Cinema: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Quando o conhecido logo “mágico” da Warner Bros. Pictures deixa a tela somos levados de volta à Nova Iorque dos anos 20 e ao prédio da MACUSA (o Congresso Mágico dos EUA). Em uma de suas celas Gerardo Grindelwald (Johnny Depp), poucos meses desde que deixamos Newt, Tina, Queenie e Jacob.

Durante sua transferência para a Inglaterra Grindelwald fugirá – a sua fuga, em verdade, foi quase totalmente revelada nos trailers – e nossa nova aventura pelo mundo mágico de JK Rowling recomeça.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tem, desde o começo, um clima mais sombrio que o filme que o precedeu e é um filme sobre o vilão. Não são exatamente os crimes de Grindelwald que veremos, mas conheceremos melhor quem ele é e o veremos começar seu projeto de colocar bruxos e trouxas em guerra.

E não somente ele: são muitos os personagens, novos e “reapresentados”. E são muitos os cenários (Nova Iorque, Londres, Paris).

Talvez por isso o primeiro ato do filme (seu primeiro terço) seja tão confuso: tanta informação, tantas tramas e subtramas que eu tive medo de verdade de não gostar do filme.

Se a magia conhecida e querida está na tela – nos animais mágicos (em menor número), nos duelos de varinhas, nos ambientes – ela não é suficiente para desviar nossa atenção dos vários problemas de roteiro (jamais pensei que diria isso).

Talvez um dos maiores méritos de transformar os livros de Harry Potter em filmes tenha sido cortar os excessos por serem duas mídias diferentes (ainda que eu, como todo fã da série, ache que alguns cortes não deviam ter sido feitos). Ao escrever diretamente o roteiro, JK deixa que sobre coisas que não funcionam tão bem na tela. Talvez, com a ideia de encerrar este segundo filme com um gancho impactante (e eles se encerra assim), foi preciso contar mais do que seria possível fazer caber harmonicamente nas duas horas antes dele.

Para os fãs, é claro, é maravilhoso voltar a Hogwarts e reencontrar Dumbledore (em um trabalho excelente de Jude Law, que em entrevistas comentou ter reassistido aos filmes várias vezes para entender as nuances do personagem mais velho e tornar crível que o seu Dumbledore envelheça para o que já conhecemos). Além disso, Newt e Tina retornam como versões mais maduras das que conhecemos, Tina principalmente ganha muito com isso, ela está mais segura e destemida. Ah, e “a pelúcia” teve bebezinhos!

Infelizmente não posso dizer o mesmo de Jacob e Queenie: Jacob continua querido e divertido, mas aparece pouco, já Queenie destoa do que era no filme anterior, como tem o arco de crescimento mais prejudicado pelos cortes abruptos nas tramas.

Mas claro que o filme não tem somente defeitos: em seu segundo ato ele vai aparando arestas e deixando o que é realmente necessário e, em seu último ato, consegue ligar as pontas com eficiência e ainda garante que ninguém vai deixar de voltar para ver o próximo filme.

A escolha de Johnny Depp para o papel ainda é polêmica, mas é inegável que o filme é do seu personagem. Ainda que o visual me incomode (uma pegada vampiresca e tanta maquiagem que nos faz pensar se não seria possível realmente trocar o ator e ninguém perceber), ele mostra o quanto é bom em seduzir e convencer, dizer o que o outro quer ouvir – além de uma amostra do que é capaz quando o assunto é magia -, ao mesmo tempo em que não esconde seu desprezo pelas vidas que julga descartáveis.

Em Os Crimes de Grindelwald ele desenha seu plano de tirar a comunidade bruxa do esconderijo e mostra saber que precisa de um aliado o bastante forte para vencer a batalha. E tem certeza de que esse aliado é Credence, que de alguma forma sobreviveu a batalha contra os aurores em Nova Iorque e agora vive em Paris, em uma busca pela verdade sobre quem é.

Newt, a despeito de continuar parecendo a última pessoa a ser colocada atrás de um vilão deste tamanho, acaba sendo envolvido na difícil missão: porque Dumbledore acredita que ele possa fazê-lo, porque ele quer evitar que Credence siga o caminho errado ou seja morto (por Grindelwald ou pelo Ministérios da Magia, que coloca seu irmão Theseus e os demais aurores também atrás do garoto) e porque Tina está em Paris.

Quando o filme chega ao seu terço final, entendemos a escolha de Dumbledore, a importância de Newt, a forma como Grindelwald convence seu grupo, a escolha de Credence, a força dos bruxos, porque Paris. E um grande segredo é revelado após uma batalha de encher os olhos. E JK nos lembra o quão fascinantes são suas criações, mesmo que nem sempre sejam perfeitas.

O filme é estrelado por Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol e Ezra Miller, Zoë Kravitz, Callum Turner, Claudia Kim, William Nadylam, Kevin Guthrie, Carmen Ejogo, Poppy Corby-Tuech; com Jude Law e Johnny Depp.

 

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é dirigido por David Yates, a partir de um roteiro de J.K. Rowling. O filme é produzido por David Heyman, J.K. Rowling, Steve Kloves e Lionel Wigram. Tim Lewis, Neil Blair, Rick Senat e Danny Cohen são produtores executivos.

O filme reúne o time criativo do primeiro “Animais Fantásticos”, incluindo o diretor de fotografia vencedor do Oscar Philippe Rouseelot (“Nada é Para Sempre”), o designer de produção vencerdor de três Oscars Stuart Craig (“O Paciente Inglês”, “Ligações Perigosas”, “Ghandi”, franquia “Harry Potter”), a figurinista vencedora de quatro Oscars Colleen Atwood (“Chicago”, “Memórias de uma Gueixa”, “Alice no País das Maravilhas”, “Animais Fantásticos e Onde Habitam”), e o editor de longa data dos filmes de Yates, Mark Day (últimos quatro filmes “Harry Potter”). A trilha é do compositor indicado a oito Oscars James Newton Howard (“Um Ato de Liberdade”, “Conduta de Risco”, franquia “Jogos Vorazes”).

Com estreia marcada para 15 de novembro de 2018, o filme será distribuído mundialmente em versões 2D e 3D, em salas selecionadas; e IMAX, pela Warner Bros. Pictures, uma empresa da Warner Bros. Entertainment.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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