Cinema: Um Dia Para Viver

Com mais de 30 anos de carreira, o texano Ethan Hawke mostra saber dosar como ninguém os filmes “cabeça” com os blockbusters em sua filmografia. Basta observar que, na lista dos trabalhos do ator, para cada Grandes Esperanças há um Dia de Treinamento para contrabalancear. E assim, nos acostumamos a vê-lo ora nos fazendo chorar de emoção (a trilogia Antes do Amanhecer / Antes da Meia-Noite /Antes do Pôr-Do-Sol, Boyhood), ora nos fazendo tremer de tensão (Resgate em Alta Velocidade, Assalto à 13ª Delegacia, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, Good Kill – Máxima Precisão).

Em seu mais recente trabalho, Um Dia Para Viver, Hawke torna a pender a balança para o blockbuster de ação, recheado de violência, dramas morais e tiros. Na pele de um assassino profissional que ganha uma segunda chance quando seu empregador o traz de volta à vida temporariamente, Hawke é o anti-herói Travis Conrad. Em busca de redenção e para cumprir o trabalho para o qual foi pago, Conrad volta da morte após uma sinistra experiência de laboratório e tem 24 horas para realizar sua missão de uma vez por todas.

E, é claro, nessas curtas vinte e quatro horas vai sobrar tiroteio, perseguição de carros e muita pancadaria. Além de uma densa trama envolvendo os conflitos pessoais e morais do assassino Conrad, cujo passado doloroso é recente demais para fazê-lo ser alguém com esperanças de um futuro melhor. Hawke mais uma vez brilha nas cenas de ação, mostrando ainda ser o homem durão que aprendemos a amar em Dia de Treinamento, por exemplo. Para deleite dos fãs de ação, Um Dia Para Viver traz todos os ingredientes que fazem um bom thriller, com a vantagem de ter um roteiro inteligente como pano de fundo.

Falando em trama, para além do brilho de Hawke, é preciso destacar que Um Dia para Viver marca o primeiro longa-metragem de Brian Smrz como diretor. Smrz, que é amplamente reconhecido por seu trabalho de dublê em filmes de ação de sucesso, como X-Men: Apocalipse, Homem de Ferro 3, Planeta dos Macacos: A Origem e Duro de Matar 4.0″ conta que se interessou de cara pelo conceito único do roteiro, o que o levou a assumir o material quase imediatamente.

A ideia de ser trazido de volta à vida para se redimir é uma premissa muito interessante e eleva o filme. Jogando com amizade, traição, e honra, a película vai fundo na alma dos personagens, o que contribui para lançá-lo em posição de destaque diante dos tantos filmes de policial que vemos por aí. E nisso se entende a escolha de Hawke para o papel principal, sendo ele um ator com essa bagagem tão grande de drama por conta do lado cult da sua filmografia. Ao entrelaçar a narrativa pessoal da busca de redenção de um homem com cenas de ação de tirar o fôlego, Hawke, com a ajuda de Smrz, consegue por 90 minutos ou mais unir o melhor de dois mundos, o drama e o pop, em mais um de seus filmes que deve ocupar lugar de destaque em sua trajetória.

Com roteiro de Zach Dean, produção executiva de Kent Kubena e produção Fundamental Films, Thunder Road Pictures e Film Afrika Worldwide, Um Dia Para Viver tem distribuição brasileira Playarte Pictures e chega aos cinemas do país neste 07 de junho.

Escrito por Tati Lopatiuk

Tati Lopatiuk é redatora e escritora em São Paulo. Gosta de romances em filmes, livros e na vida. Suas séries favoritas são Gossip Girl e Breaking Bad. Pois é.

Seus livros estão na Amazon e seus textos estão no Medium.

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