Inauguração da nova ciclofaixa esquenta mercado das bicicletas

Com informações do Valor Econômico

“Não dá para segurar que seu tempo chegou. Chegou o tempo da bicicleta” – Walter Feldman

A declaração acima faz parte de uma reportagem publicada hoje no jornal Valor Econômico.  Com o título Em São Paulo, pistas especiais ajudam a vender bicicletas, a reportagem (clique no link para ler na íntegra, acesso exclusivo para assinantes) destaca a movimentação no mercado dos fabricantes de bicicletas no ano de 2010 e agora em 2011 e seus efeitos em outros mercados.

Dando destaque aos efeitos da inauguração da parte nova da CicloFaixa, que agora liga os parques das Bicicletas, Ibirapuera, do Povo e Villa Lobos, a reportagem conta que a  Caloi, que vendeu 700 mil unidades em 2010, planeja superar a marca de 1 milhão em 2011. Para quem duvida disso baseado no fato de que em 2009 e 2010 a venda de bicicletas não teve lá muito crescimento, Juliana Grossi, diretora de marketing da Caloi, informa que somente nestes últimos dois meses já foi identificado que as lojas de bicicleta no entorno da CicloFaixa triplicaram suas vendas, o que torna a meta da empresa em algo bastante razoável.

E não só os proprietários das lojas que estão rindo à toa: a reportagem destaca que a lanchonete Açaí, na avenida Faria Lima, viu sua loja lotar no domingo que antecedeu o aniversário de 457 anos de São Paulo, em 25 de janeiro, com bicicletas estacionadas por todo lado. As vendas crescem cerca de 50% aos domingos, no horário que a ciclo faixa funciona, das 7h às 14h.

Somente em 26 de janeiro, quando foi aberta a CicloFaixa em São Paulo, 40 mil ciclistas passearam na via entre os parques das Bicicletas, Ibirapuera, do Povo e Villa Lobos, demonstração clara da carência por vias seguras para o uso das magrelas.

A Caloi fornece equipes de manutenção de bicicletas e empresta bicicletas para quem quer passear na CicloFaixa e ainda vendeu a preço de custo as 7 mil bicicletas participantes neste ano do World Bike Tour de São Paulo, no aniversário da cidade. Essas ações estão em linha com a ideia de que o plano de marketing de uma empresa de bicicletas é apoiar melhorias de infraestrutura para uso desse meio de transporte.

Outra fabricante de bicicletas que tem se mexido é a Houston, que apareceu na novela Passione, da TV Globo. O investimento em merchandising no horário nobre da televisão refletia o otimismo da Houston com o mercado nacional de bicicletas, cuja produção deve crescer em 2011 após dois anos de estagnação.

O otimismo continua e agora a empresa investe mais R$ 40 milhões na construção de sua segunda fábrica, a ser inaugurada no segundo semestre de 2012, em Manaus. A nova unidade poderá produzir até 650 mil bicicletas por ano. A capacidade atual da Houston é de pouco mais de 1 milhão de unidades anuais na fábrica de Teresina, aberta há dez anos.

Para o diretor de Marketing da Houston, Paulo Rubens Fontteneli, o mercado brasileiro de bicicletas está retomando o fôlego perdido durante a década de 90. Segundo ele, o cenário positivo para o setor está baseado na consolidação gradual do compromisso da sociedade com responsabilidade ambiental e com saúde e bem-estar. “Esse conjunto trabalha positivamente para o produto”, afirmou o executivo, que também atribui o crescimento das vendas à expansão das ciclofaixas nas grandes cidades do país.

É claro que ainda falta muito. Comemorando a inauguração da CicloFaixa, Feldman não esquece da lei que propôs e que previa que toda nova avenida construída em São Paulo teria que possuir uma ciclovia. Se esta lei tivesse sido cumprida, a cidade já teria uma malha de ciclovias de 100 km somente por conta das novas avenidas, estima o secretário.

A CicloFaixa é, claramente, uma demonstração do modelo adotado na América Latina, aonde os ciclistas são separados do trânsito. Na Europa e EUA, países em que a bicicleta nunca sumiu por completo do panorama, quase todas as ciclovias são somente pintadas nas ruas, sendo respeitadas pelos motoristas. Afinal, no código de trânsito nacional a bicicleta tem preferência de circulação frente aos transportes motorizados.

A reportagem ainda fala do Grupo Executivo Pró-Ciclista, criado pela Prefeitura de São Paulo em 2006, e que é formado por cinco secretarias, além de técnicos da SPTrans e CET. A Secretaria Municipal de Transportes, que encabeça este GE, elaborou os projetos funcionais do Plano de Ciclovias, prevendo a implantação de mais 54,5 km de infra-estrutura cicloviária em São Paulo, a ser iniciada neste ano.

A CET está preparando licitação para implantação de ciclovias no Jardim Helena (Zona Leste da capital paulista), no Jardim Brasil (Zona Norte), e Grajaú/Cocaia (Zona Sul).

Apesar de, conforme com dados da Abraciclo, 50% das bicicletas no Brasil serem para transporte, apenas 5% das vendas são de bicicletas urbanas, em um mercado dominado pelas mountain bike.

A Caloi está voltando neste ano com a linha urbana de bicicletas, da série Mobilidade, depois de quatro anos. Essas bicicletas têm um desenho mais adequado para o uso na cidade, com rodas maiores, aro 700 (ou cerca de 28 polegadas), e deixam a postura mais confortável.

Outros projetos de incentivo ao uso da bicicleta em São Paulo começam a aparecer: ônibus acomodam bicicletas em seu interior; vagões do Metrô abertos para transporte de bicicletas a partir das 20h30 e aos domingos; e bicicletários em estações do Metrô e nos novos terminais de ônibus da SPTrans. Já faz parte do cenário noturno da cidade, os grupos das pedaladas noturnas, ou “night bikers”.

Aos poucos, empresas também se engajam no incentivo ao uso da bicicleta: no Santander, os funcionários que optam pela bicicleta têm estacionamento especial e vestiário para tomar banho e trocar de roupa.

Resta torcer para que cada vez mais empresas e governos incentivem a bicicleta, também investindo na educação da população – para que mesmo aqueles que não a usam, saibam que ela tem direito de compartilhar a rua.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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