The Starter Wife: A Minissérie

Starter Wife

Ontem, por um acaso do destino, já que o canal não havia informado nada para ninguém, dei de cara com uma maratona de The Starter Wife no Telecine Premium. Mais novidade ainda foi o fato deles terem exibido todos os episódios, inclusive o 5º e o 6º, que anteriormente não haviam exibido e nem tinha dado notícias sobre.

Eu havia lido algumas críticas desabonadoras da minissérie, agora transformada em série após a confirmação da USA para mais 10 episódios no próximo ano, que atribuíram o sucesso do seriado ao carisma de Debra Messing, mas me surpreendi de maneira positiva com o que vi.

Tudo bem, a minissérie demora um pouco para adquirir ritmo e algumas outras coisas incomodam aqui e ali, mas depois do terceiro episódio eu não conseguia mais largar o seriado, perdendo a reprise de Brothers&Sisters e o inédito de Psych (que agora ganhou reprise aos sábados a noite, a pesar da Universal não ter nos contado).

O roteiro é baseado em um livro publicado em 2005, que conta as agruras sofridas por uma mulher que, da noite pro dia, perde todo seu status após ser largada pelo marido, um poderoso homem de Hollywood, que a troca por uma garotinha de 20 anos de idade.

No papel de Molly Kagan temos a querida Debra Messing. Ela é bonita, divertida e esperta, mas, aos 41 anos de idade, sua ocupação principal é ser a “esposa de”, além de cuidar de filha de 5 anos Jaden.

Depois de comparecer a uma festa com o marido ela dorme tranqüilamente em sua cam, até receber uma ligação do marido falando que quer o divórcio. Ela corre para o hotel, ele fala que queria evitar cenas, ela se toca que se tornou uma “Starter Wife”, maneira perjorativa como se referem as esposas do início de carreira, antes do homem ficar famoso.

Os conflitos são, sim, um pouco exagerados. No mundo atual, com o pessoal de Hollywood trocando de esposa/ marido como eu troco de sapatos (é que eu chego a usar o mesmo sapato duas vezes), não consigo imaginar tanto preconceito em relação a uma ex-esposa.

Ela não só fica com a agenda vazia, quando todos os compromissos são desmarcados, como perde até o direito de freqüentar o clube e começa a ver as mulheres a sua volta cochicharem quando ela passa. Ao seu lado apenas um grupo de amigos fiéis: Cricket, Rodney e Joan. Tudo bem, Cricket não é fiel e pula fora do barco assim que seu marido, que trabalha para Kenny, pede que ela tome uma posição.

Kenny é o estereótipo de tudo que pode ser odioso em um homem: machista, se acha o dono do mundo, a última coca-cola do deserto, a bolacha mais recheada do pacote. Feio e antipático, sua mente é tão pequenina que ele não é capaz de perceber que as mulheres só estão com ele por causa de seu dinheiro e poder.

Outra coisa que ele é incapaz de perceber é que foi a ajuda de Molly durante anos de casamento que lhe ajudaram a chegar tão longe.

Joan é a mais antiga amiga de Molly. Aos 40 anos se casou com um ricaço de 60. Sempre tem um copo na mão. E quando digo sempre é tanto a ponto de eu começar a achar impossível que aquilo fosse vodka, já tava achando que era água. O marido parte para férias em Paris e a despacha para um centro de reabilitação, do qual ela está louca para fugir e conta com a ajuda de Molly para isso.

É na casa de Joan que Molly acaba indo parar. Na atitude mais absurda do seriado todo, ela abandona a casa para ao marido, que já desfila por aí acompanhado de uma estrelinha de 20 anos, a cantora Shoshanna (Cara, da onde tiraram o nome dessa garota??).

Rodney é um decorador falido lindo e que não consegue manter um relacionamento de verdade, pois teima em correr de todos os homens com quem se envolve, comparando intimidade à claustrofobia.

Ainda temos Lou Manahan, interpretado pelo encantador Joe Montegna, chefe de Kenny. Ele não esconde seu encantamento por Molly, mas não aparece para jantar com ela para poder encenar seu suicídio, já cansado dessa vida de holofotes.

