Genius: Chapter One (1×01)

A primeira cena de Genius é um tanto inesperada. O Albert Einstein de Geoffrey Rush não está elaborando nenhuma equação complicada, mas estudando com cuidado o corpo de Betty (Charity Wakefield), sua assistente e amante. Sem preocupação alguma em não apagar algo que está no quadro negro, o Albert desta cena é quase um menino, ainda que o rosto nos lembre que este que vemos é o homem que já viveu bastante.

E essa é apenas uma das facetas do físico a nos serem mostradas ao longo do primeiro episódio: seja em sua versão mais jovem (Johnny Flynn), seja em sua versão mais velha, vivendo os difíceis tempos do nazismo dominando a Alemanha, Albert é inteligente, questionador, um tanto inconsequente, apaixonado, fiel aos amigos, egoísta, devotado.

A escolha de Rush se prova acertada, o ator inglês que um dia encarnou o pianista David Helfgott (Shine) parece ter o necessário desprendimento de si mesmo para não parecer ridículo em nenhum cena, ainda que a situação pudesse fazer rir. Mas a de Flynn é a que realmente surpreende: colocados lado a lado, jovem ainda nem na faculdade e vivido e reconhecido a impressão é que filmaram ao longo da vida e falamos de apenas um ator.

Os mesmos trejeitos, o mesmo olhar. A mesma determinação.

A ideia da série, dirigida por Ron Howard (acho que a sincronia dos dois atores está explicada), é mostrar o homem por trás do gênio, aquele que não sobreviveu ao tempo da mesma forma que as fórmulas que elaborou. Todos falam pelo menos uma vez em sua vida que tudo é relativo,  quase ninguém sabe que Einstein pediu a revogação de sua cidadania alemã ainda jovem e que enfrentou a loucura de Edgar Hoover quando precisou deixar a Alemanha Nazista.

Um gênio que não conseguia boas notas em literatura, biologia ou história, mas capaz de corrigir o professor em uma equação, ainda que isso significasse sua expulsão. E não, ele não cresceu com pais amorosos incentivando todas as suas loucuras, pelo contrário, os conflitos entre Einstein e seu pai causaram a sua saída de casa.

Um pouco de rebeldia é necessária para aflorar a genialidade? A saber.

E contar a história de Einstein é sim contar a história das mulheres de sua vida: primeiro sua mãe, essa sim sempre compreensiva com os atos do filho mais velho; depois a namorada que lhe ensinou francês quando, saído de casa, passou a morar com a família desta a fim de obter o conhecimento das outras matérias de forma suficiente para entrar na faculdade de Varsóvia; Mileva Maric (Samantha Cooley), tão boa em matemática como aquele que seria seu primeiro marido, que nos é apresentada apenas ao final deste episódio, quando conhece Einstein na faculdade; e Elsa (Emily Watson), sua segunda esposa, aquela que sabe exatamente porque o marido acha a assistente tão útil.

Genius não foge das cenas com discursos eloquentes de seu personagem principal nos mais diversos cenários, mas, pelo menos neste episódio, o charme do protagonista compensa – além de nos fazer imaginar como seria ter um professor como ele.

A subida do nazismo ao poder é pontuada ao longo do episódio em um crescente, com Einstein sendo um dos judeus que não se preocupava com o que acontecia, que acreditava que Hitler jamais chegaria ao poder. Até que ele perde um grande amigo em um atentado a bomba e descobre estar na lista de alvos do grupo que o matou.

Na rua ele é confrontado com os dois opostos de sua situação: um pequeno menino com o uniforme da Juventude Nazista lhe pede um autógrafo e lhe diz querer se um grande físico como ele, enquanto o irmão mais velho deste lhe cospe na cara.

Depois disso ele decide aceitar a vontade da esposa e mudar para os EUA, tendo sido convidado por Princenton para dar aulas. Somos então levados ao absurdo diálogo entre ele e um funcionário do consulado americano (vivido por Vincent Kartheiser de Mad Men), que lhe diz que Edgar Hoover não está a favor da entrada do físico no país considerando as posições políticas de Mileva Maric.

Este é o gancho para o episódio seguinte, focado na relação dele e a primeira esposa – e é impossível não ficar curioso considerando a o que ela mostrou na pequena cena deste.

P.S. O primeiro episódio da série ficou disponível no FOXPlay antes de sua estreia no NatGeo, acredito que a partir do segundo eles fiquem disponíveis em seguida à exibição. Serão 10 episódios.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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