Netflix: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres, ainda devastada pela Segunda Guerra, de 1946. Após o lançamento de um livro de modesto sucesso ela se vê as voltas com a necessidade de viajar pela país fazendo leituras em livrarias, a tentativa de viver uma vida normal entre os ataques de pânico causados pela lembrança dos bombardeios e das perdas que estes causaram e o namoro com um bonito soldado americano (Glen Powell).

É neste momento de sua vida em que tudo muda: da pequena ilha de Guernsey, no meio do Canal da Mancha, chega uma carta de Dawsey Adams (Michiel Huisman) contando como um livro com seu nome foi encontrado e acabou fazendo parte da história da Sociedade Literária e da Torta de Casca de batata de Guernsey.

Quando a ilha estava ocupada por alemães foi este clube que permitiu o que mais faltava a alguns dos moradores locais: mais que comida, eles buscavam por uma conexão que iluminasse aqueles tempos sombrios. Após receber a carta, Juliet resolve partir para a ilha e conhecer aquelas pessoas e entender melhor como os livros foram capazes de garantir a sanidade delas, ajudá-las a vencer o medo.

Esse é o tema central do livro, e agora filme da Netflix (estreou na última sexta-feira), Sociedade Literária e a Torta da Casa de Batata. O livro, um sucesso de 2009, teve sua adaptação anunciada em 2011 e eu era uma das integrantes ansiosas por seu lançamento.

Afinal, estamos falando de livros, Segunda Guerra e bondade humana, tudo que eu adoro ver em uma boa história.

E eu fico feliz em dizer que a adaptação funcionou: sim, o livro ser tornou mais romântico, mas vamos combinar que eles normalmente fazem isso (tá aí Comer Rezar e Amar que no filme virou quase que só amar como prova maior). Além disso, no formato de filme o período de “conhecimento” entre Juliet e os integrantes da sociedade foi consideravelmente diminuído.

Mas ele mantém o principal mérito do livro: nos lembrar que, do outro lado da guerra, também existiam pessoas boas (algo que também me apaixonou em Suíte Francesa, outro livro que acabou virando romance quando adaptado e, neste caso, não conseguiu manter sua essência).

E, mérito próprio, Mike Newell nos trouxe um filme rico em detalhes da época, com um elenco afiado e que consegue equilibrar as cenas e tramas mais tristes com momento de bom humor e esperança. Uma ótima adaptação, me arrisco a dizer.

 

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