Cinema: Entre Irmãs

O diretor brasiliense Breno Silveira é um contador de histórias brasileiras. Depois de contar a história da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano em Os Dois Filhos de Francisco (2005) e de Gonzaga e Gonzaguinha em Gonzaga de Pai Pra Filho (2012), ele agora coloca no centro de seu novo longa as irmãs Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano), órfãs que vivem em um vilarejo no Nordeste na década de 1920.

O filme que estreia na quinta, 12 de outubro, em circuito nacional é uma adaptação do livro A Costureira e o Cangaceiro, de Frances de Pontes Peebles, mas também poderíamos dizer que bebe inspiração na história de Maria Bonita, mulher de Lampião.

As irmãs Emília, 13 anos, e Luzia, um ano mais nova, vivem em Taquaritinga, sertão pernambucano, na década de 20. Em uma brincadeira enquanto estão em cima de uma mangueira, Luzia cai e fica entre a vida e a morte. Luzia sobrevive, mas fica com um braço machucado que lhe valerá o apelido de Vitrola. Criadas pela tia Sofia as duas aprendem a costurar e que sempre poderão contar uma com a outra.

Mas também aprendem que irmãs podem ser muito diferentes: enquanto Emília sonha com o príncipe encantado e a cidade grande, Luzia encara a vida de forma mais fria, até mesmo pessimista.

E sem medo. Tanto que é a primeira a encarar o cangaceiro Carcará quando este chega a cidade: “Não tenho medo de nada, eu já morri uma vez.” E, para proteger a irmã e a tia ela segue com o bando como costureira.

Já Emília conhece Degas, estudante de Direito recém-chegado da capital para visitar o amigo Felipe, filho do fazendeiro. Ele realiza o sonho da garota que, ao se casar, muda-se para Recife.

Com destinos tão diferentes, poderíamos acreditar que as vidas das duas irmãs não se cruzariam mais, só que nesta história, como na vida, o destino prega peças. As duas irmãs descobrem que as escolhas que fizeram tem preço, mas também tem ganhos, ainda que não seja da forma como esperavam.

As duas enfrentarão tempos difíceis em geral, a ditadura endurecia no Brasil, e tempos especialmente difíceis para as mulheres.

A história das duas irmãs é com certeza emocionante, mas o filme peca pela duração (são quase três horas de história).

Do outro lado, o elenco é sua maior qualidade. As atrizes principais conseguem transmitir com cuidado e sinceridade as mudanças, dores e conquistas pelas quais as duas personagens passam ao longe de toda uma vida. Isso, a fotografia valorizando a paisagem árida e os prédios históricos do Recife mais uma roteiro inspirado são o que fazem o filme merecer ser visto.

E conta como mais um acerto neste 2017 em que o cinema nacional pareceu renascer em variedade de temas, estilos, abordagens, sempre com qualidade.

Entre Irmãs chega aos cinemas no próximo dia 12 de outubro e é uma produção Conspiração Filmes, coprodução Globo Filmes com distribuição Sony Pictures e codistribuição H2O Films.

O livro A Costureira e o Cangaceiro foi lançado em 2010 pela Nova Fronteira e não tem novas edições já há alguns anos. Apenas edições usadas são encontradas hoje para venda.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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