Os Meninos que Enganavam Nazistas conta de forma delicada a tocante história de uma família judia

São muitas as histórias de fuga e desespero na Segunda Guerra Mundial, especialmente para as famílias judaicas que viram suas vidas reviradas de forma trágica. Uma dessas famílias era a família Joffo, vivendo na Paris que viria a ser ocupada pelos nazistas de forma rápida. Uma família que já tinha em sua história o registro de deixar sua casa e que, por isso, identificou os sinais de que teria de fugir antes de outras famílias.

A história desta fuga foi escrita por Joseph Joffo, o mais novo dos irmãos, em um livro que se tornou best-seller na Europa e que ganhou a cuidadosa adaptação que estreia nos cinemas nacionais nesta quinta-feira, dia 03 de agosto.

Ao perceberem os sinais de que as coisas para a família ficariam difíceis, os pais de Joseph traçaram um plano de fuga: primeiro enviaram os dois filhos mais velhos por estradas menores; depois seus dois filhos mais novos, Maurice e Jojo, com um mapa e dinheiro para as passagens de trem e, somente então, os dois deixaram a cidade.

Os dois meninos ainda usavam calças curtas e pela primeira vez estavam longe dos pais, contando com a sorte e a bondade de poucos, praticamente atravessaram o país para chegar até a Zona Livre, no Sul da França.

A produção franco-canadense dirigida por Christian Duguay (Hitler) foca no caminho realizado por eles com as belíssimas paisagens do interior francês como cenário – a fotografia do filme merece destaque – e Dorian Le Clech e Batyste Fleurial, que interpretam Jojo e Maurice respectivamente, conseguem carregar muito bem a missão de protagonistas.

Ainda que, esperadamente, triste, o roteiro trata com delicadeza as múltiplas perdas que a família sofre, primeiro nos apresentando à sua vida comum na cidade de Paris, onde eles tem casa, amigos, trabalho. Depois por conta das pessoas que encontram pelo caminho disposta a ajudá-los, mas que partem, seguindo suas próprias vidas.

Além disso, também como era de se esperar, coloca tais perdas lado a lado com a própria perda da inocência por parte dos meninos.

Acima de tudo, porém, edição e roteiro nos lembram que Jojo e Maurice não estão inteiramente sozinhos, eles tem um ao outro e uma amizade que nos faz acreditar que seu destino pode ser melhor do que o da maioria das pessoas presas na mesma situação.

Se o filme tem defeitos é porque ele cria curiosidades que não são saciadas: ao optar por centrar nos dois irmãos, ficamos sem saber o que acontece na jornada dos demais parentes e mesmo quando existem reencontros não se perde tempo com explicações; ainda, para quem buscar um filme que mostre mais da guerra, ela é apenas um relance, uma sombra atrás da jornada dos meninos com exceção quando efetivamente são colocados para fazer o que o título nacional (melhor que o original francês que não nos traia sentido) diz deles.

Do outro lado, apesar da temática e da esperada tristeza, o clima geral do filme é de esperança, seja nas brincadeiras infantis que Jojo e Maurice conseguem manter, seja pelos pequenos momentos de alívio que eles sentem ao escaparem (que nós sentimos também). É uma forma diferente de nos mostrar os dramas vividos por aquelas família. Um filme simples, mas que vale a pena ser conferido.

Ficha técnica:

Direção: Christian Duguay
Roteiro: Jonathan Allouche, Benoît Guichard e Christian Duguay

Elenco: Dorian Le Clech, Batyste Fleurial Palmieri, Patrick Bruel, Elsa Zylberstein e Ancelier Bernard Campan

Serviço do livro:

Os Meninos Que Enganavam Nazistas

Autor: Joseph Joffo

Tradução: Fernando Scheibe

Páginas: 320

Formato: 16 x 23

Acabamento: brochura

ISBN: 978-85-8286-410-4

Preço: R$ 44,90

Editora: Vestígio – Grupo Autêntica

 

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