menos envergonhada e passe a fazer o certo.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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