Os Guardiões traz os super humanos… da Rússia

Nesta quinta, dia 31 de agosto, estreia no Brasil Os Guardiões  (Zaschitniki), dirigido por Sarik Anfreasyan e com roteiro de Andrey Gavrilov, e contando ainda com as participações de Valeriva Shkirando (como a Major Elena Larina), Anton Pampushnyy (como Arsus), Sanjar Madi (como Khan), Sebastien Sisak (como Ler) e Alina Lanina (como Kseniya).

Com o perdão do trocadilho, mas sem deixar de fazê-lo: é ruço falar sobre cinema russo, pois os camaradas soviéticos não são exatamente conhecidos por seus filmes. Sim toda regra tem exceção, eu sei, mas não estamos falando aqui de O Encouraçado Potemkin e nem Solaris (o do Tarkóvski, não o do Soderbergh).

Prontos?

Então vamos lá:

Misture em partes iguais Os Vingadores e X-Men, acrescente uma xícara de O Quarteto Fantástico (qualquer um deles) com outra de Esquadrão Suicida e bata tudo num liquidificador. Antes de levar ao forno, adicione algumas pitadas de Os Guardiões da Galáxia, Agentes da SHIELD e Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Esqueci algum filme de super-herói? Não há problema: acrescentar, a gosto, o que lhe convier. Asse em fogo alto e enquanto aguarda, torcendo para a receita dar certo, abra uma garrafa de Vodka.

Você vai precisar dela.

Concebido para ser um blockbuster de super-heróis russos, o filme patina naquilo à que se propõe e deixa um gostinho de decepção.

A trama gira em torno de um grupo de pessoas com poderes especiais, vítimas de experimentos genéticos na União Soviética durante a Guerra Fria que visavam transformá-los em armas. Nos tempos atuais, quatro deles são reunidos pelo governo, através de uma agência de inteligência russa ultra-secreta chamada “Patriots”, a fim de combaterem o vilão, que é justamente o cientista (louco, claro) responsável pelo desenvolvimento de seus “dons”.

Por que ele deve ser combatido? Ah, porque ele mesmo acabou sendo vítima de um experimento malsucedido, se tornando um super-híper-bombado com poderes in-crí-veis e in-ve-cí-veis! De quebra, também ganhou a capacidade de interpretação digna de uma porta de madeira maciça, mas isso é outro detalhe.

E, como não poderia deixar de ser, como um bom cientista louco que se preze, ele quer conquistar primeiro a Rússia, e depois o mundo.

Você já viu isso em algum lugar, não é verdade?

O grande problema do filme não é nem o uso de clichês, mas como o roteiro os utiliza: a trama não se aprofunda nos personagens e os diálogos são formais e superficiais. Mesmo as cenas de ação poderiam ser melhor trabalhadas e talvez um pouco mais longas e empolgantes. Quem sabe assim não ficássemos com a impressão que tudo precisa ser resolvido rapidamente. Do outro lado, o filme tem a duração de apenas 89 minutos, mas parece mais longo.

O resultado final é que não criamos empatia pelos personagens, um quê de entretenimento sem comprometimento. Nunca fica totalmente ruim, mas a sensação de decepção está lá.

E os efeitos especiais? Bem, algumas coisas funcionam bem, outras nem tanto, principalmente quando falamos de Arsus: quando fica nervoso o personagem se transforma em um urso. Isso, você entendeu bem, urso. Você pensou que ele ia ficar verde ou de alguma outra cor? Não, de jeito nenhum! Falamos de um filme russo e, se é russo, nada melhor que um urso patriota para salvar a “mamãezinha Rússia”, certo?

Como acerto vale citar a edição sonora. A trilha é grandiosa nos momentos certos e a canção tema é muito bonita, foi mesmo interessante ouvir rap russo, mesmo sem entender absolutamente anda do que era dito.

Vale a pena ver como curiosidade, para uma olhada no que anda sendo feito por aqueles lados do planeta. Mas talvez seja interessante fazê-lo na companhia da garrafa de vodka de que falei lá em cima. Ela pode ajudar.

PS: Um detalhe pode incomodar: o filme é russo, dublado em inglês e com legendas em português.

Escrito por Carlos Miletic

Apaixonado por literatura e cinema, não resiste a um filme de terror, muito menos a um livro de mistério. John Wick é seu modelo e Stephen King o seu pastor.

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