Knightfall traz os Templários de volta ao History Channel

Se as grandes guerras e a realeza britânica inspiraram (e inspiram) livros, filmes e séries, o que dizer dos Templários? Em algumas versões (mais próximas da história real) eles são homens devotados a Deus que se tornaram guerreiros para defender sua fé e com isso obtiveram dinheiro e fama, incomodando poderosos até serem extintos. Para outros eles ainda existem como uma sociedade secreta, algumas vezes retratados como heróis, em outras como vilões.

O que é inegável é o fascínio que suas histórias tem, o que acaba por alimentar tudo isso. E quase todas acabam de alguma forma ligadas ao Santo Graal. A taça usada por Jesus Cristo na última ceia ou usado para coletar seu sangue quando ele foi crucificado? Ou o sangue do próprio Cristo passado por gerações como Dan Brown escreveu em seu grande sucesso O Código Da Vinci? Ou o caldeirão das lendas celtas citado nas lendas do rei Arthur?

Pois nesta quinta, dia 22 de fevereiro, as 22h40, uma nova versão dessas histórias, unindo fatos e ficção, chega com exclusividade ao History: Knightfall: A Guerra do Santo Graal. Mais uma produção original do grupo A+E Studios, a série conta com 10 episódios em sua primeira temporada.

A série se inicia quando, após serem derrotados em uma batalha sangrenta, os Cavaleiros Templários são obrigados a deixar o Oriente Médio e retornar à Europa; sua luta para reencontrar o Santo Grall e retornar a Terra Sagrada e a perseguição que sofreram de reis e então da igreja até sua queda final (em uma sexta-feira 13, da onde surgiu a associação do dia com a má sorte).

Inteiramente filmado na República Tcheca e Croácia, o drama é protagonizado por Tom Cullen (de Downton Abbey, aqui provando o quanto uma barba pode melhorar as coisas) no papel de Landry, cavaleiro que acaba por se tornar líder do grupo e que fará da busca pelo Santo Grall sua missão de vida.

“Knightfall é um drama com conteúdo histórico em que a história e o drama são igualmente considerados”, destaca Dan Jones, historiador e escritor, que atuou como consultor para a série e de quem eu já falei aqui no blog indicando sua série de documentários sobre os castelos britânicos.

Ele acrescenta: “É uma história sobre o que considero ser a parte mais interessante sobre os templários: a queda da ordem e como foi derrubada por um ataque dirigido pela campanha e liderado pelo rei Felipe da França. O drama histórico hoje em dia está muito focado nas histórias originais, mas Knightfall conta a história dos templários no seu final. A série acompanha as vidas e experiências de um grupo de templários em Paris, que sonham em voltar a seus papéis anteriores. No primeiro episódio, descobrimos que o Santo Graal (um artefato mitológico estreitamente relacionado com os templários ao longo da história) desaparece; isto inicia a ação dos nove episódios seguintes. É uma história muito humana, com muitos personagens projetando suas próprias esperanças e temores ao encontrar o Graal”.

Além de Cullen, os fãs de séries reconhecerão outros rostos do elenco: Pádraic Delaney (The Tudors), Jim Carter (Downton Abbey), Ed Soppard (The Crown), Julian Ovenden (Downton Abbey) e Sabrina Barlett (Da Vinci Demons)

O primeiro episódio da série, que tive a oportunidade de assistir ontem, tem a difícil tarefa de apresentar muitos personagens e nos transportar ao século 14. Ele começa com uma grande batalha (ainda que não tão grandiosa como as de O Último Reino, por exemplo) e então tem um corte súbito para a Paris em dificuldades financeiras do século XIV, onde os Templários não guerreiam, mas fazem reuniões.

Por conta disso o episódio no início carece de uma melhor edição ou continuidade, parecendo por vezes confuso (na verdade vimos isso também nos primeiros episódios de Vikings, ainda que hoje nos esqueçamos depois dela ter se tornado o que é), mas encontra seu caminho.

Além da falta de dinheiro do rei, fica claro o clima de tensão na cidade: um povo pobre e com fome se torna violento e difícil de ser manobrado. E, mais que tudo, busca um culpado para seu sofrimento – o que um político não hesita em lhes dar, ainda mais se isso pudesse significar dinheiro para o “monarca”.

Neste ponto a continuidade se torna mais clara, como um daqueles jogos em que colocamos as peças de dominó em pé para depois fazê-las cair, vemos boas intenções sendo deixadas de lado, manobras sendo realizadas, mentiras sendo contadas, até uma nova uma cena de batalha sangrenta próximo do final do episódio, o que também traça uma linha clara entre mocinhos e bandidos, para quem devemos torcer e quem devemos temer.

Os cortes das batalhas são bem feitos e o uso de câmeras dentro dos capacetes dos cavaleiros ao mesmo tempo fascina e nos causa claustrofobia. Ainda que o excesso dos personagens dificulte a conexão, é inegável que Landry demonstra força e determinação (não quando o quesito é resistir a um rabo de saia, no entanto) e alguns personagens secundários despertam curiosidade e simpatia imediata – como a personagem de Sabrina Barlett, uma sobrevivente, ou o jovem Parsifal (Bobby Schofield).

Finalmente, o episódio nos dá o grande gancho para voltar na próxima semana: depois de ver o barco que levava o Santo Graal ser destruído na fuga de Acre 15 anos antes, um Landry cansado da política, e saudoso da vida de guerreiro, encontra a primeira pista que pode levar a recuperação do grande tesouro cristão.

Eu diria a vocês que estou bastante entusiasmada em relação aos próximos episódios.

 

 

Knighfall é uma produção de A+E Studios em associação com The Combine, Island Picture e Midnight Radio. Don Handfield (O Recomeço, The Founder, O Mensageiro) e Richard Rayner (Absolutamente Los Angeles) são os criadores e produtores executivos para a The Combine, junto a Jeremy Renner, também produtor executivo (Trapaça, Guerra ao Terror) – indicado a um prêmio Oscar® e ao Golden Globe®. Dominic Minghella da Island Pictures (Doc Martin, Robin Hood) participa como produtor executivo e showrunner. Por sua parte, os produtores executivos para Midnight Radio são Jeff Pinker (Lost, Fringe), Andre Nemec (Alias, Missão Impossível: Protocolo Fantasma) e Scott Rosemberg (Jumanji: Bem-vindos à Selva, Brincando de Seduzir). Barry Jossen e Douglas Mackinnon participam como produtores executivos. Arturo Interian é o executivo encarregado da produção por parte do History. A+E Networks tem os direitos mundiais de distribuição de Knightfall.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *