Boston Legal: Dances With Wolves (05×03)

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Antes de falar de Dances With Woves, vamos fazer um pequeno parêntese sobre Guardians and Gatekeepers (05×02), episódio do qual não fiz review: Guardians and Gatekeepers não é um grande episódio, na verdade não dá para falar muito sobre seu roteiro, sobre o desenvolvimento.

Temos Carl Sack defendendo a neta de Shirley, dessa vez por ter falsificado documentos de maneira que ela pudesse votar – e, no final das contas, o que realmente me importou foi descobrir da onde eu conhecia a atriz que faz a princesa Michelle em Kings, justamente a mesma que interpreta Marlena Hoffman, a neta. Enquanto Katie e Jerry têm um caso contra uma empresa que explora o negócio das prisões privadas e Melvin Palmer é o advogado de defesa.

Apesar de interessante em princípio, ver Alan contra a indústria farmacêutica não me empolgou muito, ainda estou tentando descobrir o porquê – talvez seja porque enfrentar a indústria do tabaco foi muito bom e foi agora há pouco.

Dances With Wolves é daqueles episódios perfeitos, que você não vê passar, em que você se emociona em cada cena. Alan esteve magistral e Denny e Jerry formam a dupla mais improvável e mais interessante que você poderia imaginar. Eu nem sei dizer o que gostei mais.

Denny atirando no bandido, depois da mais absurda conversa já vista:

Denny Crane: Aqui está minha questão para você: Você realmente quer isso?
Jerry Espenson: Sim, eu quero.
Denny Crane: Porque ser sócio de uma empresa de advogados não é tudo aquilo que acham.
Dan (o ladrão): Mas o dinheiro é bom.
Denney Crane: Ele é afro-americano, certo?
Jerry Spenson: Um pouco.
Denny Crane: Quem é você?
Dan: Eu faço parte da Vizinhança Vigia os Crimes. Funciona assim: vocês viagiam e eu cometo o crime.
Jerry Espenson: Oh meu Deus!
Denny Crane: Agora, agora…
Dan: Não, não. Nada de conversa. Vocês simplesmente me passam sua carteira e seu relógio. Agora.
Denny Crane: Aqui está o problema: você é preto.
Jerry Espenson: Sr. Crane!
Dan: O que?
Denny Crane: Eu sou Denny Crane. Eu sou um cara importante.
Dan: Eu também.
Denny Crane: Se você me matar a manchete será: Negro Mata Importante Cara Branco. E isso é a última coisa que precisamos quando tentamos eleger um afro-americano para presidente.
Jerry Espenson: Por Deus!
Dan: Que acha de eu simplesmente estourar seus miolos agora?
Denny Crane: Não funciona para mim. Para o Jerry. Funciona para você?
Jerry Espenson: Denny, por favor!
Dan: Hey.
Denny Crane: Certo, certo, certo. Relógio. Carteira. Arma! Joelho! Pé direito! Pé esquerdo! Graças a Deus pelas armas! Certo Jerry? Somente na América. Doce terra da liberdade.

Denny, então, acaba preso – nada sério, ele só tinha umas oito armas com ele – e Carl é o advogado de defesa, com Jerry como assistente. E Jerry é quem deve fazer o encerramento. Eu não tinha entendido, confesso, que Denny quisesse perder o caso apenas para voltar à Suprema Corte. Surpresa para todos: Jerry consegue ganhar, com o mais absurdo e interessante dos encerramentos.

Eu tinha reclamado antes das participações mínimas e sempre engraçadas de Denny, mas este episódio redimiu a todos. Ele estava fervendo! Quando ele diz aos policiais que o estão prendendo de que ele sabe seus direitos e que ele nunca fica quieto? E ele e Carl em pleno julgamento (Boom! Boom! Boom!)?

Já Alan precisa ajudar Joanna, sua terapeuta substituta sexual, que enfrenta ao ex-marido no tribunal. O ex-marido considera que Joanna não é a pessoa adequada para educar sua filha, por causa de sua profissão.

