A Menina Índigo aborda problemas modernos entre gerações

O final dos anos 90 e início dos anos 2000 foram marcados por vários livros e reportagens sobre as crianças índigo, crianças nascidas nestas novas gerações que teriam habilidades especiais, maior sensibilidade, mais empáticas e éticas – sim, eu tenho uma filha nascida em 2003 e na época era praticamente obrigatório ler sobre isso.

A classificação tem sido rejeitada por pediatras e muitos pedagogos, mas foi abraçada pela parapsicologia e acabou por consolar muitos pais, já que a teoria explica o comportamento de crianças tratadas como hiperativas ou diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e para as quais são sugeridas soluções em formas de pílulas em caixas de remédio com tarja preta.

A Menina Índigo, produção nacional de Wagner de Assis (de Nosso Lar) que estreia no dia 12 de outubro, retoma ao tema acrescentando a ele aspectos espíritas e colocando no centro da tela a pequena Sofia (Letícia Braga), uma menina de sete anos que apresenta comportamento considerado fora do padrão, na escola e em sua relação com os adultos.

Sua mãe (Fernanda Machado), a executiva Luciana, claramente tem tido problemas em lidar com o comportamento da menina e acaba entregando os pontos quando esta pede para morar com o pai, Ricardo (Murilo Rosa), um jornalista que está envolvido em uma reportagem sobre o envolvimento de empresários no suborno a senadores.

Com a filha em casa e após presenciar a resistência desta em voltar à escola após um incidente em que claramente diretora, professora e pedagoga se mostraram incapazes de conduzir, Ricardo busca respostas com médicos, mas apenas coleciona diferentes diagnósticos e receitas.

Em meio a isso descobre que algumas pessoas acreditam que a menina pode curá-las apenas usando suas mãos, novidade que não demora a chegar a ouvidos não tão desinteressados. O espiritismo é a religião que mais aceita os aspectos especiais das crianças índigo, inclusive porque parte delas apresenta dons sobrenaturais.

Ricardo também tem de lidar com o fato de que o nome de seu pai, com quem ele tem uma relação bastante conturbada, apareceu em meio às suas investigações sobre o caso de corrupção.

Sim, tem bastante coisa acontecendo e talvez esse seja o maior defeito do filme: para conseguir dar conta de falar da “indústria da ritalina” e a inadequação das escolas às necessidades diferentes de cada criança, o dom paranormal da menina e a questão da corrupção, o filme acaba abordando tudo de forma muito superficial.

Ele aponta os erros em não observarem o que a menina lhe diz através de suas atitudes e da tendência em colocar as pessoa sem caixinhas, mas não aprofunda a questão, na verdade nem chega a explicar ao certo o que seriam essas crianças índigo – ainda que na vida real também existam muitos questionamentos sobre as características dessas crianças. Além disso, a forma como algumas cenas foram conduzidas, de maneira a dar continuidade à trama ou aumentar a tensão, fazem com que as coisas fiquem forçadas demais.

O final do filme tenta concluir todas as tramas conduzidas em apenas um ato de mensagem positiva, que com certeza agradará boa parte do público, mas não conseguiu apagar minha sensação de frustração.

A Menina Índigo estreia nos cinemas no próximo dia 12 de Outubro, tem direção de Wagner de Assis e em seu elenco Murilo Rosa, Fernanda Machado, Letícia Braga, Paulo Figueiredo, Xuxa Lopes, Eriberto Leão e Luiz Antonio Pillar. Conta, ainda, com a participação especial Renato Prieto, Andrea Veiga e Nizo Neto. A distribuição é Cinética Filmes e Produções.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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