Doctor Who: Thin Ice (10×03)

Bill: Interessante.

Doctor: O quê?

Bill: A Regência Britânica. Tem mais negros do que mostram nos filmes.

Doctor: Assim como Jesus. A história foi desbotada.

Não sei vocês, mas eu fui uma das que comemorou o fato de que teríamos uma personagem gay em Doctor Who. Em Thin Ice percebemos que existe outra implicação na escolha de Bill como companheira do um extraterrestre que viaja no tempo, inclusive para o passado: o fato de que negros passaram boa parte da história humana sendo perseguidos.

Foi impossível, na verdade, não lembrar de alguns episódios de Legends Of Tomorrow, em que a questão do preconceito foi abordada mais vezes (seja preconceitos com mulheres, seja com negros) do que eu me lembro nestes dez anos desde o retorno de Doctor Who – Só uma vez Martha Jones se preocupou, que eu me lembre.

Devo dizer que gostei bastante dessa primeira abordagem, principalmente porque, sem sombra de dúvida, a nossa história em geral ficou bastante desbotada (para quem tiver a oportunidade de visitar o Museu Afro-brasileiro em São Paulo, vale prestar atenção a ala em que eles mostram os muitos, MUITOS, negros que foram embranquecidos com o passar do tempo, tivemos até mesmo um presidente negro, sabiam?).

Bom, mas se Thin Ice apenas esbarrou nesse assunto em dois momentos – primeiro pelo medo de Bill, depois pela reação do vilão à presença desta -, o roteiro caprichou em abordar o verdadeiro significado de progresso: ao invés de máquinas, precisamos de humanidade, já dizia Charles Chaplin.

Um roteiro excelente que soube balancear humor, ação e crítica social sem que você ficasse chateado por sequer um segundo. Bill e Capaldi são simplesmente maravilhosos juntos. Ainda estou fascinada com a curiosidade da personagem!

Ah, e se foi a primeira vez em que abordaram a questão do preconceito, o que dizer da reação de Bill a primeira morte que ela presencia? Essa inocência no olhar dela, essa forma de enxergar as coisas trouxe uma riqueza ímpar – até mesmo porque faz com que o Doutor possa refletir sobre o assunto sem o peso da culpa dela, mais como um grilo falante a lembrá-lo para continuar sim valorizando a vida de uma pessoa que seja ao invés do “bem maior”.

E ainda rolaram os ótimos peixes brilhantes. O que dizer desses peixes? Tá, eles parecem com um dos peixes que assustam Marlin e Dory no primeiro filme do peixe palhaço da Disney.

(Mais um sinal de ótimo episódio: olha o quanto de referências que eu estou juntando aqui de cabeça?)

Teve melhor discurso? Sim, teve e ele já foi replicado várias vezes pela rede desde a exibição do episódio, não é verdade?

“O progresso humano não é medido pela indústria. É medido pelo valor que você coloca em uma vida. Uma vida sem importância. Uma vida sem privilégios. O garoto que morreu no rio, o valor dele é o seu. É isso que define uma era. É isso… que define uma espécie.”

P.S. Sim, é verdade, o Tâmisa já foi congelado a ponto das pessoas fazerem uma feira em cima dele. A última vez foi justamente em 1814.

P.S. do P.S. Apostas sobre o cofre? Três batidas. Seria o Mestre?

P.S. do P.S. do P.S. Bill procurando sobre o que fizeram em 1814 e seus efeitos na internet: simplesmente amei. A preocupação dela em não afetar o futuro me encantou.

P.S. do P.S. do P.S. do P.S. A TARDIS é uma garota má, que gosta de confusão e tem uma sala de vestidos. Bill, você não está sozinha em se apaixonar por ela.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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