Despedida de uma gatinha

Malagueta 2007-02-fev

Eu nem era ainda uma “cat person”, mas para um apartamento e ficando o dia todo fora de casa um gato era a melhor solução para que eu matasse minha vontade de ter um bichinho de estimação.

Eu trabalhava no Unibanco e almoçava no Shopping Eldorado todo dia. Num desses almoços eu a vi na vitrine de um pet shop. Pequeninha, branquinha, orelhas e rabo coloridos, olhos amarelos. Foi amor a primeira vista.

Como estava grávida liguei correndo para o obstetra para ver se a tal história de que grávida não podia ter contato com gatos era verdadeira, para minha sorte não era.

No dia seguinte, sábado, eu fui buscar a minha gatinha, meu primeiro bicho de estimação só meu. Lembro de sair com ela nos braços e uma moça entrar na loja falando alto “ah não, já levaram ela”, para mim um sinal de que aquela gatinha era para ser minha.

Foram quase sete anos de convivência. Eu aprendi a amar os gatos por sua personalidade, por seu jeito, por sua amizade.

Quando a Carol veio ela a protegia, quando a Carol, bebê ainda, puxava seus bigodes ou a apertava ela nunca revidava, nunca ficava brava.

Malagueta e Carol

Ela tinha suas manias, não vinha no colo de jeito nenhum.

Mas me seguia por toda casa, sempre deitando perto de onde eu estivesse.

Quando eu acordava e ia para o banheiro lá ia Malagueta atrás, subia na pia e ficava passando sua cabeça na minha barriga, pedindo carinho.

Nunca miava, era uma lady cujos passos você não ouvia.

Quando as visitas chegavam, Malagueta desaparecia.

Quando a Mussarella chegou ela fez cara de enfado, pensando “ai, arrumaram um bicho para encher o meu saco”, mas aguentava bem as brincadeiras da gata moleque. Nas noites as duas corriam de um lado ao outro da casa, brincando.

Hoje, pouco depois da meia-noite, Malagueta começou a gemer, meu marido correu para me acordar. Não entendíamos o que estava acontecendo.

Depois que eu cheguei perto dela ela me olhou e então partiu.

No dia do meu aniversário.

Saudades da minha gatinha….

2005-04-abr

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

9 Comentários


  1. Si, muito linda e triste hoje a sua história no seu blog!
    Já perdi alguns animais de estimação e eles deixam várias lembranças boas e participam da nossa vida como nossa família.
    Fica a saudade de todos os bons momentos!
    Um abraço apertado de quem conhece este sentimento.
    Lourdes

    Responder

    1. Oi Lourdes!
      Obrigada pelo carinho.
      É que eles se tornam membros da família, parte da gente. A despedida é sempre difícil, acho que levo um tempo grande para me acostumar com a falta dela.

      Responder

  2. Minha amiga, como sua história ficou linda contada assim. Eu acredito em algum tipo de céu dos animais, sabe, um lugar para onde eles vão. Tanto amor que eles nos dão não pode ser fruto do nada, né?
    Beijos em todos vocês.

    Responder

    1. Oi Sam,
      Não tenho dúvida de que eles vão também para o céu, só não sei ainda se é um céu só deles ou se compartilham do nosso, fazendo companhia pela eternidade.
      Beijos

      Responder

  3. Olá!
    Sei que já faz algum tempo que perdeu sua gatinha, mas só li agora. Me diga, ela estava doente?
    Tenho muito medo de perder meus 4 amores, um deles já tem 8 anos, daí minha preocupação.

    Responder

    1. Oi Sirlê, a Malagueta não apresentou sinal nenhuma de estar doente, mas gatos costumam viver até 15 anos, 20 em caso de vira latas. Acho que não adianta muito a gente ficar preocupado com essas coisas – nos apegamos como com filhos né? – porque elas acontecem quando tem de acontecer. Abraços.

      Responder

Deixe uma resposta