A encenação do suicídio acaba não dando muito certo, já que o bilhete voa com a brisa do mar. Ele acaba tendo que pedir a ajuda de Molly para continuar a encenação e não resiste a comparecer ao próprio funeral.

Durante ao funeral, ao ouvir o testemunho das pessoas que ele ajudou ao longo do caminho, ele reencontra a razão de fazer seu trabalho, desiste de se manter escondido e revela a todos o que fez.

Para completar, o único a dar um depoimento falso sobre a vida dele foi Kenny, que já comemorava tomar o lugar do chefe. Depois da reaparição de Lou, ele acaba é sem emprego mesmo.

Temos, ainda, o retorno de Cricket ao grupo de amigos, depois de pegar o próprio marido com a babá russa.

Ainda temos, no interessante rol de personagens: Sam Knight, um sem teto que vive dentro do condomínio de ricos em que Molly vai morar, após ter matado o melhor amigo em um acidente de carro; Lavender, a simpática segurança do condomínio, que acaba indo morar com Molly junto com sua avó e sua cachorrinha, e se descobre uma decoradora de interiores, além de Shoshanna, que chuta Kenny rapidamente, depois que ele perder seu semprego. Ah, antes de chutá-lo ela ainda ri da cara dele, na frente de muita gente, quando ele tenta pedi-la em casamento.

A vida real é entremeado com os delírios de Molly, que se imagina em cenas de filme. Um dos momentos mais legais é quando ele vê a si mesma e seus amigos dentro do filme Mágico de Oz, fazendo um paralelo entre as características dos personagens do filme e eles.

The Starter Wife

Em outro, ela e Sam estão na cena final de Casablanca, onde a discussão do casal gira em torno do fato que Sam não quer um emprego formal ou, mesmo, morar em uma casa e não no cantinho de mato dentro do condomínio onde ele montou seu lar.

Entendam bem, o seriado não é uma comédia, longe disso, mas tem momentos bastante divertidos e a transposição para a tela de uma mulher que se anulou pelo marido e se vê ali, sem vida própria está bem feita.

Eu, pelo menos, em várias coisas me identifiquei com Molly. Os dois últimos episódios, principalmente, me tocaram bastante, principalmente no que se referia a sua amizade com Joan.

A sua busca por um novo caminho, ao ter a coragem de abandonar Lou, com quem estava a beira de se casar e que lhe havia trazido de volta tudo aquilo que ela tinha antes, o glamour, os convites, a agenda lotada e tudo mais.

The Starter Wife

E em abandonar Sam, com quem só ficaria se abdicasse, de novo, do que lhe era importante.

Me identifiquei com ela na cena em que ela e a filha entrar no restaurante usando mascaras de mergulho para ter um almoço de mocinhas.

Me identifiquei quando ela, a filha e Sam, o dois ficam juntos no final e, sim, ele arruma um emprego de verdade, entram na água.

Me identifiquei com ela quando ela olha o grande outdoor da Ponds que diz: 42, e mais esperta.

Espero também ser mais esperta quando chegar lá.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

5 Comentários


  1. Putz, nem sabia que iriam exibir o 5º e 6º episódios. O TELECINE é péssimo em divulgação de séries. O oposto da HBO.

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  2. Daniela,
    Lembrei de você na hora em que vi o anúncio do 5º e do 6º, mas eles só anunciaram quando o 4º tava acabando.
    Achei muita sacanagem também!
    Si

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  3. 5º e 6º?? Não sabia nem que iria ter o 4º…
    Si, tira uma dúvida… Não tinha um outro canal que também ia adquirir The Starter Wife? Só aí eu vou poder conferir a minissérie do jeito certo…

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  4. Marco,
    Parece que o A&E vai exibir a minisérie no começo do ano que vem. Eles costumam ser sérios quanto a transmissão dos seriados.
    Resta torcer
    Beijos
    Si

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  5. Gente, realmente peguei sem querer desde o primeiro episódio e assisti todos da maratona ! Não conseguia mudar de canal !
    Muito bom mesmo !
    Um grande abraço
    Marina

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