Annabelle 2 – A Criação do Mal não é imprevisível, mas capricha nos sustos e suspense, entregando um ótimo filme

Sempre gostei de parques de diversão. E dentro deles a cereja do bolo, para mim, era andar na montanha russa. Invariavelmente era a última atração em que eu queria ir. Adorava aquela sensação de ansiedade de estar na fila esperando a minha vez. Ficava ouvindo o barulho das rodas nos trilhos e o grito das pessoas que já estavam lá dentro. A sensação de frio na barriga depois de sentar no carrinho e ouvir o “click” da trava de segurança. Essa sensação se intensificando conforme ele começava a subir lentamente para a parte mais alta, fazendo com que eu visse as pessoas lá embaixo pequenininhas, como formigas. E então vinha a primeira descida e aí começava aquela sensação de medo durante todo o trajeto, que não durava nem um minuto, até o término, quando eu sentia aquela freagem brusca e novamente a sensação de estar em segurança. A sensação de alívio se instalando por tudo ter terminado. Logo depois do “sofrimento” (assim, entre aspas mesmo) vinha a vontade de repetir tudo de novo, assim que possível, aumentando ainda mais o ritmo.

Para quem gosta deste tipo de emoção como eu, Anabelle 2 – A Criação do Mal, que estréia no próximo dia 17 nos cinemas brasileiros é um prato cheio. Não é um filme imprevisível, mas diverte e entrega aquilo à que se propõe. O suspense está lá e os sustos também. E você vai se identificar e torcer pelas protagonistas. Além do mais, é um daqueles raros casos em que a sequencia supera o original – o primeiro filme, Anabelle (2014), um spinoff do filme Invocação do Mal (The Conjuring, de 2103).

A história aqui ocorre antes dos eventos do primeiro filme e a ideia é contar sobre o surgimento da assustadora boneca. Para isso, nada melhor do que uma atmosfera cheia de mistérios:a casa do casal Samuel Mullins (Anthony LaPaglia) e sua esposa Esther (Miranda Otto), ele um fabricante de brinquedos, que perderam sua filha de 7 anos de idade em um trágico acidente ocorrido doze anos antes.

Os dois bondosamente oferecem abrigo a um grupo de garotas órfãs acompanhadas da freira Charlotte (Stephanie Sigman) quando o orfanato em que todas moravam fecha. Dentre o grupo de meninas duas delas se destacam das demais – até por serem mais novas e acabarem excluídas pelas meninas mais velhas: Janice (Talitha Bateman) e Linda (Lulu Wilson).

São as duas que percebem primeiro as coisas estranhas que começam a acontecer na casa, divididas entre o medo e a curiosidade.

E são as duas o grande destaque do filme: além de estarem muito bem em seus papéis, é impossível não notar a química entre elas. Ainda: se aparentemente as duas estariam em desvantagem para enfrentar o que quer que esteja acontecendo (ainda mais considerando que Janice sofre de poliomielite e tem dificuldade de andar), elas mostram desde o início que são inteligentes e capazes, o que garante que a audiência torça por elas desde o primeiro minuto.

Junte a isso ótimos sustos, com um uso bastante acertado de nossa boneca vilã, e um suspense crescente e você tem um grande filme.

O filme também acerta ao deixar o casal vivido por Anthony LaPaglia e Miranda Otto em segundo plano, quase que ignorados. Ao longo do filme percebemos que eles sabem mais do que é apresentado, mas como o foco está no grupo de órfãs, a audiência tem que descobrir as coisas por si só, junto com elas.

 

O longa, produzido por James Wan (que virou sinônimo de filme de terror de qualidade) e dirigido por David Sandberg, que anteriormente dirigiu o bom filme Quando as luzes se apagam (Lights Out, de 2016), faz parte do universo mitológico composto também pelos filmes Sobrenatural (Insidious, de 2010; Insidious 2, de 2013 e Insidious 3, de 2015), Invocação do Mal (The Conjuring, de 2013 e The Conjuring 2 de 2016) e do qual ainda farão parte os já anunciados The Conjuring 3, The Nun e The Crooked Man.

Nos EUA o resultado da primeira semana do longa nas bilheterias superou as expectativas e, com base nos resultados da pré-estreia na quinta, estimasse que o final de semana se encerre com Annabelle 2 superando seus companheiros de universo de terror – alcançando no mínimo US$ 40 milhões em bilheteria.

A dica é ficar de olho nas cenas pós-créditos, que oferecem um pouquinho do que vem por aí nos novos projetos.

Escrito por Carlos Miletic

Apaixonado por literatura e cinema, não resiste a um filme de terror, muito menos a um livro de mistério. John Wick é seu modelo e Stephen King o seu pastor.

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