42ª Mostra | Hirokazu Koreeda, Jafar Panahi e Drauzio Varella são homenageados

O iraniano Jafar Panahi, cujo último filme, 3 Faces (indicado à Palma de Ouro e ganhador do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes), integra a programação da Mostra, é homenageado com o Prêmio Leon Cakoff. O diretor recebe o prêmio por seu cinema, em que observa singela e criticamente a realidade.

Panahi foi assistente de direção de Abbas Kiarostami em Através das Oliveiras (1994), vencedor do Prêmio da Crítica na 18ª Mostra. O Balão Branco (1995), seu primeiro longa-metragem na direção, recebeu o prêmio Caméra d’Or para novos diretores no Festival de Cannes. Dirigiu também obras como O Espelho (1997, 22ª Mostra, na qual foi membro do Júri Internacional), O Círculo (2000, 24ª Mostra), ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza, Ouro Carmim (2003, 28ª Mostra), Prêmio de Melhor Filme na mostra Um Certo Olhar em Cannes, e Fora do Jogo (2006, 30ª Mostra), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Em 2010, foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar ou sair do Irã por 20 anos sob a acusação de fazer propaganda contra o governo iraniano. No ano seguinte, realizou Isto Não É um Filme (2011), exibido na 35ª Mostra e que recebeu o Urso de Prata de Melhor Roteiro no Festival de Berlim. Também assinou a direção de Cortinas Fechadas (2013, 37ª Mostra) e Táxi Teerã (2015). Atualmente, o diretor segue impedido de deixar o Irã.

Concedido a personalidades que demonstram questões humanistas, sociais e políticas pertinentes ao seu tempo de forma corajosa e sensível, o Prêmio Humanidade desta edição da Mostra será concedido a duas pessoas: Hirokazu Kore-eda e Drauzio Varella.

Nascido em Tóquio, Japão, em 1962, Hirokazu Koreeda ganhou o prêmio Ozella d’Oro no Festival de Veneza pelo seu primeiro longa-metragem de ficção, Maborosi, a Luz da Ilusão (1995). É diretor de filmes como Depois da Vida (1998), Ninguém Pode Saber (2004), Hana (2006), Andando (2008), Air Doll (2009), um segmento do longa Kaidan Horror Classics (2010); e O Terceiro Assassinato (2017), todos exibidos na Mostra. Realizou ainda Pais e Filhos (2013), vencedor do Prêmio do Público de melhor filme de ficção estrangeiro na 37ª Mostra; e Depois da Tempestade (2016), ganhador do Prêmio da Crítica de melhor filme internacional na 40ª Mostra. Assunto de Família, seu filme mais recente, que recebeu a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, será exibido nesta edição do festival.

Médico e escritor paulistano, Drauzio Varella também recebe o tradicional Prêmio Humanidade, concedido pela sua capacidade em incentivar o debate sobre temas urgentes ligados à saúde e por sua contribuição social e cultural ao Brasil. Trabalhando como voluntário na Casa de Detenção do Carandiru, o médico colheu as histórias que, há quase 20 anos, ocupam o imaginário coletivo nacional. Seu best-seller Estação Carandiru, de 1999, desdobrou-se num longa e numa minissérie; Carcereiros, livro de 2012, originou a série homônima e, em breve, virará também um filme. Integram sua homenagem a participação dele na mesa Da vida à palavra; da palavra à imagem, que integra o II Fórum Mostra, e na exibição do curta Conversa com Ele, de Bárbara Paz.

No filme documental, o médico trava uma conversa hipotética com o amigo Hector Babenco, cineasta que faleceu em 2016. Conversa com Ele ganha projeção antes da exibição da cópia restaurada de Pixote – A Lei do Mais Fraco, de Babenco, no sábado (27/10), às 21h30. Varella recebe o prêmio antes da sessão.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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