Cinema: Armas Na Mesa

Ao que parece as ruivas dominam o cinema atual.

Depois de Amy Adams ter arrasado nas telas em 2016 – pensem os membros da Academia o que quiserem -, 2017 promete ser o ano de Jessica Chastain, que interpreta a controversa Elizabeth Sloan em Armas na Mesa, lançamento da Paris Filmes que chega aos cinemas neste 02 de Fevereiro e que também tem presença garantida em outros filmes aguardados como O Zoológico de Varsóvia.

Dirigido por John Madden, de Shakespeare Apaixonado, Armas na Mesa retrata a difícil missão da poderosa lobista Elizabeth Sloane (Jessica Chastain): liderar a luta pelo controle de armas nos Estados Unidos, diante de ações de interesses particulares que beneficiam políticos e um grupo de lobistas.

Mas não pense que Sloane é uma engajada defensora da justiça, ela entra na briga após ser procurada por Rodolfo Schmidt (Mark Strong), que tem uma pequena empresa de lobby, e convencida pela possibilidade de fazer algo grandioso, algo que deixaria uma marca: vencer aquela é conhecida como a mais influente indústria nos EUA, aquela que todos dizem não poder ser vencida.

É por isso que ela deixa sua confortável posição em uma conhecida firma e parte para a briga.

Nos vemos então, o público, confrontados pela ideia de torcer imensamente por alguém que, se olharmos bem, não tem nada de heroína. Sloane é fria e calculista, ela não tem problema algum em colocar Esme Manucharian (Gugu Mbatha-Raw), peça chave de sua equipe, em uma situação complicada. Ela não diz bom dia nem pergunta como você vai. Ela te olha de cima para baixo. Ela não dorme, mesmo que isso signifique muitos remédios, ela não tem amigos, ela só tem seu trabalho.

E ela é exatamente a pessoa que você precisa ao seu lado quando falamos de uma briga que não tem nada de justa. Ela realmente está arriscando tudo quando resolve tomar o lado mais fraco da briga e ela não tem receio algum em usar qualquer coisa ou pessoa para vencer.

Armas na Mesa não tem nada de Cães de Guerra ou Senhor das Armas, você não verá o lado sujo da negociação de armas, a bem da verdade acho que só vemos uma arma em uma das cenas do filme.

Ao contrário disso o que se vê é uma bem desenvolvida trama psicológica, um jogo de estratégica no qual o que realmente contam é a inteligência e antecipação de seus jogadores. Diria eu que ao longo do caminho vai ficando fácil você torcer por Sloane porque estamos falando de um filme em os mocinhos são minoria e não estão entre os principais jogadores – o que evita também que vilões sejam retratados de forma caricata.

Vocês irá adorar odiar Sam Waterston e seu George Dupont, ex-chefe de Sloane e que tem seu lado mais negro despertado quando ela deixa o seu barco e, pior, se atreve a ganhar dele algumas batalhas.

O roteiro é um achado: consegue manter o ritmo, ainda que a quantidade de informações, e por consequência de diálogos, seja enorme. Ele é ágil, piscou, perdeu, não existe espaço para explicações desnecessárias, o que você vê sendo entregue por Sloane e seus adversários é o que precisa para tomar suas decisões.

E se Jessica simplesmente brilha, tendo garantido uma indicação aos Globos de Ouro, não podemos reclamar dos demais participantes do elenco: Mark Strong, Gugu Mbatha-Raw, John Lithgow e Alison Pill conseguem entregar atuações limpas, pessoas críveis, algumas vezes tão levadas pelas ações de Sloane quanto nós.

Armas na Mesa é aquele filme que manterá você interessado do começo ao fim e, ainda que você tenha grande chance de saber como essa história acabará, ele mantém o suspense até os minutos finais, garantindo um final a altura da trama que criou.

 

 

 Armas Na Mesa estreia em circuito nacional neste 02 de fevereiro.

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