Cinema: Green Book – O Guia

Uma comédia que emociona, um drama que faz rir. Fluindo graciosamente entre dois gêneros tão opostos, Green Book – O Guia chega aos cinemas para mostrar ao público que é possível falar de temas difíceis com leveza e doçura. E que é possível rir da vida, sem com isso deixar de perceber o quão difícil ela pode ser.

Vencedora do Festival de Toronto e de três Globos de Ouro, a produção norte-americana chegou como azarona e promete fazer bonito no Oscar 2019, segundo predições. Também, pudera. Com uma dupla afiada no elenco, o indicado ao Oscar Viggo Mortensen e o vencedor do Oscar Mahershala Ali, Green Book – O Guia alia atuações encantadoras com uma história marcante, baseada em fatos reais, e uma fotografia de tirar o fôlego.

O filme traz a jornada de Tony Lip (Mortensen), um segurança ítalo-americano bronco, mas de bom coração, que é contratado como motorista de Dr. Don Shirley (Ali), um famoso pianista negro. Em pleno anos 60, cruzando o país juntos durante a turnê do artista pelo sul dos Estados Unidos, eles devem seguir “O Guia”, um catálogo que indicava os poucos lugares onde negros podiam entrar, na época.

E é durante essa viagem que os dois, a princípio desconfiados, depois deixando a amizade crescer, vão encarando juntos o racismo velado – ou abertamente demonstrado – da sociedade na época.

Green Book – O Guia consegue, como poucos, falar de racismo de uma maneira que faz pensar pela empatia. Don Shirley, o pianista negro, vive o dilema de tocar para os ricos brancos e não ser aceito por eles. Do mesmo modo, é visto pelos negros como um “vendido” e não se encaixa ali também. Qual é, então, o seu lugar?

Vindo de uma outra realidade, temos seu motorista, Tony Lip. Italiano clichê, falador e valentão, ele mesmo racista, sem dar por isso, precisa rever seus conceitos ao se ver convivendo com um negro mais rico, culto e bem-sucedido que ele. Assim, as interações entre Tony e Don acabam gerando as passagens mais engraçadas e tocantes do filme. Sem mencionar o peso da trama em si, é pela troca entre Viggo e Ali que o filme cativa – são dois atores incríveis em uma aula de bom humor, intensidade e carisma.

E se parece estranho um filme sobre racismo trazer essa leveza inesperada de comédia, vale apontar que a direção de Green Book – O Guia ficou por conta de Peter Farrelly, conhecido por títulos como Quem Vai Ficar com Mary? e Débi & Lóide. O filme é o primeiro drama do diretor, depois de 25 anos dirigindo comédias, e é notável a sua habilidade na direção deste, vencendo pelo carisma e mostrando as risadas que podemos encontrar em meio às lágrimas.

Emocionando e trazendo um ar leve para em um tema tão pesado, Green Book – O Guia é daqueles filmes que cativam um lugar em nosso coração de maneira imediata. Vale demais o ingresso.

Além de Viggo Mortensen e Mahershala Ali, o longa ainda traz em seu elenco Linda Cardellini e P. J. Byrne. Assinando direção e roteiro temos Peter Farrely. A produção fica por conta da Participant Media, DreamWorks Pictures e Wessler Entertainment. Com distribuição brasileira Diamond Films, Green Book – O Guia chega aos cinemas brasileiros dia 24 de janeiro.

Escrito por Tati Lopatiuk

Tati Lopatiuk é redatora e escritora em São Paulo. Gosta de romances em seriados, filmes, livros e na vida. Suas séries favoritas são Gossip Girl e Breaking Bad. Pois é.

Seus livros estão na Amazon e seus textos estão no Medium.

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