Doctor Who: The Pilot (10×01)

Nos apresentar um novo doutor ou nos apresentar um novo companheiro é sempre um momento difícil em Doctor Who.  Na temporada passado o Doutor ganhou o rosto do Capaldi e alguns fãs devem ter achado normal a reação de Clara ao novo rosto, parecida com que alguns deviam estar tendo no mesmo momento.

Quando os dois são trocados ao mesmo tempo fica mais fácil, como o décimo primeiro e a Amy, porque toda a dinâmica é nova. Na verdade, acho que quando é o rosto do Doutor também é mais fácil, porque a gente meio que tem um modelo mental que aceita isso, nos preparamos para isso. Já um novo companheiro, bem, é impossível não imaginar “será que vai funcionar” ou “será que eu vou gostar dele”.

Eu nunca tive dúvidas de que eu ia gostar de um novo doutor – o quão doido é eu só pensar nisso agora.

No caso de Pearl Mackie como Bill Potts eu queria gostar dela. Fosse pelo material mostrado antes da estreia da temporada, fosse porque eu tive dois péssimos anos com a Clara antes de sua partida, eu imaginava gostar dela. Ainda assim eu não esperava me encantar com ela.

Bill Potts é diferente de qualquer companheira que o Doutor tenha tido antes – e só isso é uma das melhores coisas que podemos falar sobre qualquer companheiro novo. Além disso, ela tem uma leveza que fez o perfeito contraponto ao “peso” que o Doutor ganhou ao longo dos últimos anos – ainda que a gente já tenha percebido que ela própria tem um passado triste.

Bill é a garota mais legal que eu vi nos últimos tempos: ela dá batatas extras para a garota de que gosta, a garota engorda e ela ainda prefere batatas a boa forma; ela é curiosa a ponto de frequentar aulas legais, ainda que não esteja na faculdade; ela faz referências a cultura pop com propriedade; acredita que o o céu é feito de gotas de limão (de verdade); fica linda com  aquela coroa de papel crepom; acertou de primeira que o Doutor era um extraterrestre e comparou a TARDIS a uma cozinha e a um elevador; ainda assim não hesitou nenhum instante em correr com ele para aquela nave; é uma pessoa boa. De verdade.

Só isso já teria feito valer The Pilot, mas eles resolveram também nos lembrar do passado e colocar coisas tristemente doces como a foto de River e Susan na mesa do Doutor, ou nos mostrar que ele ainda está tentando superar as últimas perdas a ponto de não querer viajar por aí e aceitar apenas um androide como companheiro.

Nardole, diga-se de passagem, foi outro ponto alto do episódio.

Sim, a gente achou meio sem sentido ele sair correndo de um lado para o outro com a Bill, afinal o Doutor tentaria conversar com a Heather de água em primeiro lugar. Ou em segundo, porque a primeira fuga eu justifiquei imaginando que ele apenas queria levar os invasores o mais longe possível do cofre, seja lá o que estiver guardado lá.

Só que, como o que importa é a viagem – aqui da forma mais literal – as fugas do Doutor, Bill e Nardole proporcionaram a chance da garota absorver que a TARDIS viaja não somente no espaço, mas também no tempo, e ainda dar a primeira olhada dela nos Daleks – um Dalek é um Dalek, ora essa.

Ah, e eu achei tão linda aquela estrela no olho da Heather que eu jamais iria querer consertar algo assim!

Temos ainda a oportunidade de vermos aspectos já característicos do Doutor de Capaldi – o discurso para os alunos, ele tocando guitarra, o fato de que ele corre e só depois explica – e, de forma um tanto irônica, temos uma história em que o “amor” acaba sendo o problema, ao invés da solução. Achei muito legal a ideia de que Heather não iria embora por ter feito uma promessa à Bill e tenha sido preciso ser libertada desta.

No final das contas, precisa admitir que Moffat fez um excelente trabalho aqui: temos o que torna Doctor Who, Doctor Who. E temos algo tão novo e refrescante que nos faz querer indicar a série para todo mundo que ainda não assiste (não que antes já não fizéssemos isso, eu sei).

P.S. “That’s the Doctor for you. Never notices the tears” – tão bonito e triste isso. Realmente nosso Doutor às vezes parece sofrer de alguma cegueira sentimental (como se ele estivesse no espectro autista, tão inteligente e tão inábil tantas vezes).

P.S. do P.S. “Poetry, physics … same thing.” Não sei vocês, mas eu realmente gostei disso.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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