X Company: Fatherland (2×08)

Muito se fala, quando se olha para a Segunda Guerra, sobre como o povo alemão se deixou levar por Hitler, como eles aceitaram os horrores feitos sob o comando de um homem que tinha um carisma absurdo, do mesmo tamanho de sua loucura.

Ao colocar Sabine como aquela que, tão perto do poder, não enxergava o que estava sendo feito, mesmo depois de Faber ter matado o próprio filho, X Company nos mostra parte da explicação. Jamais saberemos se aqueles que declararam não saber do horror dos campos de concentração realmente não sabiam. E, se não sabiam, se simplesmente escolheram não saber.

Se Faber mantinha trabalho e casa totalmente separados, Sabine também nunca procurou saber a verdade. Se algo em sua mente lhe alertava que era melhor não perguntar demais? Acho que em algum momento sim, principalmente depois da morte de seu filho.

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São tantas as coisas a falar sobre o confronto entre Aurora e Faber naquele trem, com a consequente revelação de tantas dolorosas mentiras para Sabine, que eu realmente não sei por onde começar. Não sei se Sabine foi mais ferida pela revelação daquilo que seu marido fazia ou pela descoberta de que sua mais importante amiga, àquela a quem ela se agarrou com toda a força, na verdade era uma espiã dos Aliados.

É delicioso ver um roteiro tão bem feito! Ao longo dos últimos episódios vimos a relação de Aurora e Sabine ser construída e o quanto as duas se tornaram dependentes desta. Não fosse isso poderíamos julgar que as reações das duas no confronto seriam exagerados, mas sabemos que não são. Apesar do pouco tempo juntas, foi um tempo muito intenso.

Do outro lado, desde o fim da temporada passada, vimos Faber ser destruído em seu íntimo ao concordar com as ordens que iam contra o que lhe restava de humanidade. Vimos o que torturar Alfred fez com ele, depois ele ter de matar seu filho, depois ter de matar as pessoas na cidade que ele sabia inocentes. É impossível entender como ele ainda está de pé.

E o colar de diamantes? Faber sabe o horror que ele representa, tanto a morte dos judeus como o sistema que lhe tirou seu filho, mas se vê obrigado a dá-lo para sua esposa. Ela, inocente do que ele representava, na verdade não o queria porque parecia que ele tentava apagar a morte de Ulli com o presente e o entrega a judia que viu seu povo morrer e ser roubado. Uma peça de cena tão cheia de significados.

Os três lidando com seus lutos e tentando focar em qualquer outra coisa.

O que virá agora para Faber e Sabine? O amor dos dois vai conseguir vencer todas as verdades agora reveladas? Faber, se perder sua esposa, sobreviverá? Aurora, que revelou tudo de si para Sabine, conseguirá superar mais esta perda?

E eu nem falei ainda de tudo que aconteceu no acampamento, com Kristina acabando por matar Klaus e impedindo o pior. Sinclair sentiu a morte de Klaus como a de um filho, não tenho dúvida, e ela sentiu o peso de tirar uma vida. Quanto de tristeza em um ato?

 

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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