Cinema: Power Rangers O Filme

Nos anos 90 o seriado de TV Power Rangers era um mania que tornava mais próxima dos jovens ocidentais a tradição japonesa de fazer filmes e seriados de ação com super heróis enfrentando monstros de outros planetas com muitos efeitos especiais (o Tokusatsu ou Super Sentai). Conseguindo uma legião de fãs, o seriado também fez com que quem gostava da fórmula original torcesse o nariz para o que via.

Eu era uma adolescente e apenas curtia aquelas aventuras que traziam uma garota não tão mais velha que eu lutando – sim, bateu uma nostalgia daquelas quando Amy Jo Johnson apareceu na tela durante a exibição do filme nesta segunda para a imprensa.

Power Rangers O Filme então tem uma missão também bastante difícil: conquistar fãs na nova geração e conseguir passar com o mínimo de ferimentos por conta dos comentários dos fãs antigos – sejam eles das histórias originais, sejam da série de TV.

Seu primeiro acerto está na escolha do elenco de jovens que se tornam heróis: Jason Scott (Dacre Montgomery) é o futuro jogador de futebol de sucesso que vê tudo desabar ao acabar preso após i=uma brincadeira que foi longe demais, Billy Cranston (RJ Cyler) é um rapaz no espectro autista que tenta manter uma conexão com o pai que faleceu fazendo o que os dois faziam juntos, o que significa explodir pedras, Kimberly Hart (Naomi Scott) era a garota popular que cometeu um erro e que tem mais raiva de si própria do que de qualquer outra coisa, Zack Taylor (Ludi Lin) abandonou a escola e passa seus dias tentando enfrentar o medo de perder sua mãe que está doente e Trini Kwan (Becky G.) é uma garota lidando com o preconceito de sua família em relação a quem ela realmente é – e que na verdade ela não assumiu para ninguém.

Eles são gente como a gente e isso engrandece o filme. Assim como o fato das histórias destes personagens em momento algum soarem forçadas ou irreais – sim, tem fala clichê, mas todo mundo já usou fala clichê, principalmente na adolescência.

Os cinco acabam escolhidos – se por acaso ou merecimento, deixarei você julgar – para se tornarem os novos protetores na Terra de um cristal que mantém a vida no planeta. Há 65 milhões de anos uma ex-ranger tentou pegá-lo, Rita Repulsa (Elizabeth Bancks), sem sucesso, mas ela está de volta e o tempo é curto para que este cinco desajustados, que a primeira vista nada tem em comum, aprendam o que é preciso, confiem em si próprios, se tornem guerreiros e, muito importante, aprendam a morfar.

Morfar, para quem não conhece a história, é o que faz um Power Ranger ganhar sua armadura, que não só lhe protegerá como permitirá que ele controle seu zord (um dinossauro de metal gigante).

Ah, o fato de que quem está responsável por explicar tudo isso aos cinco incrédulos candidatos é um rosto na parede – Zordon (Bryan Cranston), antigo ranger vermelho que morreu enfrentando Rita no passado – e um androide simpático chamado Alpha 5 (voz de Bill Hader).

Boa parte do filme trata de todo esse processo de “se tornar herói” e é graças ao inesperado entrosamento de uma equipe que “se encontrou ainda ontem” que isso não se torna chato (mesmo que o treinamento pudesse ser um tico mais curto). São muitas as piadas que eles fazem um com o outro ou com sua própria situação. Ao não levar as coisas a sério demais o roteiro ganha pontos – ainda que seja bom lembrar que falamos de um filme adolescente cuja principal atenção é apenas divertir, então nenhum conflito é tratado de forma muito profunda.

Quando eles finalmente se tornam Power Rangers – e a música original toca e a minha vontade era até bater palmas – o filme entra no modo “grande batalha de heróis com muitas explosões, tiros, e quebradeira” e aí o negócio é você se deixar levar que a diversão é garantida…

Ainda que precisemos falar de Rita Repulsa. Sim, ela é uma vilã melhor que a de Esquadrão Suícida, por exemplo, mas em momento algum nós realmente temos medo de que ela seja aquela que acabará com a vida na Terra. Talvez seja o exagero da atriz, o que deixa a personagem caricata ao invés de ameaçadora e tira parte da graça do confronto final.

E a gente sabe que em filmes como estes o vilão é muito importante.

Não fosse o fato de eu já estar realmente gostando dos Powers Rangers eu provavelmente teria ficado bastante decepcionada: já que a vilã não convence, resta nos divertirmos com os desafios de um grupo que efetivamente está lutando pela primeira vez.

E, claro, a atualização da franquia tem suas vantagens: as armaduras não parecem mais com as fantasias que podíamos comprar na 25 de março, os efeitos especiais são bons (os zords nunca foram tão lindos), a trilha sonora é bem escolhida (principalmente depois que o Go Go Power Rangers já encheu as caixas de som) e a fotografia é bem bonita (principalmente nas cenas da pedreira).

Resta torcer para que os novos fãs resolvam dar uma chance a estes heróis em meio a quantidade de filmes do gênero que invadiu as telonas nos últimos tempos.

 

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