Cinema: O Espaço Entre Nós nos lembra de pensar no que mais gostamos na Terra

Em uma realidade alternativa, num futuro nem tão distante assim, a iniciativa de uma empresa privada, presidida por um idealista (vivido por Gary Oldman, que dispensa apresentações), consegue tornar a vida em Marte uma possibilidade. Para comprovar isso um grupo de cientistas segue em uma viagem ao planeta vermelho, cuja viagem de retorno só vai ocorrer dali a quatro anos.

É esta a realidade de O Espaço Entre Nós, filme dirigido por Peter Chelsom (Hector e a Procura da Felicidade) e com roteiro de Allan Loeb (Beleza Oculta), que  chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 30 de março de 2017.

A missão é liderada por uma astronauta determinada, Sarah Eliott (vivida por Janet Montgomery, das séries Salem e This Is Us), que comete um erro primário: engravida na véspera da viagem, passando a gravidez no espaço sideral e tendo seu parto realizado no outro planeta.

Sarah mão sobrevive ao parto, mas ainda que ela sobrevivesse a verdade do menino Gardner não poderia ser mudada: pela forma como sua gestação aconteceu, o bebê não sobreviveria a uma viagem de volta à Terra.

A revelação do ocorrido poderia encerrar o projeto, o que significaria a morte do menino, então Gardner se torna um segredo e cresce dentro das instalações da colônia, sendo criado por cientistas.

Gardner Elliot (Asa Butterfield, de Hugo Cabret, Menino do Pijama Listrado e Crianças Peculiares) cresce então sonhando com o planeta que ele nunca viu e do contato com outras crianças/adolescentes parecidos com ele. Já adolescente ele mantém conversas pela internet com uma garota cujo apelido é Tulsa (Britt Robertson,  de Tomorrowland).

E, sendo criado por cientistas, ele encontra pertences de sua mãe escondidos, que o levam ao desejo de conhecer seu pai. Determinado a fazê-lo ele conta com a ajuda de Kendra (Carla Gugino), astronauta que acabou assumindo o papel de mãe em sua vida, para fazer a viagem.

Na Terra, Gardner não aceita ficar preso dentro da base e foge de lá, decidido a encontrar Tulsa e, então, seu pai.

“Qual é a coisa de que você mais gosta na Terra? (prefiro a versão em inglês, que pergunta sobre sua coisa favorita, acho tão mais sonoro)

É então que o filme realmente acontece. Então vou dizer a vocês que O Espaço Entre Nós não é um filme de ficção científica – para os fãs de ficção científica é fácil pensar em Starman (1984), mas a comparação é injusta -, ainda que ele dependa disso como base de sua história, mas sim uma história de amor adolescente com toques de aventura, já que, por conta da situação de saúde de Gardner, os dois passam a ser perseguidos pelo país.

Na busca por seu pai, e pelo contato com outros seres humanos, Gardner saca a pergunta destacada acima para entender o que esse planeta em que ele deveria ter nascido tem de especial. É no deslumbramento dele com o que vê, sente, descobre, que está o verdadeiro atrativo do filme.

É na inadequação de Gardner que residem os momentos de humor e isso não é demérito: O Espaço Entre Nós é um filme extremamente delicado e gentil. E é a química de Gardner e Tulsa que faz com que tudo funcione – mesmo quando o roteiro não consegue escapar de uma descoberta previsível quanto ao pai dele ou quando Tulsa encontra o seu final feliz.

O roteiro funciona – não é uma adaptação literária – ainda que trate de forma superficial das difíceis questões que Gardner é obrigado a encara desde o seu nascimento: luto, solidão e se sentir inadequado, diferente de todos. A questão de Gardner ser mantido em segredo ou o segredo sobre seu pai, por exemplo, em nenhum momento são abordadas em maior profundidade. Além disso, ele usa de recursos estranhos – como por exemplo o fato de Gardner tentar entender como a interação humana funciona a partir de filmes antigos ao invés de vídeos no YouTube.

Direcionado ao público jovem, o filme agradará em especial os fãs de A Culpa É das Estrelas e Cidades de Papel, adaptações de obras do autor John Green.

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