Giorgio no Brasil para a estreia da nova temporada de Alienígenas do Passado

Na fila em frente a casa de eventos na Vila Olímpia, bairro de São Paulo, em um sábado a tarde poderiam ser vistos um Super Homem, uma alienígena reptiliana e uma Hermione Granger. Vários rapazes e garotas com camisetas estampadas com os mais diversos tipos de extraterrestres, filmes e séries de televisão de ficção científica. Algumas garotas de salto alto, aqui e ali homens de blazer.

A platéia tão heterogênea esperava para ver e ouvir Giorgio Tsoukalos, apresentador do programa Alienígenas do Passado, cuja 10ª temporada estreia nesta quarta, dia 30 de agosto, no History Channel, depois dos ingressos para o evento terem se esgotado em apenas duas horas – o mais próximo disso havia acontecido no México, onde se esgotaram em vinte horas.

E após mais de duas horas de espera e da exibição do primeiro episódio da temporada, foi com muito entusiasmo que receberam seu ídolo – isso, é claro, depois de fazerem selfies com extraterrestres e disputarem camisetas em um quizz que, confesso, eu não sabia metade das respostas. É indiscutível que Giorgio tem superfãs, mas não chega a ser surpreendente: o fascínio pelas questões levantadas pelo programa é comum a quase todos os seres humanos, não é verdade?

Questões, é desta forma que Giorgio definiu o que apresenta em seu programa em meu bate-papo com ele na quinta passada em um hotel da cidade. Segundo o apresentador ele não quer que as pessoas entendam o que ele apresenta como definitivo, como um ponto final, ele está levantando possibilidades, explicações, e algumas delas demorarão muito tempo ainda a serem confirmadas.

Tanto que defende que as pessoas que não concordam com seus pontos de vista também assistam a seu programa e deixem de lado o “Giorgio do Meme”, que teria verdades absolutas e frases que ele nunca disse. A ideia do programa sempre foi explorar perguntas como “de onde viemos?”, “por que estamos aqui?” e, principalmente, “para onde vamos?”. Giorgio diz, ainda, que acredita que estamos passando por um momento de renascimento: “Essas são perguntas fantásticas e é maravilhoso ver mais pessoas acordando para essas ideias, pois estamos todos juntos nesse planeta. Somos todos seres humanos, não importa de que país você vem ou qual é a sua raça. Somos os mesmos, mas parece que muitos esqueceram disso. É triste, mas penso que uma mudança de paradigmas está acontecendo. Creio que é por isso que vemos tanta violência e loucura hoje, pois estamos próximos de um renascimento. Nascimentos são maravilhosos, mas são dolorosos.”

A fascinação do suíço de ascendência grega pelo assunto começou cedo: primeiro sua avó lia entre as histórias de dormir o livro Edgar Cayce on Atlantis como história de ninar, depois, no começo da adolescência descobriu Eram os Deuses Astronautas de Erich von Däniken – com quem trabalha até hoje, a despeito da resistência de Gene Phillips, que ele veio a substituir no American Ancient Astronaut Society quando este se aposentou em 1998. Hoje Giorgio é o nome mais conhecido no movimento que acredita que os extraterrestres estão entre nós, tendo tido fundamental participação em obras como as pirâmides.

Giorgio acredita que hoje as pessoas estão mais abertas, mas que a forma como o programa apresenta suas questões seja importante para o sucesso deste: “Em primeiro lugar porque é bonito e bem feito e, segundo, porque é possível viajar o mundo sem se mover um centímetro. No final das contas, se algo foi proveitoso, o objetivo foi cumprido. Muitas das coisas que mostramos na série mudaram a cabeça de várias pessoas, mesmo que elas não concordem com tudo. Tenho exemplos de pessoas que há dois anos começaram a assistir ao show achando que era loucura e agora concordam com muitas coisas. No fim das contas, não posso forçar ninguém a comprar essa ideia, cada um decide se está pronto ou não a abraçar essa forma de pensar.”

Ele, no entanto, não guarda o sucesso para si, explicando que Kevin Burns é o responsável por transformar horas e mais horas de gravação em algo tão interessante.

Ao ser questionado que, em suas andanças por todo o mundo, seria a maior evidência de suas teorias, Giorgio aponta para nossa América do Sul: “Eu mandaria todos para a Bolívia, próximo ao Lago Titicaca, no altiplano dos Andes, para o sítio arqueológico Tiwanaku, que é fantástico. A apenas 300 metros dele existe um outro bem pequeno chamado Pumapunku. Nele tudo que você acredita é virado de cabeça para baixo. A maioria das pedras é de dois tipos: arenito vermelho e andesito cinza. No caso do arenito existe a questão de como foram transportadas, já no caso do andesito, como foram cortadas. Existem blocos de arenito vermelho que são como plataformas, imensas, pesando mais de 7 toneladas. Quando você pergunta aos arqueólogos como foram transportados a resposta é simples: rolagem por madeira. O problema é que Pumapunku está a uma altitude de mais de 3.900 metros, acima da linha em que as árvores crescem. De onde, então, vieram os troncos? Ninguém sabe como teriam sido transportados até lá. Já o andesito cinza é uma rocha ígnea vulcânica muito dura. Os arqueólogos dizem que foram cortadas com as ferramentas encontradas no local, de cobre e ferro e ossos de galinhas… Me desculpe, mas é impossível cortar algo com um material mais macio do que ele é. Um bloco famoso de Pumapunku possui um sulco perfeito com buracos perfurados a cada 2 ou 3 centímetros. Cada buraco tem exatamente 4 centímetros de profundidade e se você correr o seu dedo na linha do sulco com um pouco de pressão se cortará de tão afiado que ele é. Diga-me se é possível fazer isso com ossos de galinha? Só se for uma “galinha exterminadora” feita de liga de titânio! Finalmente, as tradições orais da população nativa, os Aimarás, diz que as obras foram feitas por gigantes e, em alguns casos, pelos deuses. Entendemos que os deuses, na verdade, são apenas a interpretação para seres que detinham tecnologia e conhecimento, viajantes do espaço. Em algum momento no futuro nós seremos os antigos astronautas em outro planeta; não amanhã, mas quem sabe daqui a 500 anos.”

