Antes que eu vá é um filme tocante

Se eu ficarei vivendo o mesmo dia de novo e de novo, eu quero que ele signifique algo… E não somente para mim.

Um mesmo dia que se repete indefinidamente. Nós já vimos isso antes em Feitiço do Tempo – aquele clássico que todos vemos incontáveis vezes também – e essa é a premissa de Antes Que Eu Vá, adaptação do livro de mesmo nome que chega hoje aos cinemas nacionais com distribuição Paris Filmes.

Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma adolescente chegando ao final do ensino médio. Uma adolescente que é aquilo que todas esperam ser: bonita, com uma família feliz, um grupo de melhores amigas populares, o namorado de sucesso.

E, assim como outras adolescentes populares, é dada a pequenos atos de maldade diária, aqueles imperceptíveis de tão aceitáveis que se tornaram.

No dia 12 de fevereiro, mais um Dia dos Namorados, ela com certeza não está pensando nestas maldades, pelo contrário está decidida a viver plenamente a magia que acreditava estar destinada quando acordou pela manhã.

Só que nem tudo acontece como ela espera e, para piorar, ela se vê presa vivendo esse dia novamente repetidas vezes. E, assim como no já citado Feitiço do Tempo, Sam acabará refletindo não somente sobre cada momento deste dia e tentará alterar tudo que puder daquilo que acredita que não deveria ter feito em primeiro lugar.

Principalmente porque o primeiro 12 de fevereiro termina com a morte dela e de suas melhores amigas.

Sabendo disso é claro que sua primeira ideia é apenas não estar no mesmo local no mesmo horário em que o fato aconteceu, mas Sam começa a perceber que talvez a questão não seja mudar aquele momento, mas o que veio antes dele. Vemos então o crescimento da personagem, tratado de uma forma tocante e delicada.

Sim, é impossível não pensar em 13 Reasons Why, caso você já tenha assistido a série, mas enquanto a produção da Netflix aborda a questão do bullying e morte na adolescência de forma mais crua, Antes que eu vá aposta na delicadeza e na esperança. Sim, ele poderia ser colocada na prateleira dos filmes de auto-ajuda, o único problema é que essa provável classificação acabaria por colocar um carimbo negativo que o filme, definitivamente, não merece – ele com sucesso escapa de qualquer abordagem religioso ou se perde em definições maniqueístas.

Além da acertada adaptação do livro, o filme Antes que eu vá tem outros pontos positivos: a protagonista Zoey Deutch está ótima, e olha que ela carrega o filme praticamente sozinha; o clima de inverno para outono ajuda a contar a história e dá à fotografia tons dourados, traz encantamento; e, principalmente, o filme retrata a juventude atual de forma real (eu via aquelas meninas e conseguia enxergar claramente minha filha e suas amigas, as brincadeiras em que só elas encontram graça, os códigos que apenas elas entendem).

 

Ficha técnica

Direção: Ry Russo-Young

Roteiro: Maria Maggenti, baseado no livro de Lauren Oliver

Elenco: Zoey Deutch (Ringer), Halston Sage (Cidades de Papel), Elena Kampouris (American Odyssey), Logan Miller (The Walking Dead) e Kian Lawley (H8ters)

Producção: Brian Robbins, Matt Kaplan e Jon Shestack

Fotografia: Michael Fimognari

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