Cinema: Animas Fantásticos e Onde Habitam (sem spoilers)

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Missão difícil essa a de Animais Fantásticos e Onde Habitam, não é verdade? Satisfazer aos fãs de Harry Potter, conquistar novos fãs, não errar, emocionar, ter personagens que nos encantem, trazer algo novo, mas não novo demais, porque afinal é o mesmo mundo mágico, certo?

Animais Fantásticos se passa décadas antes do que conhecemos nos livros e filmes do bruxo mais famoso de todo o planeta. Não bastasse isso, também se passa do outro lado do oceano, na Nova Iorque dos grandes prédios de arquitetura clássica, cheios de pequenas janelas.

Ainda assim a música de abertura é nossa velha conhecida e é claro que nós – os fãs, potterheads somos chamados – já ficamos emocionados ao ver o logo da Warner em tons acinzentados antes do letreiro do filme.

Os minutos iniciais nos mostram que as coisas nos Estados Unidos não estão fáceis: a comunidade mágica vive nas sombras depois de ter sido muito perseguida pelos trouxas, aqui chamados “não-majs”, e recentes acontecimentos difíceis de explicar preocupam o Congresso Mágico dos Estados Unidos da América (MACUSA). Fora do país a coisa não fica mais fácil: um bruxo poderoso de nome Grindelwald aterroriza mágicos de todos os lugares, deixando um rastro de  destruição por onde passa, em fuga (momento em que toca uma campainha nos fãs antigos).

Jornais com imagens em movimento, conhecidos dos fãs da série original, mostram como o bruxo obcecado pelas Relíquias da Morte escapou de quem pretendia prendê-lo e tomam os minutos iniciais do filme, um autêntico clipping do que você precisa saber. A atmosfera é um tanto insegura, mas ainda não é sombria.

Em seguida vemos um estranho rapaz passando pela alfândega ao chegar ao país. Newt (Eddie Redmayne) carrega uma mala que, já de início, entrega estar com algo mais que roupas. Sorte que ela também dispõe de um dispositivo engana trouxas para alguma eventualidade.

Newt é quase um menino, na verdade, e o colorido de seu casado, as sardas de seu rosto, a ferrugem de seu cabelo nos fazem esquecer a insegurança anterior e já nos sentimos melhor. Ele também parece não ser lá muito bom com pessoas. Sua paixão, revelada logo, são os animas que ama e cuida, na esperança de ensinar os bruxos a não os temerem.

O livro Animais Fantásticos e Onde Habitam original é pequeno, pequeno mesmo. Lançado por JK em paralelo aos primeiros livros de Harry para arrecadar fundos para uma de suas causas, ele é quase um dicionário com os nomes e descrições das criaturas mágicas descobertas por seu autor. Na Hogwarts moderna é usado como livro texto na Aula de Trato das Criaturas Mágicas.

Temos então, de maneira justa, algum tempo do filme dedicado justamente a conhecer tais criaturas. Jacob Kowalski (Dan Fogler) faz nosso papel, demonstrando a mistura de maravilhamento e confusão que nós mostraríamos a passar pelo mesmo. O encontro de Newt e Jacob é ao acaso, mas não poderia imaginar uma dupla de heróis acidentais mais adequada a este mundo.

A inocência dos anos 20/30 está neles, e em Tina (Katherine Waterston) e Queenie (Alison Sudol), que acabarão por fazer companhia aos dois na aventura. Não somente a inocência, mas a luz. Não achei palavra melhor para descrever isso. Animais Fantásticos não é sombrio como os últimos filmes de Harry Potter, e eu diria que nem mesmo poderia ser comparado aos primeiros.

Lá temos um personagem central que, em momento nenhum, esquecemos ter sofrido desde sempre. Não podemos dizer que Harry ilumina por onde passa, certo? Ronie é o que mais perto temos disto. Newt, Jacob, Tina e Queenie são diferentes e as escolhas de fotografia usam isso o tempo todo, bem como é nos quatro que encontramos os momentos de alívio cômico. Assim como deixam as coisas mais sombrias quando estão em cena os burocratas da MACUSA, Percival Graves (Colin Farrell) principalmente, ou a dupla formada por Mary Lou (Samantha Morton) e Credence (Ezra Miller).

Mary Lou é uma mulher que atribui tudo de ruim aos bruxos e que é ainda mais infeliz porque ninguém acredita quando ela fala isso.

Dos dois lados a escolha de elenco se mostra acertada. Principalmente quando falamos dos dois protagonistas e de Ezra Miller.

O filme tem defeitos? Direi que ele foi pensado como a primeira parte de uma história – que no momento terá 5 partes – então sofre das deficiências das primeiras partes: mais tempo dedicado a apresentação dos personagens, criaturas, inclusive; menos tempo dedicado ao que parece ser o fio condutor do conjunto.

E o fio condutor também nos faz lembrar muito de Harry Potter: um bruxo poderoso que tem uma visão diferente de qual é o papel dos bruxos no mundo e que não se importa com as mortes que causar para provar que está certo.

Não dedicar tempo demais a Grindelwald e sua luta foi fundamental – afinal se assim não fosse seria necessário trocar o nome do filme, né? – ainda que eu tenha ouvido críticas na saída da sala de cinema por parte de fãs mais antigos e que talvez tenham buscado mais dos filmes originais aqui do que encontraram.

A segunda crítica mais ouvida é que ele é um filme infantil. Sim. Verdade. Confesso que essa crítica estava me deixando confusa quando vi as próprias pessoas lembrando algo importante: Harry Potter é uma coleção infantil. Ela cresceu com seu protagonista e ganhou outros ares nos últimos filmes, se tornou mais sombria, mais complexa. Nada impede que o mesmo aconteça aqui, apenas precisamos lembrar que esta não é uma continuação, ok?

Depois fiquei pensando que esta crítica sobre ser infantil eu ouvi de pessoas que assistiram à saga do bruxinho quando também eram crianças e agora, já adultas, experimentam uma outra forma de olhar tudo isso. Eu já era adulta nos dois casos, provavelmente por isso não fui afetada (hahahahaha fazem meus amigos quando eu leram a primeira parte desta última frase).

Ainda que toda a atmosfera nos seja familiar, ela não é a mesma. É uma época e um lugar diferentes, mas tão encantadores quanto o que conhecemos antes. O terço final do filme tem cenas que, uau, nos levam na viagem junto com elas.

Mais importante: JK está lá. Em cada linha. Tudo que foi importante em Harry está aqui: luta contra preconceitos, acreditar em si mesmo, as coisas podem ser mais simples se formos mais sinceros, amizades verdadeiras são a única coisa que você precisa. David Yates provou que não esqueceu nada do que aprendeu dirigindo HP e traduz sonho em realidade. Os dois juntos mostram que o mundo bruxo pode ser ainda maior e sempre apaixonante.

E bora lá ver o trailer de novo?

 

P.S. O Buzzfeed preparou uma lista marota de lindas impressões do filme que você pode ter em casa.

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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