It – A Coisa: Você tem que ver!

Algumas vezes nas cabines de imprensa, quando assistimos a filmes e séries antes deles entrarem em cartaz, temos que assinar um embargo, o que significa que não podemos publicar nada sobre o que vimos até determinado horário e data. Pois devo dizer que, mais de onze anos de blog nas costas, não lembro de uma cabine com tantas reclamações por conta de um embargo como a de It –  A Coisa.

Isso porque a vontade de todos, todos mesmo, era simples dizer, assim que deixou a sala de cinema: assista It – A Coisa, o elenco é ótimo, Pennywise está sensacional, a trilha sonora é perfeita (até New Kids On The Block tem), os sustos são daqueles de tirar da cadeira, os anos 80 estão mais atraentes do que nunca, a fotografia é impecável e a história, ah, a história!

It – A Coisa leva para a tela o que eu sempre mais gosto nas obras de Stephen King: aquele suspense que é muito mais decorrente de nossos próprios medos do que de monstros incompreensivos em uma história muito bem construída.

A nova versão cinematográfica, dirigida por Andrés Muschietti (Mama), chega ao cinema exatamente 27 anos após a primeira, o que mexeu ainda mais com os fãs da obra original, que apresenta duas linhas temporais separadas exatamente pelo mesmo número de anos.

Nesta adaptação, estamos no final dos anos 80 e somos apresentados ao Clube do Otários (Perdedores): Bill Denbrough (Jaeden Lieberher, Destino Especial), Richie Tozier (Finn Wolfhard, Stranger Things), Stanley Uris (Wyatt Oleff, Guardiões da Galáxia), Mike Hanlon (Chosen Jacobs, Cops and Robbers) e Eddie Kaspbrak (Jack Dylan Grazer, Tales of Halloween). Em poucos minutos de filme o gruo receberá o acréscimo bem vindo de Beverly Marsh (Sophia Lillis, 37) e Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor , Alvin e os Esquilos: Na Estrada).

Em comum o fato de serem aqueles que preferem não ser notados pelos colegas, já que isso significa sofrer e o sofrer quase sempre estar relacionado a Henry Bowers (Nicholas Hamilton, Capitão Fantástico), o grandalhão que desconta neles os próprios problemas.

Henry deixará de ser tão assustador quando eles perceberem que existe algo pior lá fora, algo que está fazendo com que as crianças desapareçam, entre elas o irmão mais novo de Bill. É o tímido Ben que faz a ligação entre esses desaparecimentos e episódios do passado da cidade – onde nenhum adulto parece ser de confiança.

Esse algo pior tem a forma de Pennywise, um palhaço (que poderá ser outra coisa se você tiver mais medo dela, provando que a forma é a menor das questões). Bill Skarsgård (A Série Divergente: Convergente, série Hemlock Grove) entrega um vilão assustador e que nos dá uma nova dimensão do que seria a loucura, são trejeitos e olhares perturbadores.

Na verdade é o fato de susto e loucura se intercalarem que tornam It – A Coisa tão bom: uma sensação constante de montanha russa, você pula da cadeira para em seguida dar aquela risada solta. Você torce para que o vilão seja derrotado, mas não deixa de aproveitar cada nova aparição dele. Você verá que as escolhas de roteiro e direção foram acertadas: o filme é sim assustador, mas não é isso que fica quando o filme termina – ele é muito mais que uma sequência de efeitos para assustar os espectadores. 

A empatia pelos personagens principais é a chave, além de, no meu caso, a nostalgia por um tempo de mais inocência em que as dores do crescimento vinham junto com o prazer das novas descobertas: as crianças do filme lidam com problemas reais que desestruturam muito adulto, mas justamente por sua inocência se sentem capazes de vencer isso e mais o mistério que se esconde nos bueiros da cidade.

O foco no grupo de garotos, e não no vilão, é o maior mérito do filme: Pennywise precisa ser derrotado, pouco importa o que ele seja, e queremos ver como o Clube dos Otários fará isso.

Ah, não fomos só nós a nos empolgarmos na sessão de cinema: Stephen King declarou ter adorado a adaptação, na verdade ele disse que “não estava preparado que ficasse tão bom.”

Andrés Muschietti dirige IT – A Coisa a partir do roteiro adaptado por Chase Palmer & Cary Fukunaga e Gary Dauberman. Dan Lin, Roy Lee, Seth Grahame-Smith, David Katzenberg e Barbara Muschietti são os produtores, e Marty P. Ewing, Doug Davison e Jon Silk assinam a produção executiva.

A competente equipe de criação por trás das câmeras inclui o diretor de fotografia Chung-Hoon Chung (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer), o desenhista de produção Claude Paré (Planeta dos Macacos: Origem), o editor Jason Ballantine (O Grande Gatsby) e a figurinista Janie Bryant (série Mad Men).

Uma produção da New Line Cinema, IT – A Coisa chega aos cinemas neste 7 de setembro de 2017 no Brasil, com distribuição da Warner Bros. Pictures, empresa da Warner Entertainment Company.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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