Man-su tem a vida perfeita. Chegando a meia-idade, conquistou uma família adorável, uma esposa amorosa e uma carreira estável de décadas na mesma fábrica de papel. Uma vida tão plena, que permite a ele afirmar com conviccão: “Tenho tudo o que preciso”. E então, em uma súbita série de cortes na fábrica, ele é demitido. Na via crucis de tentar voltar a se inserir no mercado de trabalho e diante de uma perspectiva sombria para seu futuro financeiro e de sua famíla, Man-Su toma uma decisão drástica: “Se não existe uma vaga para mim, vou ter que criá-la. Eu não tenho outra saída”.
Em uma escalada vertiginosa de acontecimentos tanto dramáticos quanto involutariamente hilários, o diretor Park Chan-wook nos traz A Única Saída, thriller vencedor do BAFTA e com uma ótima caminhada na temporada de premiações, sendo considerado um potencial concorrente do nosso O Agente Secreto na categoria Filme Internacional no Oscar desse ano.
Em que se leve em conta os méritos do diretor para esse feito, conhecido por obras irretocáveis como Old Boy e A Criada, é preciso destacar também a atuação de Lee Byung-hun. Conhecido no Brasil como o vilão da série Round 6, em A Única Saída Byung-hun entrega um protagonista carismático e imprevisível, que conduz com mão firme os eventos delirantes da trama.
Ao falar de encruzilhadas em que a vida nos coloca, e os caminhos nada ortodoxos que podemos seguir para tentar sair delas, A Única Saída se consagra como uma obra-prima pelo humor sombrio com que envelopa a crítica social que carrega. Mesmerizados pelo dinamismo e acidez do longa, chegamos a pensar que só existe mesmo uma única saída para os problemas que o capitalismo nos dá. Será? De qualquer forma, é um excelente motivo para ir ao cinema e considerar. Com moderação, é claro.
Com direção de Park Chan-wook, que divide os créditos de roteiro com Lee Kyoung-mi e Jahye Lee, A Única Saída tem distribuição Mubi e Mares Filmes e chega aos cinemas brasileiros em 22 de janeiro.