Chicago Med: Choices (1×09)

Vão dizer que é maldade minha, mas a verdade é que eu nem me incomodei do doutor Halstead ocupar boa parte do tempo do episódio só porque eu tive a esperança dele fazer uma besteira tão grande que significaria sua ida para outro hospital. Sim, eu sei, não vai acontecer, até porque ter um irmão da série ao lado é legal para a franquia.

Deixando a maldade de lado, a trama da moça com câncer foi muito bem feita e ela traz questionamentos bem importantes: até onde um médico pode ou deve ir para cumprir sua promessa de salvar vidas? Aqui a questão acaba sendo levantada porque o Halstead tinha sua história particular tendo perdido sua mãe para o câncer, mas a grande verdade é que o fantasma da não ressuscitação assombra médicos sempre.

Eu sou uma fervorosa defensora do direito de escolha, acho que em sua maioria os seres humanos tem uma relação muito feia com a morte, sem necessidade. Sim, a vida é nosso maior bem, e por isso devemos vivê-las plenamente, mas a morte faz parte dela desde o início e acho que um final entre familiares e sem ser consumido por remédios é uma escolha tão válida como aquela daqueles que lutam até o fim, ainda que isso signifique aparelhos.

A despeito do que achamos, um médico jamais deve achar que sua escolha vale mais que a de seu paciente e Halstead não apenas errou em seu julgamento pelos sentimentos que carrega em relação a sua mãe, mas por ter sido arrogante, coisa que ele já nos tinha mostrados vezes seguidas episódio a episódio.

Até quem não parecia incomodada com isso, Natalie, parece ter sofrido de uma lucidez tardia nestes dois últimos episódios e tomou a única atitude possível e procurou pela chefe para denunciar o comportamento dele, o que deve ser assunto principal do próximo episódio já que a família resolveu processar o hospital – decisão de roteiro muito melhor do que deixar essa história para trás, sem dúvida.

Chicago Med - Choices 1x09 s01e09 Rhodes

As duas outras tramas do episódio também funcionaram muito bem, tornando-o um dos mais consistentes desde a estreia, a primeira com uma paciente com esquizofrenia cujo tratamento com lítio está afetando seus rins. O caso, de novo um sobre escolha já que ela prefere viver menos, mas plenamente, do que se arriscar perder-se em outras tentativas de encontrar a medicação correta.

O caso também serviu de estopim para que o doutor Choi contasse ao doutor Charles que tem enfrentado pesadelos constantes por conta de uma situação vivida no Oriente Médio. Eu realmente fiquei enternecida com o que ele está passando. Sou incapaz de imaginar o que acontece com alguém que passa por estas situações impossíveis.

Finalmente, temos a não menos importante trama de Rhodes, que passa o episódio tentando entender porque o super doutor Downey estava monopolizando o seu tempo. O desfecho, a descoberta da doença do médico superstar e seu desejo de encontrar um sucessor à altura lembrou a trama de Arizona em Grey’s Anatomy, talvez sem o mesmo impacto porque Downey foi horrível desde o primeiro momento em que o vimos.

Bom, ao que parece Rhodes está disposto a tentar, o que deve atrapalhar bem seu namorico, mas para alguém que declara seu amor pela cirurgia de trauma de forma tão contundente, não deve ser fácil renunciar a isso só porque um grande médico acha que ele tem potencial, não é mesmo?

Ainda sobrou tempo para a história do mendigo que chega ao hospital cheio de piolhos e que eu achei que seria apenas uma forma de fazer humor usando Sara e acabou sendo mais uma história sobre morrer com dignidade.

Gostei demais das escolhas todas de roteiro.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

1 comentário


  1. O Will, agiu por egoísmo, não enxerguei ele querendo ajudar, pode ser porque estou muito frustrada com o personagem. Ele foi desrespeitoso com o desejo da paciente.
    O dr Choi, está ganhando mais espaço na série e acho muito legal.
    Se os roteiristas continuarem assim, a série vai melhorar.
    Gente, cadê o irmão da enfermeira ( esqueci o nome dela, mas sei qye filha de um brasileiro e participou do America Next top model)

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