Cinema: Uma Razão Para Viver homenageia conquitas de Robin Cavendish

Respire (Breath). Esse é o nome original de Uma Razão Para Viver, longa que marca a estreia de Andy Serkis na direção e que retrata a batalha de Robin Cavendish e sua esposa depois que o jovem inglês contrai pólio na África em 1959. Eram tempos que doentes da doença estavam condenados a passar o restante de suas vidas, quase sempre curtas, presos a uma cama no hospital.

Respire. Essa palavra, esse comando, é repetido algumas vezes pela esposa de Robin (que aqui ganha o rosto de Adrew Garfield). Diana (interpretada pela linda Claire Foy de The Crown) se recusa a aceitar o destino infeliz que traçaram para seu jovem marido e se torna a força que o mantém vivo. Mais que isso, se torna a força que o faz querer viver.

Porque sim, o primeiro desejo de Robin, então com 28 anos, é morrer. A determinação de sua esposa e a sorte que coloca em seu caminho o amigo inventor Teddy Hall (Hugo Bonneville de Downton Abbey) são fundamentais para que ele faça algo além de sobreviver: Diana busca uma casa que permita que ele viva melhor e praticamente o sequestra para fora do hospital, enquanto Teddy vai criar uma cadeira de rodas revolucionária que, carregando o respirador de que Robin depende, vai permitir que ele saia de casa e até mesmo viaje para outros países, algo impensável para a época.

Andrew Garfield comprova mais uma vez sua versatilidade e nos entrega um charmoso e irresistível Cavendish, já Claire Foy consegue dar ao mesmo tempo força e doçura à sua personagem.

Produzido pelo filho de Cavendish, o filme ressalta as conquistas que seus pais realizaram, mas minimiza ou ignora as dificuldades: se em um momento vemos que Diana e Robin não tem dinheiro para pagar uma babá para o filho, nos seguintes o assunto é esquecido e a forma como conseguiram se manter apesar dos dois não poderem trabalhar é ignorada. Claire é retratada quase como uma heroína, devotada ao marido pouco vemos do que estas limitações e dedicação fizeram com ela.

Isso não é novo, na adaptação de A Teoria de Tudo para o cinema o mesmo aconteceu.

No lugar delas temos um retrato do começo da luta para que as vítimas da doença por visibilidade e autonomia e a constatação de quanto os amigos e os irmãos de Diana foram importantes a cada passo da jornada – fosse como braços para garantir que Robin pudesse ir de um lado a outro, seja atravessando metade da Europa para ajudá-lo quando seu respirador é queimado em uma viagem à Espanha.

Já quando o filme aborda o desejo de Robin de acabar com sua vida, após anos de sofrimento por conta de problemas nos pulmões decorrentes do uso prolongado do respirador, o assunto é tratado de forma delicada: silêncios e olhares falam mais alto.

A despeito de suas ausências, que não chegam a ser defeitos gritantes, o roteiro e interpretações fazem a conexão entre espectador  e os personagens e é impossível não se emocionar.

Uma Razão Para Viver estreia hoje no circuito nacional, com roteiro escrito por William Nicholson (Gladiador), o filme foi escolhido para abrir BFI London Film Festival em 2017 e tem distribuição da Diamond Films.

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