Clarice, Gregorio e eu

Hoje pela manhã, antes de sair para um compromisso, vi que uma amiga havia compartilhado o link para a coluna do dia do Gregorio Duvivier e que a coluna falava de Clarice Falcão. Eu, que gosto do Gregorio, gosto da Clarice e gostei do filme dos dois, fui ler.

Achei, assim como minha amiga, o texto fofo. Compartilhei também e guardei pra mim aquele sentimento bom de saber que o amor, às vezes, só muda de forma, não precisa acabar de forma drástica, feia e escandalosa. Que, no final das contas, não é porque acabou que foi fracasso, sabe?

A coluna fala dos dois e do filme que estreia nesta semana. Em um trecho dela, Duvivier fala do fato de que eles não tiveram um filho, mas tiveram este filme para levar com eles agora que a relação acabou.

O que este trecho diz, na verdade, já havia sido dito por Duvivier há algumas semanas em uma entrevista. Lá, diferente da coluna, você o vê falando isso e é nítido em seu olhar o carinho que nutre pela ex.

Bom, como eu já disse aqui antes, sou péssima até pra acompanhar relacionamento de amigo, que dirá de celebridade, e ainda estou processando saber que os dois não estão mais juntos – descobri na semana passada na pré-estreia do filme – porque eu gostava demais do casal. Por que? Sei lá. Porque eles me passavam uma imagem de casal na mesma sintonia, que se curtia, que não vivia para a briga, para o ciúme, que falava bobeira junto, que ria um do outro.

Sei que os de direita não gostam dele por ele ser de esquerda, alguns de esquerda não gostam dele porque ele não é esquerda o bastante ou algo assim. Sei que tem gente que não gosta dela porque ela canta em uma nota só ou porque ela fez propaganda do Pão de Açúcar.

Eu, como já disse, gosto dos dois.

Bom, corta para três horas depois, assisti ao filme, corri lojas do shopping atrás de um presente para a Carol dar a uma amiga – e se tem algo que eu não gosto, é correr loja de shopping -, pego meu ônibus de volta para casa e descubro que o tal texto fofo se transformou na polêmica do dia.

Li que ele traiu Clarice quando estavam juntos, que o relacionamento era abusivo, que ele não tinha o direito de falar sobre o tal filho que não tiveram; também ouvi que na verdade ele a pediu em casamento em um vídeo chamado Clara e que ela não aceitou, causando o fim da relação; que ele é chato; que o texto é publicidade para o filme; que se fosse ela a escrever o mesmo iam dizer que era dor de cotovelo, mas como é homem não dizem nada; que era um texto horrível, e olha que Fernando Pessoa já havia dito que cartas de amor são ridículas mesmo; A cada duas publicações de amigos no Facebook, uma era sobre a coluna.

Neste momento vamos todos ouvir Monomania que ela escreveu pra ele enquanto eles ainda estavam juntos para desestressar.

Mas eu nada sei da verdade por trás da maior parte dos relacionamentos por aí – às vezes a gente mal tem certeza do que rola no nosso próprio relacionamento e daí aquele susto nosso quando melhor amigo se separa e alguém fala “nossa, mas eu achava que eles estavam tão bem” – e acho que tem relacionamento de todo tipo e cor. Relacionamento de dois, de três, de vários. Relacionamento em que traição é motivo de morte  e em que nem traição é o nome que se dá para as tais puladas de cerca. Acho que, na verdade, só os dois sabem como foi, como acabou, o que ficou e se o texto cabia ou não cabia, mas acho normal que ele, escritor, criativo, tenha feito essa declaração ali, num espaço que é para ele falar sobre qualquer coisa mesmo.

Eu que achei o texto fofo e que dele tirei alguma coisa boa – quem sabe até uma ajuda para eu superar a separação dos dois, vejam vocês – e que acho que, embora ridículas mesmo, todas as cartas de amor são lindas.

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Um comentário em “Clarice, Gregorio e eu”

  1. Lourdes Mota
    Lourdes Mota 12/09/2016 em 10:51 pm

    Eu tb curti o texto, e nem quero saber se foi ou não marketing e ainda acho que, se alguém teria que se ofender seria a Clarice, que ela faça uma música, ofendida ou não, pq vou curtir tb 😉

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