O Rastro prova que é possível fazer terror nacional com qualidade

Fato 1: É difícil fazer cinema no Brasil.

Fato 2: É muito difícil fazer cinema de terror de qualidade no Brasil.

Você concorda com o que está escrito aí em cima?

Então não deixe de assistir ao filme O Rastro, que estreia nos cinemas nacionais no próximo dia 18 de maio.

A sinopse divulgada pelos produtores diz o seguinte: “João Rocha (Rafael Cardoso), um jovem e talentoso médico em ascensão, acaba encarregado de uma tarefa ingrata: supervisionar a transferência de pacientes quando um hospital público da cidade do Rio de Janeiro é fechado por falta de verba. Quando tudo parece correr dentro da normalidade, uma das pacientes, criança, desaparece no meio da noite, levando João para uma jornada num mundo obscuro e perigoso”.

Sinceramente, o filme é muito mais do que isso, mas é compreensível que ele tenha sido cuidadoso:  mais do que isso ameaçaria estragar estragar as surpresas que o filme reserva. E elas são muitas!

Para quem tem uma certa desconfiança para com os filmes nacionais, como eu (dado que, nos últimos anos, temos visto as comédias “besteirol” ganhando destaque no circuito), o longa foi uma grata surpresa.  Ele contém referências de filmes como O Iluminado de Stanley Kubrick, Babadook de Jennifer Kent e Os Outros de Alejandro Amenábar.

É um terror psicológico, é um drama e é um filme com pitadas de sobrenatural. É também um filme denúncia, pois se baseia no caos que é hoje o sistema de saúde pública do Rio de Janeiro (que é um terror por si só).

Pretensioso? É sim, só que ele não deixa a peteca cair.

O clima de suspense é envolvente, sendo construído aos poucos e, como toda boa produção do gênero, reserva bons sustos aos espectadores ao longo do filme. A fotografia, que usa e abusa dos contrates entre claro e escuro, e a edição sonora completam o pacote, contribuindo muito para que o espectador mergulhe na história.

Vemos o personagem principal se transformado ao longo do filme e sua jornada é crível, mais que isso: nos identificarmos com ela.

A direção de J. C. Feyer aborda algumas questões de forma aberta e isso parece proposital, nos provocando e nos fazendo pensar se tudo aquilo que estamos vendo está realmente acontecendo ou se ocorrem apenas na cabeça do protagonista.

A trama na verdade é simples, talvez por isso envolva o espectador pela proximidade com a realidade, e o final surpreende.

Prepare o balde de pipocas e curta, afinal: terror e suspense no escuro do cinema é outra coisa, não é mesmo?

Curiosidade: As locações do filme ocorreram no Hospital Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, que realmente estava sendo fechado.

 

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