Cinema: Para Sempre Chape

Para qualquer brasileiro, ainda é difícil lembrar sem lágrimas dos acontecimentos daquele recente 28 de novembro de 2016. Sem que pudesse se prever, o país acordou com uma notícia tão brutal quanto desoladora: o avião da LaMia (Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación) que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu a poucos quilômetros da cidade colombiana. Seria a maior tragédia da história recente brasileira, deixando a nação e o mundo todo em choque.

Cada um tem uma memória muito particular daquele dia. De onde estava quando recebeu a notícia, do quanto gostava do time, que vinha construíndo uma trajetória impecável em sua história, vindo da série D nacional para campeonatos internacionais em menos de dez anos. Nada poderia parar a Chape, não nesse mundo. E então, injusto e ultrajante como quase tudo quase sempre é quando se trata de futebol, até mesmo fora das quatro linhas, o avião em que o time todo estava caía, vitimando pais, filhos, maridos e amigos queridos.

Foram 71 a perder a vida no acidente, entre jogadores, equipe técnica, imprensa e tripulação da aeronave. Seis pessoas foram resgatadas com vida: os jogadores Alan Ruschel, Neto e Follmann, o jornalista Rafael Henzel, o técnico da aeronave Erwin Tumiri e a comissária de bordo Ximena Suarez. O goleiro Danilo também chegou a ser resgatado com vida, mas faleceu no hospital. Foi um acontecimento sombrio da nossa história, sob o qual ainda paira muita mágoa – mas, também, um sentido de esperança e força, que se fez presente após a tragédia.

A partir da catástrofe, a Chape precisou se reerguer como time e como principal figura de identidade de sua cidade e do seu estado, não só para honrar os que se foram, mas para manter fortes os que ficaram. Para honrar a memória daquele time que se foi e de tudo o mais que se perdeu naquele fatídico 28 de novembro, era preciso continuar.

E é sobre isso que se trata PARA SEMPRE CHAPE, documentário que busca contar a história da Chapecoense, não só pelo viés da tragédia que marcou o time, mas desde a sua fundação. Em forma de tributo, trazendo depoimentos de figuras importantes da história do clube, o filme de Luis Ara traça uma emotiva linha do tempo para contar a história do time que chegou meteoricamente ao seu auge no exato momento em que era engolfado pela tragédia.

O filme não intenciona apontar culpados para o fatal desastre aéreo, ocupando seu tempo em louvar aqueles que se foram e os que ficaram. Em ritmo que lembra muito os documentários feitos para a TV, Para Sempre Chape nem precisa apelar para nos fazer derramar litros de lágrimas: é tudo ainda tão doloroso, tudo tão triste e injusto, que choramos copiosamente durante quase todos os cento e poucos minutos do filme.

É uma homenagem merecida, delicada e respeitosa ao time que nos deu tantas alegrias e, até hoje, segue sendo um exemplo diário de superação. Ao transpassar o desastre de que foi vítima, a Chape nos ensinou e nos ensina, a cada dia mais. E essa é a mensagem maior que fica, de toda a tragédia. Para Sempre Chape, eterna em nossos corações. Para sempre valente, corajosa e repleta de amor.

Com produção realizada em Medellín/Colômbia; Chapecó/Brasil, Montevidéu/ Uruguai e Barcelona/Espanha, o longa tem direção, roteiro e produção executiva de Luis Ara. A distribuição é Arcoplex Cinemas, produção Trailer Filmes e produção associada de Susana Córdova. Para Sempre Chape chega aos cinemas brasileiros neste 09 de agosto.

Escrito por Tati Lopatiuk

Tati Lopatiuk é redatora e escritora em São Paulo. Gosta de romances em filmes, livros e na vida. Suas séries favoritas são Gossip Girl e Breaking Bad. Pois é.

Seus livros estão na Amazon e seus textos estão no Medium.

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