Homeland: The Weekend (01×07)

*Texto sobre episódio ainda inédito no Brasil, spoilers a frente (jura que nenhuma canal vai exibir essa maravilha neste país? ninguém percebeu o quanto isso é bom?)

Nada mais intenso do que ver um homem que quase perdeu tudo, menos sua vida, admitindo que teve vergonha de admitir que amou o inimigo, porque este foi o único a lhe oferecer conforto. O quanto essa lembrança pode assombrar um homem que é tratado como herói, mas não se sente um? O quanto é possível recuperar de um corpo e alma quebrados?

E como deixar de lado uma certeza que nos pareceu absoluta? Como abrir o coração para uma relação que parece impossível porque você “sabe” que não pode confiar naquele homem? Como perceber que você pode não estar errada sobre a história, mas sobre o protagonista dela, quando não vê nenhuma alternativa?

Do outro lado um homem que espera não ter perdido o que lhe é mais importante, o amor de sua vida. Uma mulher que acredita que sua luta é contra um país, uma forma de viver, mas que, na verdade, luta contra a felicidade que seu próprio tentou lhe tirar, luta por um amor que ela não poderá mais ter.

The Weekend foi perfeito. Quatro vidas ligadas pelos mais diversos motivos, quatro pessoas com passados, experiências, expectativas, diferentes. Um carro e uma cabana. Uma carga emocional quase palpável.

E que coragem de nos dizer a verdade agora, quando ainda existe mais cinco episódios desta temporada pela frente. Como nos contar que Brody não é o terrorista e manter nosso interesse na história?

Ressuscitando o melhor amigo deste, que ele acredita ter matado e colocando-o no centro da história.

Alguém imagina o ódio que Brody sentirá dele quando souber o que está acontecendo? Imaginem carregar por anos a culpa por ter matado seu amigo para que lhe mantivessem vivo e descobrir que tudo não passou de um plano! Imaginem você descobrir que na verdade você fazia parte deste plano: foi mantido vivo para que confirmasse a morte do amigo – ninguém desconfia de um morto.

E, não menos importante, que química entre Brody e Clarie!!! Sei que seria impossível uma resposta diferente do que a que Brody deu para ela no momento em que acelerou seu carro – ainda mais considerando o quanto ele foi sincero, não só sobre o que aconteceu com ele, mas sobre como ele se sentiu em paz com ela – mas eu torci para que fosse diferente e que, pelo menos ali, um com o outro, eles pudessem ter a paz que tanto precisam.

E que vontade de confortá-lo quando ele chora sozinho e sem esperança.

Escrito por Simone Fernandes

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

8 Comentários


  1. Mais um episódio perfeito! E contando os dias de ansiedade pelo próximo!

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  2. vou ser bem sincero contigo, estive quase abandonando a série por não achar isto que todo mundo falava, mas Alê e principalmente você me faziam continuar. a forma que você comentava nos textos, eu ficava pensando “tenho que senti isto também” e finalmente senti,
    episódio sensacional e que reviravolta.
    digo, acho que Claire Danes e Damian Lewis nos entragam atuações soberbas, como comentei no twitter:
    “a atuação dela é muito boa porque você sente que a qualquer momento ela pode perder a sanidade”.

    só que esqueci de dizer que ele também nos dá essa carga dramática.

    Ao pensar nas cicatrizes no corpo dele, digo que não tenho ideia para entender o quão doloroso isso foi. e no final ele voltou como “heroi”. Isso já foi trabalhado um pouco em Battlestar Galactica, e olha que estou falando de uma das séries que mais gostei, mas acho que Homeland conseguiu desenvolver isso melhor, a culpa e a mascara que consome alguém por dentro.

    e no episódio passado teve uma cena que achei sensacional, um dos que voltaram da guerra jogaram isso na cara dele “você está fazendo com que mais jovens se alistem e morram lá”. Como deve ser para alguém viver com isso? Sabendo que não acredita no que faz, mas faz porque precisa, ou porque não sabe o que deve ser feito?

    Enfim, o episódio conseguiu ser uma série, uma reflexão, e me surpreender. fazia tempo que isso não acontecia e que bom que aconteceu.

    e sem querer ser chato, mas será que não tem nada dele meio que programado para em algum momento ser “ativado”?

    e sem querer ser chato²: Mais alguém pensa que essa série deve ter prazo de validade? um amigo meu costuma dizer que gosta muito de animes e não das séries norte americanas porque no japão os animes tem início, meio e fim, enquanto nos Estados Unidos eles tem costume de sugar até onde não pode mais, os quadrinhos são prova disso. e acho que ele tem razão. Sei que há séries procedurais, sei que nem todo mundo gostou do desfecho de Lost, mas insisto, acho que algumas séries deveriam ter início, meio e fim, e torço pra que Homeland seja isso, para que uma obra-prima não se torne apenas mais uma série que passou do tempo de acabar.

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    1. Bem, acho que seu amigo nunca assistiu Naruto ou coisas do tipo haha. Quanto a Homeland também gostaria que tivesse meio, início e fim. Com os dois últimos episódios a série realmente me fisgou. E acho que não dá para acreditar nas reais intenções de alguém de Homeland, por enquanto estou acreditando em Brody, que ele é inocente, mas por causa do tipo de série, isso pode mudar haha. AHH, também fiz uma review desse episódio no meu blog ( ahh e dos outros também): http://singularpqu.blogspot.com/2011/11/homeland-01×07-weekend-review.html

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      1. Oi Cintia, a graça da série é essa mesmo: a cada instante a gente pensa algo diferente. Por enquanto eles tem feito isso muito bem.

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  3. Eu to gostando muito de Homeland.

    SObre essa história do Brody, eu acho que ele tem alguma parte sim, nesse plano terrorista, não a que ele acha que tem, já que ele não sabia que Walker estava vivo.Eu tb acho que ele não fará sua parte, por se sentir traído.

    Acho que a série deve abordar em seu episodios finas dessa 1 temporada no que se diz respeito a Brody sua luta interna em ser ou não parte dessa trama toda, a ambiguidade de Brody tão bem trabalhada até agora(ou o jogo de nos querer faze-lo culpado) indica isso, ele não é inocente, mas tb não é o vilão malvado, acho que ele decidirá o rumo da série

    Damian está incrivel, uma atuação digna de toda premiação, e Claire quem não compra a sua obececada e psicótica espiã?

    Todo amor por Damian, quem não quer cuidar do Brody? Quem não se derrete por ele em cada cena que ele sofre ou chora?

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  4. Não tô nem aí se Brody é terrorista. Tomara que seja! Adorei ele ter deixado a amante na cabana e ela ter que voltar a pé (kkkkkkkk). Acho que a loirinha está trocando os pés pelas mãos quando se envolve com seu suspeito, se apaixonando por ele. Eu já disse que não gosto de traições, né?

    Ele explicou que sua mulher está traindo, mas isso não aparece. O que mostraram é que o lance com o amigo dele acabou com o retorno do marido. Para mim é isso que conta.

    Muito doida essa virada do morto estar vivo.

    ADORO A SÉRIE

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