Hannibal: Fromage (1×08)

Psicopatas são diferentes de loucos. Eu já desconfiava, mas foi preciso que Hannibal explicasse isso um pouco melhor para que eu assimilasse: diferentemente dos loucos, psicopatas sabem exatamente o que estão fazendo, na verdade, fazer o que é errado torna-se parte do desafio. Talvez por isso, também, eles se reconheçam com tanta facilidade.

Hannibal: Fromage (1x08)

E, é claro, além da apurada explicação, Fromage foi mais um episódio memorável da série, não somente porque coloca Lecter frente a frente com um quase igual, afinal faltava um tanto de charme a Tobias, como porque cria um laço ainda mais forte entre o psiquiatra e Will. O atormentado Will que tem empatia pelo sofrimento do “amigo” sem saber o que ele esconde. Tobias reconhece Lecter melhor que Will e lhe envia a tal serenata, a morte do trompetista, e um recado através de Franklin, que acaba morto em mais um ato de extrema elegância de Lecter. Confesso que eu não esperava tão rápido desfecho, não esperava que ele matasse os policiais tão facilmente ou mesmo que ele fosse ao consultório daquele modo.

Questão é que, além da elegância, faltava a Tobias um tanto de paciência e sobrava uma necessidade de reconhecimento. Eu já sabia da briga de Lecter e Tobias, várias imagens dos dois lutando preencheram a internet semanas atrás. Não posso dizer que foi uma boa luta, acredito que homens elegantes não sabem lutar direito – quem não lembra da briga de Colin Firth e Hugh Grant em Diário de Bridget Jones como uma das coisas mais ridículas já vistas? -, mas não desgostei. Ou melhor, posso não ter gostado da briga, mas foi impossível não adorar Lecter arrumando seu lenço após matar o professor de música e, finalmente, tocando aquela única nota em seu cravo? Isso após ter quebrado o braço de Tobias na escada e atirado nele um dos enfeites do consultório.

São esses pequenos detalhes, assim como sua postura e seu tom de voz, que tornam o Lecter de Mads o perfeito antes para o depois de Anthony Hopkins.

Lecter tem em seu anonimato o brilho que Tobias buscava no reconhecimento. É prazeroso ao psiquiatra que Will, Alana e Dra. Maurier tão perto dele e sem imaginar o que ele esconde. A doutora talvez tenha acertado ao falar que ele busca que alguém ultrapasse esse muro, mas acredito que ele quer ter o controle total sobre quem e quando isso acontecerá, como se ele escolhesse quem é merecedor da verdade antes – e talvez da morte também.

Ah, sim, temos Will. Me perdoem, mas é impossível desviar os olhos de Lecter! Will está cada vez mais atormentado: não dorme, ouve coisas e continua revendo Hobbs em sua mente  e, ao que parece, se identificando com ele.

Quando ele vê Hobbs na cena de palco eu fiquei pensando que se todos os assassinos que ele matar forem habitar a sua mente ele não sobreviverá a esta temporada, mas depois fiquei pensando se a vista de Hobbs é porque ele se identifica com o que ele fez ou se é porque ele não é capaz de entender essa motivação dele – diferentemente do assassino dos anjos, por exemplo.

Questão é que esse instável Will beijou Alana. A química entre os dois é inegável, mas, ao mesmo tempo, eu acho que Alana é mais fascinada pelo tormento dele do que realmente interessada em Will. Algo que pode tornar a relação perigosa para ambos.

P.S. O cravo tem uma sonoridade linda, jamais entenderei porque caiu em desuso.

P.S. do P.S. Impossível não perceber a sombra que passa pelo olhar de Lecter quando Tobias fala que matou dois homens. Ele ali demonstra que o que sente por Will no medo de que ele fosse uma das vítimas. É isso, também, que aumenta o laço entre as duas mentes.

P.S. do P.S. do P.S. Cada vez mais curiosa sobre o que aconteceu com a Dra. Maurier. Ela foi atacada por um de seus pacientes e algo me diz que a insistência de Lecter em continuar sendo atendido por ela está diretamente ligada a este fato.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

7 Comentários


  1. O diálogo entre Hannibal e Tobias no jantar é coisa que só esta série pode proporcionar: “vc matou aquele violonista?”, “precisa perguntar?” ou “quero ser seu amigo”/”não quero ser seu amigo”/”então, por que você me convidou para jantar?”/”eu ia matar você”. Hehehehehe!
    E o Franklin estava me irritando tanto com o “esse avião está caindo” que ADOREI o Hannibal vir e, ploft, matar o sujeito! 😀

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    1. Eu amo as frases de duplo sentido do Lecter, como se fossemos cúmplices dele, a gente sabendo os que os outros não sabem!

      Sim, eu até assustei de tão rápido, pa-pum!

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  2. O Will comentando que beijou a Dra e que ela era beijável eu discordo, ele sim é beijável mesmo com todas as suas instabilidades. Eu tenho medo de assistir essa série, tem cada cena de morte que eu nunca imaginei existir. Mas, não tem como, estou fascinada pela calma e elegância do Dr. Lecter. Quando fui ao cinema assistir o Silencio dos Inocentes (depois de muita insistência de uma amiga) gostei, mas me deu um medo danado. Anthony Hopkins estava maravilhoso. Sinceramente nunca tinha prestado atenção neste ator que esta fazendo Hannibal, agora estou “apaixonada”.

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    1. Ah Sandra, mas ela é linda, parece uma boneca! Acho que ela é bastante beijável também, risos!

      Estou contigo na paixão pelo ator, viu?

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  3. a série está fazendo propaganda do filme do Will Smith, já é o segundo episódio que reparo nos ourdoors do filme

    pra mim Hannibal está perfeito, a série me cativou com sua elegância e seus crimes bizarros

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  4. Concordo com a Sandra, o Will é um gatinho, muito beijável. Acredito que ele e a Alana tem muita química, porém no início achava que ela estava se interessando pelo Hannibal. Quanto a Dra. Maurier (nossa, como a Gilian Anderson está linda loira), acho que o Hannibal matou o paciente dela e lá no fundo que acho que ela é que está sendo analisada e não ele (Hannibal), pq todo episódio ele toca no assunto do paciente.

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