Cinema: Colette

Sidonie-Gabrielle Colette (Keira Knightley) era apenas uma jovem moça do interior da França quando conheceu Willy (Dominic West), um maduro homem cosmopolita, escritor conhecido e um famoso crítico de teatro e dança. Por motivos não imagináveis para o pai da moça, e por boa parte do público, os dois se apaixonam.

Em Paris ela será apresentada só mundo artístico da cidade, conhecerá diferentes tipos de pessoas e se tornará uma das escritoras mais famosas da história, além de um dos melhores exemplos para a expressão “uma mulher à frente de seu tempo”.

Colette, dirigido por Wash Westmoreland (Para Sempre Alice), que estreou nos cinemas brasileiros ontem com distribuição Diamond Films, conta essa excêntrica história de amor que acabou após a frustração da escritora em ver seus livros se tornarem sucesso como se tivessem sido escritos por seu marido.

Willy, na verdade, já estava bastante acostumado e assinar textos que não eram de sua autoria, e, quebrado financeiramente, viu uma oportunidade de fazer dinheiro quando Colette colocou no papel suas histórias de infância e adolescente no romance Claudine – que daria origem a uma série de livros e vários produtos licenciados em tempo em que isso era algo raro.

A autora possuía adoração pelo marido, mas, após optar pela verdade ao invés da fidelidade, encontrou no relacionamento com mulheres uma satisfação que desconhecia – e também mais material para suas obras literárias.

Se você pensou em Garota Dinamarquesa ou Grandes Olhos, você não errou: como o primeiro, Colette também traz a história de alguém que chocou as pessoas de seu tempo por seu comportamento diferente. Já, com o segundo, ele compartilha o fato de trazer a história de uma mulher que se submeteu a ver sua obra apresentada como de um homem por não haver espaço para a produção feminina. Ainda, os maridos dos dois filmes são péssimos exemplares do sexo masculino.

Uma pena que ele também não tenha o mesmo brilho destas duas obras: a Colette de Keira não nos empolga, mesmo quando se descobre apaixonada por uma mulher, e a produção, em contraposição ao espírito da personagem, é toda “quadradinha”.

Fiquei à procura dessa jornada de descoberta de Colette de quem ela realmente era, do grande amor, fosse pela escrita, fosse pelo marido ou pela mulher com quem dividia a cama. Nem mesmo o choque da sociedade com uma mulher que vestia terno e gravata, escreve livros eróticos e abandona o marido em pleno século 19 é realmente chocante.

Ainda que interessante, como só poderia ser com uma história de base como essa, o filme não encontra o seu caminho: não nos emociona como uma história pessoal de superação, não é a história de uma feminista lutando contra a sociedade, não é uma amostra de como a fluidez sexual não é um assunto novo.

Se torna um filme divertido, com especial apelo para os fãs de literatura e principalmente da autora, mas esquecível a longo prazo.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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