Mark Wolper fala sobre Raízes (Roots) – estreia do History Channel em 17 de Outubro

Em 1977 a televisão americana foi dominada pelo fenômeno Raízes (Roots), série que recebeu 36 indicações para o Prêmio Emmy, conquistando nove, e que venceu um Globo de Ouro, atingindo índices de audiência não imaginados para a época – seu episódio final até hoje figura entre as  maiores audiências já registradas (140 milhões de pessoas). No Brasil a série foi exibida no final dos anos 70 pela Globo e no final dos anos 80 no SBT, com boas audiências nas duas ocasiões.

Baseada no romance Negras Raízes, de Alex Haley, a série então foi produzida então por LeVar Burton, que também  interpretou o papel do escravo Kunta Kinte, e por David L. Wolper e ficou marcada como a obra que renovou o interesse das pessoas pela história da chegada dos negros ao continente americano por conta da escravidão.

Depois de 39 anos da estreia da minissérie original, o History Channel realizou um remake da produção que tem por ambição alcançar o mesmo sucesso da original e que conta com Levar Burton como coprodutor executivo e Mark Wolper, filho de David L. Wolper, como produtor.

Roots Raíses History Channel Estreia

A nova adaptação de Raízes (Roots) é protagonizada pelo ator britânico Malachi Kirby, que interpreta Kunta Kintê e conta ainda com Anna Paquin (True Blood) como Nancy Holt, Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) como Fiddler, escravo que tenta guiar Kunta Kintê após sua chegada aos EUA, e Laurence Fishburne (Hannibal), na pele de Alex Haley, o autor do romance original.

Rodada na África do Sul e em New Orleans, a série faz um retrato histórico da escravidão norte-americana e relata o drama de uma família para sobreviver, resistir e continuar seu legado, apesar das enormes dificuldades e crueldades que tiveram de enfrentar.  Para a nova versão uma cuidadosa investigação foi realizada, envolvendo diversos historiadores com grande experiência em história africana e afro-americana, bem como diversos líderes de todo o país, o que acrescentou novos detalhes a história contada anteriormente.

Tudo começa quando o jovem Kunta Kintê é capturado em sua terra natal, Gâmbia, e transportado em condições desumanas para os Estados Unidos colonial, onde é vendido como escravo. Ao longo da série, a família segue enfrentando adversidades, enquanto testemunha e contribui com acontecimentos importantes na história dos Estados Unidos: as guerras civis e revolucionárias, as rebeliões dos escravos e a eventual emancipação. As histórias de Kunta Kintê, e das mulheres e homens que vieram depois dele fazem eco na história de milhões de norte-americanos de origem africana e revelam poderosas verdades sobre a resistência universal do espírito humano.

Porque uma nova versão 39 anos depois

Em um bate papo com o produtor Mark Wolper por telefone a primeira pergunta não poderia ser outra: por que uma nova versão 39 anos depois? Mark explicou que por muitos anos foi relutante não somente porque é assustador refazer algo que teve tamanho sucesso em sua versão original, mas pelas várias questões raciais que ainda são difíceis de serem tratadas nos EUA, nos últimos tempos especialmente – e por aqui também, sejamos honestos. Finalmente, o medo de que a nova obra ficasse horrível como a maioria dos remakes ficam e então decepcionar muitas pessoas.

Mark acabou deixando a relutância de lado ao apresentar a obra original ao seu filho mais velho, adolescente, e perceber que ainda que o assunto fosse relevante, a nova geração não conseguia se conectar com a forma que a história era contada, sentia falta de ação, de aventura. Ele se lembrava da forma como ele reagiu quando assistiu e então entendeu que a história precisava ser contada de novo porque é um assunto que não pode não ser discutido.

Deixados de lado os medos, Mark espera que a nova versão faça sucesso como a original, considerando o passado dos países do continente sua história de escravidão, ainda, ele lembrou que a escravidão ainda é uma realidade em muitos países, tendo citado inclusive o Brasil como exemplo. Eu aproveitei o gancho e perguntei se ele já conhecia o histórico brasileiro ou se isso havia surgido na pesquisa para o projeto.

“Ao longo do planejamento do projeto nós tivemos a ajuda de muitos especialistas sobre escravidão e sobre como funcionava este comércio que trazia negros do oeste africano para os EUA e acabamos surpreendidos ao descobrir que o comércio para a América do Sul, em especial para o Brasil, era tão grande ou ainda maior, assim como para as ilhas do Caribe. Tanto que atualmente estamos explorando como fazer um filme sobre a escravidão no Brasil.”

A pesquisa foi tão relevante que podemos esperar várias mudanças da versão original para o novo projeto: “Graças ao sucesso do livro e da série original, muita pesquisa foi realizada sobre o assunto depois da realização destas, então hoje nós temos mais informação do que o autor tinha quando o livro foi publicado. E nós incorporamos isso à nova versão. Um exemplo é a cidade original de Kunta Kintê, retratada como uma pequena vila na versão original, mas a verdade é que era uma cidade bastante grande, com escolas, universidade comércio e mesmo pessoas brancas moravam lá.”

Mark ainda fez questão de destacar que Raízes, o livro e as duas versões da minissérie, é sobre uma família e esta é a forma como nós nos conectamos com a história de Kunta Kintê e ela nos modifica.

Raízes (Roots) será exibida pelo Canal History entre os dias 17 a 20 de Outubro, dois episódios diários, sempre às 22h40.

Escrito por Simone Miletic

Formada em contabilidade, sempre teve paixão pela palavra escrita, como leitora e escritora. Acabou virando blogueira.

Escreve sobre suas paixões, ainda que algumas venham e vão ao sabor do tempo. As que sempre ficam: cinema, literatura, séries e animais.

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