É interessante o desenrolar da história, com Alan percebendo que é sexista e, ao mesmo tempo, entendo melhor o que Joanna faz. O depoimento da pequena menina parece ser o principal ponto nesse “entendimento”.

Mas é no encerramento de Alan, mais uma vez, que encontramos toda a moral do episódio, o verdadeiro recado de Kelley: em meio a tanta violência, tantos erros, tanta violência, conseguimos transformar algo bonito e importante como intimidade e sexo em algo feio e sujo:

Aconteceu um incidente num shopping, recentemente, que despertou uma tempestade de protestos e foi totalmente coberto pela mídia. Aparentemente uma mulher foi colocada para fora de uma loja de lingeries porque estava amamentando seu filho próximo de um manequim usando um daqueles sutiãs que levantam os seios. Enquanto isso, no Capitólio, o promotor John Ashcroft quer esconder duas estátuas no hall do Departamento de Justiça porque a estátua feminina, o Espírito da Justiça, tem um de seus seios descobertos e a estátua masculina, a Majestade da Lei, tem o peito descoberto e usa uma tanga.
Meu ponto é que este país é profundamente paradoxal em relação ao sexo. Nós condenamos a infidelidade, mas nossos presidentes tiverem casos extra matrimoniais dentro e fora da Casa Branca. Podemos citar os casos de FDR, LBJ, Billy Bob Clinton e o grande campião JFK foi legendário. Aqueles que foram contra o impeachemant de Clinton não disseram “Você teve um comportamento sexual inadequado que nossa cultura considera indesculpável, então deixe suas crianças.”
E, de qualquer modo, quando nos referimos as nossas crianças nós estamos completamente perdidos. Quando pais são questionados sobre o que acham mais ofensivo em um vídeo game, um casal fazendo sexo vem antes de uma cabeça sendo decepada, que está em terceiro lugar. E, ainda, nós temos mais e mais mulheres dizendo a suas amigas durante o café: “Eu sou a MILF da escola dos meus filhos.” M-I-L-F, Mother-I’d-like-to-fff… me desculpe por falar deste modo na corte. …
Joanna é uma mãe maravilhosa. E parte de seu trabalho é ajudar pessoas a encontrar algum alento nesta bagunça paralisante. Ajudar as pessoas a encontrar alguma clareza. No mundo de hoje nós devemos todos procurar por alguém que nos ajude a navegar nas águas do sexo e do sexismo porque é muito fácil se perder.
Tão horrível perda. Tão horrível perda. Nós precisamos trazer o sexo das sombras onde ele pode ser confundido e revirado. Nós não temos problemas em usar o sexo para vender produtos, ou filmes, ou programas de televisão, revistas. Mas quando alguém está tratando o sexo de uma forma real, verdadeira e honesta, isto é imoral? Não cabe?

Vamos parafrasear Carl Sack: I love this place!

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Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

2 Comentários


  1. Srs: Justiça a Qualquer Preço (Boston Legal; FOX) É DAS MELHORES COISAS QUE JÁ VI NA TV. Tudo é bom: diálogos, roteiro, atores, direção, câmera, corte, edição, enfim. Esse treco não tinha que parar nunca. Só de ver o cmdte da nave estelar INTERPRISE fazendo um papel genial, vale a pena. Porém, como já disse, tudo é muito bom, irônico, ácido , inteligente, atual e perspicaz. É isso. Por favor me informem porque o seriado passa as 08:00 da manhã e se ele é reprisado em algum outro horário. Parabéns. Aguardo notícias, abç Cláudio Savietto.

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    1. Olá Cláudio,

      O seriado Boston Legal, com certeza uma das melhores coisas que já foi feita na TV, já acabou, tendo tido cinco temporadas completas. Agora a FOX apenas reprisa os episódios já exibidos, por isso os horários estranhos.

      Infelizmente não tenho esperança de que isso mude, mas você já pode adquirir os dvds aqui no Brasil.

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