Em meio a tantas questões sérias não resisti e perguntei sobre a ficção científica, filmes e séries de televisão que Giorgio gosta e a resposta foi irretocável: “A minha franquia de filmes favorita é Star Wars, sem dúvida. Já no caso das séries, eu diria Star Trek, tanto a original quanto Star Trek: The Next Generation. Mas hoje são tantas as produções que abordam a temática extraterrestre! Como eu disse, neste momento vivemos uma mudança de paradigmas, tudo é parte da revelação. As pessoas sempre perguntam quando ela vai acontecer, quando os governos dirão que os extraterrestres estão aqui. Eu acho que isso não acontecerá, pode ser que aconteça, mas eu duvido. A revelação não é um evento único, mas um processo ao longo do tempo, no qual o planeta é preparado para a chegada deles. A revelação pública, claro, porque penso que já estão aqui. Nós ou as pessoas que assistem Alienígenas do Passado ficariam felizes com uma revelação, mas a verdade é que a maior parte da humanidade ficaria aterrorizada, em pânico, e por isso é tão importante falar sobre essas coisas. Erich von Däniken se refere a isso como “o choque dos deuses” e precisamos evitar esse choque a todo o custo. Somos uma minoria no caso dessas ideias e por isso fico feliz por poder espalhar esse conhecimento para os que não sabem sobre isso. Eu acho mais excitante saber que não estamos sozinhos no Universo do que ao contrário. “

Continuando a falar sobre a ficção, Giorgio fez um palpite no mínimo interessante: teria Spielberg tido contato com extraterrestres? O apresentador acredita que sim e que a forma como o diretor de cinema abordou o assunto em filmes como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T. – O Extraterrestre, o quarto Indiana Jones e a série Taken (eita série boa!!!).

“Ele diz que não, mas eu não acredito. Entendo que ele diga que não tenha tido experiências com extraterrestres, pois o taxariam de louco e é compreensível, mas tenho certeza que quando ele tiver 102 anos irá admitir!… Algo deve ter acontecido com ele e foi positivo, caso contrário ele não abordaria o tema da forma como o fez.”

Giorgio é um fã especialmente de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal: “Esse é 100% um filme sobre os Antigos Astronautas! Foi tão belamente abordado que o tesouro que os extraterrestres nos deu não era material, mas o conhecimento. E Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal foi o ponto de partida de Alienígenas do Passado: antes que a série começasse a ser produzida fui chamado para uma entrevista junto com a Prometheus Entertainment, pois a Lucasfilm encomendou um documentário de duas horas sobre a realidade de Indiana Jones. Você pode assistir, se chama Indiana Jones and the Ultimate Quest e saiu em 2008, no dia 8 de maio. As três primeiras partes das duas horas do programa são sobre a Arca da Aliança, as Pedras de Shankara e o Cálice Sagrado, mas na última, durante aproximados 8 minutos, falamos sobre as Caveiras de Cristal. E eu fui o cara chamado para falar sobre a possibilidade de elas terem alguma ligação com extraterrestres. A Lucasfilm é muito fechada em relação aos scripts e informações e a Prometheus chegou a solicitar um script para sabermos o que falar sobre o novo filme, mas ele foi negado e recebemos apenas o poster. Fomos um dos primeiros a vê-lo e no momento em que Kevin Burns bateu o olho nele sabia que estava relacionado com Eram os Deuses Astronautas? porque a Caveira de Cristal mostrada não era como a que conhecemos, mas ovalada e alongada. No final, ele estava certo. Meses depois ele me ligou e contou que uma das razões pelas quais entrou para o ramo de produções televisivas é que quando foi para a escola, entre o final dos anos 1960 e início dos 70, um dos primeiros documentários que viu e gostou foi a versão em filme do livro. Isso inspirou Kevin a se tornar um diretor e produtor. Então ele me perguntou se, já que estávamos comemorando os 40 anos do livro, eu estaria interessado em escrever ou filmar uma homenagem e ver o que acontecia quatro décadas depois. Foi assim que tudo começou.”

Bom, claro que nada disso chega perto de esgotar o assunto, Giorgio falou um pouco mais sobre tudo isso e também sobre outras histórias, inclusive de oportunidades aqui no Brasil para estudos futuros, em sua apresentação para o público realizada neste sábado. Para quem quiser assistir tem aqui o link para o vídeo da transmissão realizada ao vivo pelo canal (não sei até quando fica disponível).

E, claro, não esqueça de ligar no History Channel na próxima quarta, dia 30 de agosto, às 22h40, para assistir à nova temporada da série.

P.S. Quem acompanha meu Instagram e a Fanpage do blog pode ver os meus registros do evento, se não viu, dá uma olhadinha, foi uma semana incrível!!!

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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