The Good Wife: Landing e Party (7×19 e 7×20)

Preparados para o fim? Eu confesso que esta temporada de The Good Wife passou tão rápido – talvez pela exibição dupla – que eu nem vi chegando e agora só temos mais dois episódios para encerrar, esperamos nós de forma satisfatória, a história de Alicia. Hoje comentava sobre a série com minha terapeuta e ao ouvir que a série teve sete anos ela me olhou com uma cara de quem não entende como eu posso me comprometer com um programa de TV por tanto tempo.

A grande verdade é que os personagens de que tanto gostamos se tornam parte de nossa vida e depois de torcer tanto para que eles tomem as melhores decisões, a partida fica difícil mesmo, a gente até chora.

Landing perde na comparação com Party e seu principal defeito está em dividir forças: com Alicia e Lucca em solo canadense defendendo um cliente, são muitas as interrupções no andamento da história para que Alicia possa ser inteirada do que acontece em casa – além do fato da impressão que a série passa de que elas apenas estavam usando um tipo de ponte aérea e as cidades eram perto uma da outra.

Considerando que ela resolveu, de novo, interpretar o papel de esposa “na saúde e na doença”, eu não esperava que ela viajasse, mas talvez tenha sido este mesmo o objetivo do roteiro, nos convencer de que apesar de ser a mesma situação de novo, agora é diferente – temos a cena em que ela pega o casaco para cobrir as algemas e em seguida ela continua com sua vida.

Outra coisa que o roteiro possa querer nos demonstrar é que, ainda que tenha finalmente decidido se divorciar, Alicia ainda gosta e se preocupa com o ex-marido. O que é bastante razoável considerando o tanto de história que os dois tem juntos e que ele é o pai dos filhos dela.

A grande verdade é que as escolhas de Alicia, desde o começo da série até aqui, não tornam mais fácil o que ela vive agora.

Principalmente não torna as coisas mais fáceis para Jason, que parece estar realmente apaixonado por ela, mas não sabe viver com esse tipo de complicações. Jason não é um cara político. Na verdade, apesar de o ser, Jason não tem nada de advogado, como Will tinha, e deve ter bastante dificuldade de entender essas tantas entrelinhas das coisas que ela faz.

Agora, ainda que tenha sido um divisor de forças desinteressante aqui, o caso de Alicia no Canadá acabou servindo para dar um fechamento ao retorno da trama da escuta no celular dela. O que também acabou oferecendo um engraçado desfecho ao julgamento que não era julgamento.

Ah, e também tivemos o retorno de Kurt e aqui eu fiquei confusa: não foi há alguns episódios que Diane pediu para ser chamada de senhorita e não de senhora? Eles teriam se reencontrado? Apenas achei uma pena, e completamente desnecessária, seu retorno ser por conta de uma trama envolvendo Diane ficando com ciúmes a Marilyn pistoleira (não resisti).

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Party funciona melhor e talvez seja porque agora é reta final mesmo, os três últimos, sabem como é? Além disso, só dá para gostar dos roteiristas brincarem com o fato de que a festa que marca o casamento de Jackie e Howard ter recebido flores de enterro e um bolo “descanse em paz” a esta altura do campeonato.

Algumas coisas soam forçadas a princípio, como a super preparada e bem resolvida namorada-futura-esposa do Zack, mas no final valem porque cometer novos erros é o mínimo que se espera dos jovens e algo precisa ser realmente novo quando o cenário está assim tão “eu já vi tudo isso antes”.

Só que tem algo novo sim: Alicia fazendo questão de dizer a Jason como se sente é uma novidade bem vinda, não sei se salva algo, mas foi bem vinda. O problema é que eu juro não ter entendido os 50 acres em Marte que ele lhe deu. Alguém me explica? Era pra ser engraçado. Como? Qual o significado disso? Tipo, o foguete do Logan para a Rory em Gilmore Girls foi fácil, foi perfeito. Isso? Talvez eu não seja romântica o bastante – Deus sabe que, depois da vida que teve, Alicia não é.

Só que, ainda que cheio de situações interessantes, algumas bastante cômicas, e que tenha tido um melhor desenvolvimento já que sua história aconteceu em apenas um lugar, ele foi menos “interessante para a história”. Ele dá fechamento para Jackie e Zack, até mesmo ele funciona como a confirmação de que, Peter preso ou não, ele e Alicia terminaram. Cary teve tão pouco tempo de cena que eu nem sei o que será dele.

Talvez seja isso, talvez eu esteja incomodada de Lucca, que eu adoro, tenha tanto tempo pra si e outros personagens que eu tanto amei ao longo do caminho não. Eli se recuperou de seu amor perdido? Cary vai advogar sozinho? Mesmo Owen merecia uns cinco minutos a mais de conversa com sua irmã, não merecia?

P.S. Sorte que minha vida é desinteressante o bastante, já pensou viver na sombra de alguém usar seu celular como escuta o tempo todo?

P.S. do P.S. Zack é um mala. A noiva idem. Se merecem.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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