Bones: The Lost in the Found (10×17)

Devemos reconhecer os méritos, mesmo quando o conjunto da obra fica devendo. The Lost in the Found tem a terrível tarefa de ser um bom episódio em meio a uma temporada ruim. A temática, a reviravolta ao final, tudo isso funciona bem demais. O problema é que, justamente por estar no meio de coisas ruins, a gente acaba ficando incomodado com outras coisas.

Como a Brennan se recusando a aceitar de quanto tempo está grávida. Sério, gente. Sim, ela passou por tempos difíceis, ela fugiu, Booth acabou preso, Sweets morreu. E por conta disso ela tem todo o direito de ter receios, mas querer mais tempo de gravidez para se acostumar com a ideia e talvez perder o medo de colocar mais uma pessoinha no mundo? Não.

E teve o Booth, magicamente curado de seu problema com o jogo. Não, ele não foi curado e como já estamos no episódio 17 é provável que ele acabe tendo um problemão com isso no final da temporada, a questão é que neste episódio não fazem nenhuma referência ao problema. Isso depois de um episódio, o passado, em que eles fizeram questão de nos mostrar o quão doido ele estava comemorando os ganhos com o jogo.

Cadê continuidade de tramas, meus senhores?

Teve Brennan se identificando com a vítima do crime por ela também ter sido a diferente no passado, mas ignorando que ensinar a sua filha uma música que fala os ossos nome a nome do corpo humano pode acabar fazendo o mesmo com ela.

Cam também foi curada de sua insegurança pelo destino do Arastoo, depois de um episódio em que ela quase pirou, e Dayse ganhou vários minutos, e falas, por conta do professor de ioga bonitão que resolveu chamá-la para sair. Não, nós não precisamos disso para não esquecer que perdemos o querido Sweets há seis meses.

Bones The Lost In The Found 10x17 s10e17

Se você aguentou tudo isso e sobreviveu, bom, você pode ver os roteiristas abordando o tema difícil do bullying: uma garota de escola particular que fugia dos padrões e que vinha sendo tão molestada por colegas que acabou por tomar a medida mais extrema possível. Fazia tempo que uma virada de história em Bones me surpreendia e dessa vez eles acertaram a dose: só desconfiei que ela teria se matado para culpar as colegas quando o episódio já estava quase em seu final.

Eu nem consigo imaginar o que ela passou. Eu sofri isso: gente, eu era gordinha, usava óculos, aparelhos e tirava as melhores notas da sala. Eu sofri bullying estilo Carrie a Estranha com todos apontando para mim e rindo e só consegui falar disso muito recentemente na terapia. Quem nunca passou por isso não pode imaginar o quanto a gente se sente um nada.

A garota em questão sentia não ser nada. Mais que isso, ela achava que a única coisa que tinha era o amor de seus pais, mas que ele poderia acabar se ela falhasse e por isso escolheu um caminho tão triste.

Um episódio pesado, pelo menos pra mim, mas que soube tratar do tema com o cuidado necessário.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

Deixe uma resposta